domingo, 28 de fevereiro de 2010

Desejo

Passei, mas não parei.
Fui, mas não bati à porta.
Não! Não sei ao certo o que estou fazendo.
E sim, meu coração ficou lá enquanto eu estava aqui.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Para um dia especial: overdose


Ao contrário do..."Eu poderia está matando. Poderia estar roubando...." típico dos pedintes que nos intimidam na rua, hoje eu poderia estar dizendo: "Eu poderia estar chorando. Poderia estar lamentando." E por quê? Melhor pelo que? Por overdose de imaginite aguda. Eita e agora? É uma droga ou uma doença? Os dois...Nesse fim-de-semana tem aniversário, noivado e chá de bebê. Quer mais? Tudo para fazer pensar: E aí neguinha, satisfeita com as escolhas que você fez? E os sonhos que não realizou? E os caminhos que você traçou? Vai fazer o que com eles? Talvez guardá-los numa caixa como algo que de vez em quando se quer lembrar... e também esquecer. Talvez rasgál-os como projetos que não deram certos para recomeçar, refazer...do mesmo lugar ou de outro lugar? Sempre será de outro lugar, pois como já dizia o filosófo grego Heráclito de Eféso, "Ninguém passa pelo rio do Esquecimento duas vezes, pois como as águas, nós mesmos já não somos os mesmos".

Primeiro pit stop: Noivado. Faz pensar casamento. Os meus projetos de juras de amor eterno, marido, igreja, talvez filho, casinha azul de portãozinho branco, o vestido, a festa ...essa já quis que fosse com um estilo hip, depois medieval, depois underground...Mas vendo aquela família reunida, os ternos e gravatas, as fotos, os discursos de pedesse a mão para cá e para lá, o bolo , as felicitações, o jantar que, diferente do filme um casamento grego parecia bem brasileiro, um self-service de comida, de gente, de cores e sabores. Sem contar na quebra do protocolo que depois dos discursos mais pareciam um manada atrás da tigelinha de cachorro: "E que não chegue perto da comida não?

[abrindo parênteses]

Isso me fez lembrar a minha formatura e suas prévias, as quais de todas a que mais gostei foi a menos formal: uma buchada regada a cerveja para no máximo 13 pessoas. Quer mais brasileiro do que isso?
[fechando parênteses]

Na ocasião do noivado e no atropelo da mesa, senti que quase tive a mão perfurada por um garfo e fui posta para fora da fila várias vezes. Como assim Bial? O fato é que fiquei num dilema: ou parecia fresca e metida por não querer encarar o ruge da mesa por não gostar do estilo bandejão lotado, ou corria o risco de magoar os anfitriões já que a ocasião foi praticamente para família. Família das grande claro. Imagine sete filhos e cada um com suas respectivas famílias com no mínimo três filhos, netos e bisnetos? Já viu: uma manada de gente.

Mas através da manada percebi que não tinha mais quinze anos, que não via mais tanta graça em ouvir o pedido da minha mão em casamento, que não queria mariachis mexicanos fazendo serenata na ocasião do pedido e que, o bolo, a festa , já estavam um tanto desbotados. Lá nos meus sonhos. Pueris talvez. "Tristeza não tem fim, felicidade sim...". Como esses sonhos já foram sonhados, me sinto em paz nesse momento com eles. Sem tristeza, sem tudo a qualquer preço.

