quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O direito, o avesso ou o torto?


“- Não quero concertar nada quebrado. O que está quebrado está quebrado e ponto. - disse a um aluno que tentava me convencer em concertar a caneta que havia emprestado-o.
- Tem um “Q”de caos nessa sua afirmação - o aluno querendo me enquadrar num “anarco no sei-o-que” da vida.
Nem me detive a respondê-lo, mas minha afirmação deu-se a partir da minha experiência de vida, sem nenhuma pretensão político-filosófica. Deu-se a partir das tantas tentativas de concertar. Concertar coisas, situações, pessoas. Mas quem disse que deveriam ser concertadas? E será que deveriam ser concertadas?
Tempo e energia é o que se perde tentando concertar. Frustração e angustia é o sentimento que geralmente resulta desses “concertos”. Entretanto, não fazia os concertos em nome de uma “moral”. Se eu posso em alguma medida explicar essa atitude ilógica seria pelo gozo/prazer de juntar as coisas, de pô-las em ordem, de ter o mapa da certeza e não ser pega de assalto pelo imprevisto, algumas vezes desconcertante e/ou desagradável. Se ainda posso explicá-la de algum modo, seria a tentativa de juntar nos outros aquilo que estava quebrado, avesso ou torto em mim mesma. Ou quem sabe me ocupando da causa dos outros para não me ocupar das minhas próprias causas.
Estranhamente após esse episódio em mais uma temporada de Gilmore Gilr’s, o dilema do concertar o quebrado, ou de empenhar em mudanças, aparece na forma de produção cinematográfica e seus quadros amorosos: o bom moço (Dean) – o bad boy (Jess Mariano) – a mocinha (Rory) que ao se desatar nesse triângulo entre em um novo polígono amoroso: o bonzinho e sem chance (Marty), o não tão bonzinho/certinho (Dean) – o pseudo-bad boy/confuso/rebelde sem causa (Jess Mariano) – o bad boy/playboy (Logan). Colocando como questão: será que para chegar aos acertos é preciso provar dos erros? É preciso ter a disposição de mudar o que parece torto? E mais toda mulher sente uma atração irresistível pelos bad, ou os rebeldes sem causa. Acredito eu que não necessariamente...E lá vamos nós nas tantas invenções sociais sobre o que é ser menino, o que é ser menina. O que é ser homem e o que é ser mulher. Ou seja, “quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?” No âmbito das questões sem fim...
O fato é que muitas vezes as coisas são o que são. Sem mudanças necessárias, apenas adaptações ou rejeição dessas adaptações. Façamos escolhas. E o que muitas vezes nos parece avesso ao outro direito é. E mais, não haveria avesso sem direito e o direito sem o avesso. E o torto? Esse não existe. Trata-se de mais uma forma de ver o avesso ou o direito. Ou o contrário, o torto é uma forma de avesso ou de direito. Enfim, não se trata de um manifesto a favor da permanência, mas de ter a certeza que eu não suporto certas desorganizações, certos “desavessos”, então, em alguma medida não os quero. Hoje, dou novos sentidos a coisas antigas e o que não consigo não me atrevo. Deixo para lá. Então, sem “murro em ponta de faca”. Talvez algumas vezes cada qual “no seu quadrado”, ou no seu círculo e quem sabe a gente se encontra, os círculos se encontram, mas sem polígonos complexos “da Vincianos”.

Um comentário:

  1. ConCerto mestre?...e...não consegui chegar ao "x" da questão. O que vc queria dizer mesmo?

    Abraço.

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