segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Remetente:ao desconhecido da quadrilha drummoniana



"Mistério e melancolia de uma rua", do surrealista Giorgio de Chirico, 1914

Madrugada. Entrava e saia dos sites de internet, das salas de bate-papo...Ufa! Quanta porcaria. Os "nicks" eram sugstivamente carinhosos: gatinha gostosa, oncinha, bombadão, lobo tarado. Nada que fizesse o perfil de uma boa conversa. A não ser que a navegante estivesse desejando uma trepadinha virtual rápida.

Não! Essa não! Seria uma manobra não muito interessante: teclar, bulinar, imaginar...Quase um contorcionismo do kama sutra moderno. E daí surgiu a idéia de blogar. "Pois é! Quem sabe" - pensou. Fazer novos contatos pela net, conhecer pessoas, selecionar assuntos de acordo com o seu humor...um dia comédia, noutro cotidianidade, em outro política etudo num clicar.

Foi daí então que surgiu a ideia dela mesma criar seu blog. Não custava nada. Era só para passar o tempo, um misto de diário, livro de contos e quem sabe poesias? Enfim, ela escrevera, mas como era típico de sua personalidade, ainda era tímida, seu circulo de blogues era restrito a alguns poucos conhecidos e desconhecidos também.

Entretanto, um fato intrigante mexeu com a cabeça dessa internauta: um anônimo. Comentários vai, comentários vem. Ela ficava cada vez mais intrigada com a identidade do misterioso. De quem se tratava? Seria um homem? Uma mulher? Não, uma mulher não. Pior! Se for gay. Não! Só em pensar nas possibilidades de não poder mais fantasiar naquele anonimato a pertubava. Aquela aurea de mistério criava na bloguera um suspense a espera de seus comentários. Pensava: "Será que ele gostou? Será que ele não gostou?". Puxa e o que a excitava ainda mais era imaginar a tônica dos comentários. Seria sarcasmo, humor negro ou apenas um elogio gracioso? Ensaiava na sua mente as diferentes tônicas, qual era o ar que sua postura assumia: intelectual, Don Juan, apenas um transeunte?Ela sempre a espera: do próximo contato, na próxima postagem e se, ele assim o desejasse.

Ela escrava do mistério. Escrava do desejo, da imaginação e dos "elogios" que rasgavama alma. Ele apenas um passante com ares de mistérios.

Comments:
Anônimo do poema a Quadrilha de Drummond: obrigada pela participação e espero que não se importe com meus trocadilhos posto que adoro metáforas e os tantos nomes aos quais atribuiu-se, lembrou-me o referido poema citado.

2 comentários:

  1. Não entendo. Seria um ato falho? Você mesma é o desconhecido da quadrilha drummoniana?

    Interessante...

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  2. O que mais gosto desse universo net é essa possibilidade de enxergar o outro com a nossa imaginação. Nomes não são importantes, a cada comentário deixado, vamos descobrindo a pessoa oculta pela tela.

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Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...