SALDO DA FESTA: Para um casamento dar certo é preciso uma coisa antiga, uma coisa nova, uma coisa emprestada [roubada]. Meu irmão siamês roubou as alianças comestíveis do bolo (uma coisa emprestada: "Para dá sorte pra tu" - ele disse. Quem sabe, né?Um dia a gente se vê...E ainda ganhei a outra quando fui comer o meu pedaço do bolo (uma coisa antiga ou nova? Sei lá. Não tenho muita sorte...rsss)

Falta o chá de bebê, numa passadinha rápida para fazer a social. E o aniversário? Para esse vou estar a distância desejando tudo de bom e emanando muita energia positiva. Faz parte da coisa nova também...Ai, ai! Que não pareça uma temporada de Sex in the City, por favor , onde todos decidem casar, ter filhos e ficam perguntando direta ou indiretamente: e você?Como disse no início uma verdadeira overdose de nostalgia.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quase jogada do carro


Como sempre minha vida é uma novela. Não no sentido de enrolada, e às vezes até é, mas muito mais por causa do desenrolar dos acontecimentos, dos momentos de paixão, loucura, fúria, enfim. A mais recente de trás pra frente e sendo rápida e rasteira, foi quando quase fui jogada para fora do carro. Como assim? Nada proposital, nem por maldade, mas para correr contra o tempo, como o Coelho da história de Alice no Páis das Maravilhas

Depois de passar um tempo da minha vida conhecendo o interior da Paraíba, refaço o percursso pelo interior do Rio Grande do Norte, começando por Santa Cruz do Vale do Trairí. Lugar de pessoas muito acolhedoras, com um único e principal problema: apesar de ser rota para Recife, Campina Grande, João Pessoa e Rio Grande do Norte, é fácil de entrar, quase impossível de sair. Depois das três da tarde não há transporte inter-estadual, táxi, moto para levar para lugar nenhum, pois é!

Depois de entrar em vários processos de negociação já que as pessoas simplesmente não tem vontade, não querem transitarem para fora da cidade, não faz parte da rotina desses munícipes, terminei a aula às 16:20 e um transporte alternativo às 16:30 para chegar em Natal às 18:00 horas em ponto e voltar para Campina Grande. A correria foi tanta que o senhorzinho do transporte às 18:00 em ponto pegou uma contra-mão para um ponto de apoio da empresa de transporte inter-municipal depois de uma hora e meia de estrada e antes de parar o carro ele já foi soltando o meu sinto do passageiro. Nesse momento pensei: "Será que ele vai abrir a porta do carro e me jogar?".Já me deu vontade de rir, respeitando claro, toda a boa vontade do motorista e nossa missão de interceptação do ônibus.

Coisa parecida aconteceu também na ida. Acho que estou meu especializando em ser uma agente "Nikita". Para ir e conhecer Santa Cruz tive que fazer meu amigo interceptar o ônibus que fazia o trajeto Campina-João Pessoa para de lá continuar viajando e com alguém que somente conhecia por nome e telefone. Enfim, tudo deu certo, mas é muito filme de aventura,. Entretanto, como diz o dito popular "quando a cabeça não pensa o corpo é quem padece"...Se cheguei onde cheguei, o resultado é fruto da minha passionalidade. Decidir por paixão, seja a pessoa, sonhos ... pode ter um preço alto. Cuidado com a fatura com juros. Na próxima postagem, mais da minha novelinha...rs.

E logo hoje que acordei com uma contade danada não de mandar flores ao delegado, nem de beijar o português da Padaria, como na música do Baleiro, mas de pintar o cabelo de azul, fazer uma tatuagem, por a mochila nas costas e um percing na língua...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A pessoa errada por Veríssimo

Um achado de Rose. Valeu o toque...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ai, ai! Heróis, heróis. Ruim com eles pior sem eles?


Confesso meu lance sempre foi com o Batman. Por quê? Acho que aquele clima de mistério, a máscara, sem contar a versão dele civil, Bruce. Um rapaz educado, esperto...

O Super-Homem me irritava. Parecia um bobão quando aparecia de Clark Kent, nam!

E o Homem-Aranha? Apesar dos bons filmes lançados atualmente, não sei, ele não batia. Era utópico demais. Sacrifício demais renegar a amada em nome da integridade, enfim...No frigir dos ovos tudo não deixa de ser o remake da utopia da segunda fase da literatura brasileira, onde as mulheres são inalcançáveis e os amores amados e não as pessoas.

