sábado, 30 de janeiro de 2010

Amores clandestinos (PARTE I)


Existem certos limites que se ultrapassados doem mas do que se é capaz de suportar. Traz mais perdas do que ganhos pelos desafios...Ela trabalhava numa empresa que - assim como tantas outras que zelam pelo bom funcionamento corporativo - não estimula relacionamentos entre os funcionários. Claro que não havia nenhum cartaz, placa, regimento interno ou decreto com força de lei para inibir esse tipo de prática.

No entanto, bastava a malidicência dos corredores para logo perceber-se os tipos de sentenças pronunciadas: culpados!

"- Aquela ali? É uma biscaitera menina. Saiu com todo mundo"- um "- Ah! Mas aquela promoção que saiu não foi por merecimento. Teve uma ajudinha, né? E vocês sabem de quem...- insinuou outro

E o engraçado que juízes e jurados desse "tribunal corredoral" não se davam conta, ou não queriam se dar, que passamos a maior parte do tempo no trabalho. É nesse lugar, se formos mais longe, no qual conhecemos o que há de melhor e de pior com os conviveres:manias, qualidades, imperfeições...

Dessa vez o processo em questão envolvia uma relação no mesmo setor e de hierarquias diferentes. Tudo aconteceu por acaso durante um jantar de negócios, no qual discutia-se estratégias de venda e produtos.

Ela era jovem e cheia de entusiasmo. Ele, nem tanto assim, mas fazia o gênero misterioso. Ninguém sabia seu real estado civil, a quais madames da repartição endereçava seus galanteios, enfim...Mas foi naquele jantar que os sininhos badalaram e a trilha sonora apareceu. Ela sem o uniforme de trabalho fizeram que os olhos dele pousassem sobre ela, como um predador a espreita de sua caça.

Ela estava ainda no melhor modelito "nem aí". Afinal já tinha problemas demais na área afetiva. Agia quase que como uma Sabina. Aquela personagem dos romances de páginas de papel jornal amarelada de banca de revista. Nesses romacnes a figura geométrica a se anunciar sempre tem a configuração: o mocinho que gosta da mocinha - á mocinha que se envolve com um vilão/vilã que faz tudo para atrapalhar - alguém que não tem nada haver com a estória, mas está lá.

Nenhum dos dois acreditavam que iria rolar algo além daquele jantar de negócios. Algo mais forte que pudesse prendê-los. Era apenas um entusiasmozinho passageiro. Quando "a ficha realmente caiu" para ela do que estava acontecendo mesmo, pensou: "Quem sabe umas feriazinhas de tantas brigas com o atual...". No entanto, existem os impoderáveis da vida e o que poderia ter sido uma noite na verdade transformou-se num processo tórrido e intenso de envolvimento mútuo.

Vivenciaram a coragem e os riscos de se mostrarem, como quem grita para o mundo: Eu estou aqui! E estou muito feliz! Criaram uma rotina clandestina só deles cheia de pequenos prazeres e grandes singelezas, ou seria o contrário. Vice-versa tanto faz. Mas como dizia Drummond "havia uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho havia uma pedras". E quantas...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...