Trocamos as torres dos castelos dos livrinhos de história e seus princípes no cavalo branco pelas torres de "Marfin" dos nososos MSNs, a espera de uma mensagem, de um contato, de um resgate virtual, mas e até quando nossas utopias conseguem ser alimentadas pela fanasia em ação com a tecnologia?

O dia-a-dia às vezes me parece tão duro, tão necessário de domir de conchinha e receber o carinho concreto de alguém, que tantas mudanças de formas de contato e intimidade me causam dúvidas quanto ao tempo que suportaremos a distância e o veneno do esquecimento...Não é Mary Jane? E agora ... "Se meus heróis morreram de overdose..."

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Já dizia Ultraje a Rigor: "Eu quero sexo!"


Esse poste faz parte da sessão penação antes do carnaval. Específicamente passar horas viajando em ônibus sujo, menino chorando e tudo que tiver direito, com exagero e tudo. Sim porque infelizmente antes de cair na gandanha tive que ver questões trabalhistas, ora, ora!

Entendiada de colocar a casa nas costas e sair por aí - sim porque esses planos eram meus na adolescência, hoje preciso um pouco mais de sombra e água fresca - aconteceu um fato inédito nesse tédio deslocante. No meio da viagem as luzes do ônibus todas apagadas e enquanto eu me entretia com os meus pensamentos galopantes escutei murmúrios. Minha audição aguçou-se ainda mais e pra mim tinha som de gemido. Hum! Específicamente gemido de mulher, do tipo abafado, clandestino... A não! Atrás de mim não! Que inveja.

Minha imaginação correu solta e aquilo tinha jeito de bulinação no escurinho. Mão aqui. Mão ali. Ai Jesus! Mas enquanto eu pensava que o negócio estava bom, entre os gemidos ouvi um..."Psiu!". Imaginei que era para não chamar atenção de quem estava no ônibus e já detestei a repressão sexual do cara, né? Mas entendi pô.

Segundos depois aquele gemido abafado deu lugar a um choro. Jesus, será que ela é daquelas mulheres que choram depois que chegam no "Paraíso"? Aquele choro seria de êxtase ou de culpa? Se de êxtase parabéns para ela porque devemos sair com toda a escola de samba quando estámos em glória de satisfação. Se de culpa, sinto por ela. Nenhuma transa deveria ser por culpa, dor ou compensação, mas ainda existe né?

Eu particulamente comecei a me sentir incomodada com essa segunda possibilidade de choro seguida claro, do segundo"-Psiu!". Pera aí, o cara num pode gemer, num pode chorar, pode alguma coisa com esse homem?

E partindo desse segundo "cale-se" a situação deixou de ser extremamente excitante e aventureira para ser frustrante e repressora: o cara ficou ao pé do ouvido, dizendo ao invéz de "segredos de liquidificador" - como ensinou em sua música o magistral Cazuza - estava tendo uma DR [Discussão de Relação].

Ou seja, se realidade não me engana e os sentidos não me privam, depois de uma bulinação alguém merece ter uma DR? A não! Puta que pariu! E daí em diante só se ouvia o sermão dele e o quase o "engula o choro". Nossa! Como o pai malvado que depois de bater obriga a vítima a engolir sua dor.

Literalmente acho que essa daí não valeu a pena. O que nós mulheres não aguentamos com medo da solidão de nós mesmas...Que pena!

Comments:

Ao anônimo:
sobre a programação do Recife antigo ter sido ótima estou de total acordo, mas quem era doida de sair sozinha em Recife na madruga para ver as atrações? Nessa turma em específico o lema era bagaceira e quem está na chuva é para se molhar. Eu é que não ia passar o dia vendo TV em casa com Escola de Samba para esperar a noite e sair por aí sozinha, nam! Nem eu estava querendo pensar, imagine a tchurma? E outra, não vejo como música eletrônica pode desmerecer um lugar ao sol. Tem muita coisa ruim e boa em tudo que é lugar. E por sinal, o DJ da tenda era um chileno que me fez esbaldar de dançar e sem precisar tomar uma gota de álcool. Ponto. Cada coisa ao seu tempo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Me perdendo e me encontrando


Soluções Tabajara:
se a cordinha da descarga arrebentou usa um Cabo PS2 de computador ora!
Seja criativo como na pousada que estava.


Ok! Quem convive sabe. Não sou muito chegada a folia, mas gosto de ver. E sinceramente não estava "nadíssima" preparada nesse carnaval para ficar no deserto da cidade meditando, então, fui para onde o povo quisesse me levar. Ou seja, fui, Maria vai com as outras. Tudo bem meu projeto era música em Guaramiranga/CE, porém os custos são altos e por enquanto nada acessíveis a minha condição de trabalhadora.

Com ajuda então de alguns poucos copos de lúpulos de gosto não tão atraente, mas eficaz em suas propriedades relaxantes e desinibidoras, fui para o circuito Olinda/Recife. Claro que a vivência de Big Brother Brasil quando se está em grandes grupos é inevitável. Compacto dos pontos altos e baixo:

:( Enquanto todos brincavam, passei o domingo à tarde de molho, dormindo, com os pés inchados por causa da folia do Galo. Gente é lindo. As fantasias, a criatividade...mas é muita gente junta: é a visão do inferno. Como marinheira de primeira viagem no Galo, peguei de ganhata no navio quatro brigas e como resultado do arrastão do trio de Joelma do banda Calypso [é assim que se escreve?] duas coronhadas que sobraram pra mim e quase fui parar dentro do mangue de Recife no muvucão. Jesus acenda a luz. Ainda bem que tinham dois cavalheiros/anjos/amigos e tudo mais que apanharam por mim e evitaram a minha desgraça. Tudo bem passou, passou. Era carnaval.

:) Resultado de uma tarde de domingo de sono é uma noite sem sono. Ainda bem que encontrei alguém que fosse comigo para tenda eletrônica no Recife antigo. Dançar e cansar. Geeeente ri demais: lá encontrei uma cobra epiléptica canibal. O que é isso? Uma versão Vera Verão Ariana que se contorcia com a música. Me queimou com cigarro e daí me pediu desculpa me mordendo no cutuvelo. Que é isso? Ri demais.

:) Segunda-feira ladeira de Olinda. Acenda de novo a luz Jesus, apesar de profanar meu corpo com mais lúpulos, mas só assim para encarar a muvuca e achar tudo lindo. Voto unânime subir para os quatro cantos pela rua colorida. Minha fantasia improvisada para entrar no clima: bala [rápida prática e leve]. Na rua colorida quase fico sem um dos meus peitos. As meninas estão aprendendo com os meninos umas abordagens muito agressivas, nam! Olhei para Morango 1 e disse que até deixava-a levar o bombom, mas que deixasse o peito por que eu ainda os queria. Jesus! Morango 2 deu uma pegada no meu pulso e ficou me chamando de colírio. Gente existe uma G Magazine feminina?Acho que eu bombom hem? Ganharia uma graninha. Depois do vuco me escondo numa parede e fico vendo as troças passarem. Chegaaaaaaaa por aquele dia. No vuco-vuco uma menina diz com outra: "minha filha num ande não pra você vê se não morre. "E olha que o lema era o carnaval por uma cultura de paz. Imaginem se não fosse?

[abrindo parênteses]
Não sei se é efeito BBB, mas achei as Moranguinhos saindo mais da toca, se mostrando, o que é legal. O que é também resultado Globo querendo fazer um triângulo ibope novo entre Morango-Cacau- Eliéser. Vi até nas ladeiras uma simulação de duas garotas beijando o mesmo cara como numa "suingueira". Tendo cabeça quase muito aberta entendo. Porém vida e ficção a todo tempo nem sempre se misturam. E é engraçado ver Bial falar em "bichices", mas queria ver se nós- e daí me incluo- se falássemos isso não seríamos chamados de homofóbicos.Criticar a homofobia declarada de Dourado é fácil. Difícil é viver tentando transitar entre a barreira do engraçado/homofóbico/preconceituoso? Os "politicamentes corretos" não sabem mais o que dizer, nem o que fazer.

[fecha parênteses]

:)Terça-feira: "tapa na cara". Não literal, mas emocional. Grupo grande. Eu na minha eterna mania de achar que todos os homens são idiotas, previsíveis, escutei uma que foi uma lição de vida no pouco tempo que tive para conversar em pleno carnaval, afinal a galera está para se divertir, não é?

"Mary Jane não precisa ser sempre armada, nem todas as pessoas serão desonestas e querem magoar, tirar proveito. Deixe as coisas acontecerem e que percebam que você mesmo forte e independente tem um "Q" de romantismo infantil que também é lindo...Deixe que lhe protejam. Nem sempre as pessoas irão lhe machucar"
.

Eita! Desarmou geral. Nem respondei. Lições de vida hem?Em pleno carnaval. Obrigada Deus por fazer com que descubra que ainda existem coisas boas que me surpreendem para o lado bom da vida.

:)Quarta-feira de cinza: CASA! Obrigadooooo. Logo cedo de pé. Fomos na rodo e a Progresso estava cobrando o dobro da passagem, não aceitando cartão e disponibilizando ônibus somente para noite. Sorte! Fizemos uma "vaquinha" e ainda pegamos o último ônibus da manhã. Só faltei beijar o solo "brasileiro". Ainda bem que na chegada a fiscalização bateu encima da empresa e tomara que role multa.

SALDO DO FERIADÃO: parafraseando a poeta portuguesa Florbela Espanca "que eu saiba me perder para poder me encontrar". Ainda bem que é somente uma vez no ano, kkkkk. Histórias pra contar, ora bolas.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Na cabeceira


Quando ele chegou em casa depois do trabalho havia na cabeceira da cama um bilhete. Ele não sabia ao certo se era um bilhete ou uma carta. A meia luz do fim da tarde entrava pela janela enquanto o torpor do cansaço de um dia de trabalho tomava conta do seu corpo. Não sabia ao certo se queria ou não ler aquilo...Seria bom, seria ruim...jamais saberia se não lê-se. Mas e o cansaço? E se piorasse? Mas e se trouxesse ânimo? A antiga e velha esperança? Ou seria curiosidade? Não dava para esperar para amanhã. Ele tinha pressa. O coração dele tinha pressa, apesar de tão cansado.

Estava escrito:

Oi,

Me desculpe. Não quis me despedir de você. Preferi deixar um bilhete. Não é a melhor maneira, no entanto, acho que assim talvez doa menos. Parto hoje. Não há nada mais meu com você. Sei que deve estar sendo difícil para você, mas acredite: para mim também não é fácil. Precisamos recomeçar uma nova vida. E apesar de tantas idas e vindas, se é que eu posso chamar de idas e vindas. Ás vezes sinto que não há verdade suficiente entre nós...Coragem suficiente entre nós. Coragem de enxergamos um no outro não só o lado lindo e maravilhoso que sei que um dia percebemos em nós mesmos, mas coragem também para amar os defeitos porque é desse par que se faz o dia-a-dia. Sinceramente não sei se voltarei. Apenas sei hoje que parto. Parto com o coração mais leve em saber que fiz o que pude. Que talvez tenhamos feito o que pudemos e só o tempo vai dizer quais coordenadas tomaram nossas vidas. Se nossas latitudes e longitudes,um dia - que a cada segundo que se passa para mim parece mais longe - se encontrarem, não será por causa da tristeza sem fim, por um porre, pelo alívio da dor que carrego no peito por não ter sido como no meu sonho ou fuga para o prazer instântaneo. Será somente nós: eu e você. Nus e crus. Fique bem.

Ele ficou ali parado, lendo e relendo. Nem todas as singelezas são capazes de apagar o peso das violência e das perdas mútuas numa relação. Talvez aliviá-las.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Utopias


"Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã." Victor Hugo

Pensei em começar essa postagem com esse pensamento, traduzido de tantas outras formas por outros grandes nomes, porque infelizmente ainda sou das utopias. Um pouquinho menos hoje, um tantão mais ontem... Mais de falar do que de fazer. Um pouquinho menos hoje, um tantão mais ontem...

E acho que não tem nada haver com a idade e o tal amadurecimento. Acho que tem haver um pouco com a desesperança que me abate de vez em quando e quase sempre. Já levei muita cacetada por acreditar e querer justiça. Luto um pouquinho menos hoje e um tantão mais ontem. Sequelada das guerras que já travei, listar um monte de coisa que já fiz parece auto-promoção, o que nem de longe parece comigo porque sou dos bastidores, mas provocada pelos comentários do meu último poste mais social - afinal decidi que esse blog seria deliberadamente meu projeto de (re)alienação. Consciente que esse processo não é fácil e que o caminho que tomei foi sem volta: pensou fudeu...

* Fiz parte de Centro Acadêmico;

* Militância Política;

* Movimento Social;

* Fazia parte de um grupo anarco-comuno-no-seu-o que que escrevia um Zine e eu dizia: "-Fui merma que escrevi...e daí? Daí?"

E isso enquanto estudante e profissional. Em todos esses espaços é preciso ter a cabeça fria e estratégica: "Os fins justificativa os meios...". Não é o meu lance. Ampute a perna e tenha a cabeça. Nossa! Não dá.

Hoje fiz sacrifício por "amor". Recebo um muito obrigado quando socorro alguém que tem um ataque epiléptico quando eu estava passeando na ciclovia. Falo sobre direitos e cidadania quando estou trabalhando com alunos, tento pô-los para pensar e muitos ficam com raiva até de mim porque acha que proclamei o Armagedon. Contribuo financeiramente com a educação dos que querem estudar: com grana, livros...E não precisam ser muito chegados e fazer parte de programas sociais. Basta que eu saiba e desenrolo. Recebo aquele muito obrigado quando faço diferença na vida de alguém, mesmo que para mim seja trabalho, obrigação, mas para quem consegue é alívio, solução, uma porta.

Pouco é verdade, mas é o que posso fazer só e sendo menos tola do que já fui um dia. O mundo para mudar não precisa só de mim, mas de todos. Um país precisa muito mais de esperança e força do que símbolos. Portanto, eu, não quero ser símbolo de nada. Apenas não dá para ficar passeando por aí e fingir sempre que nada acontece lá fora. Também faço parte da engrenagem, obedeço regras e uso máscaras, mas não quero que essa, a da indiferença, se incruste em mim. Faço só, sem promoção, pra quem for.

Ai, ai, utopias, utopias...Tolices eu sei. Quem se ferra sou eu mesmo: a parte de fora do jogo. A que está no sistema fora do ar...

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Eduardo Galeano



Que pena! Empate: uma coisa boa, uma coisa ruim


Discutindo mais um momento crítico de nossas vidas com minha amiga reproduzi uma frase que ouvi:

'' - O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos ... '' - eu tomando emprestado de (Lao-Tsé). E ela:

"- Ai amiga! Será que estamos lascadas por causa da transposição do Rio São Francisco?"

Do outro lado da sala da injustiça o Fantástico notícia a morte com duas balas na cabeça por engano de um estudante de biomedicina da UFPE, se não me engano.

Prestes a se formar esse ano , filho de uma catadora de lixo, as lágrimas me vieram aos olhos sim e mesmo não querendo me importar com o mundo lá fora me pergunto: E como vamos conseguir reparar tanta injustiça social? Ele supostamente não fez o caminho: estudando? Não vale o sacrifício de uma família inteira? Não vale as faltas de oportunidades, as privações? O que vale então?


Vale menos tênis de marca, menos carro importado e gente sonhando em passar por cima do outro ou sair do nem aí para o tudo aí para quem está assim, desgarrado no mundo, tentando sobreviver...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O que é pior infidelidade ou deslealdade?


Num sei se já postei sobre isso, mas estou afim de falar disso então...vamos cair dentro...

A muito tempo achava que aceitar a infidelidade era literalmente foda. Por quê? Porque ouvimos desde criança que devemos estar juntos ao outro "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até que a morte nos separe"... mesmo que hipocritamente -afinal "o que olhos não veem o coração não sente".

E acho que isso vale não só para casamento, mas pra namoro no chamado pacto silencioso, no qual os enamorados veladamente tentam e cobram a fidelidade um a outro. Sem contar as amizades, as relações familiares...Quem nunca ouviu falar ao menos de alguém:" você me traiu?". Daí começam as fronteiras limítrofes entre infidelidade e deslealdade.

Com o tempo, não tenho certeza, porque sou um ser humano do tipo passional, seria capaz de perdoar uma infidelidade, mas não uma deslealdade. E que diabos entendo por deslealdade? Não vou recorrer a definições no dicionário. Meu dicionário vai ser meu emocional, meu imaginário, enfim, o meu simbolismo, minha subjetividade.

Ser desleal é não estar ao lado do outro quando esse outro precisa. É ser omisso. É ser narciso e olhar somente para si. Exemplo: é ver alguém que você diz que ama e que, portanto, seria importante e ao invés de estar ao lado da pessoa num momento crucial , simplesmente pega seu carrinho importado e vai, sei lá, para a musculação. Por favor, me poupe! Isso é se importar. Mas como boa passional que sou como irmã, amiga, colega, companheira, sou para torar, ou seja, para pedra, pau, o que vier. Sendo assim quando sinto que não é recíproco a decepção é mortal. E nesses casos a única solução é cortar esse tipo de gente da lista. Afinal como saberia os momentos conveniente pra confiar nessa ou naquela pessoa? Momentos futéis versus cruciais?

Parafraseando o que minha amiga leu numa revista sobre análises do comportamento, traços narcisista são um dos piores, visto que tais pessoas seriam incapazes de procurar ajuda psicoterápica, refletir sobre suas limitações relacionais, incapazes de se colocar no lugar do outro, de reconhecer quando o outro faz algo por você porque gosta, se importa, enfim, são pessoas incapazes de ser gente feito gente porque até bichinho consegue ser mais leal.

Então, o Narciso só consegue ser leal a si mesmo, ao seu próprio reflexo no espelho e que esses desleais não morram afogados no rio, como na lenda de Narciso, afogado no reflexo de sua tão grandiosa beleza e solidão.

Merda que nessa sociedade -onde ninguém tá nem aí pra tudo aí e muito menos pra ninguém - ainda não aprendi ser desleal, egoísta, fazer o que? Tenho esse defeito horrível.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Para desânimo, afago


Recebida com flores na entrada.
Uma das minhas preferidas: Roseira paulista

Hoje acordei um tanto desanimada. São tantas as pendências de trabalho para por em ordem por causa da minha viagem brusca, rumo ao novo e a esperança...Sendo que pendências não são o meu forte. Principalmente porque implica em desconhecidos que muitas vezes me assustam.Sou humana uai!

Mas foi tão bom chegar me sentindo um estranha no ninho no trampo – sim porque para sobreviver hoje temos que ter mais de um trabalho – e me sentir acolhida.

“- Ah! Que bom você por aqui. Não nos deixe não viu?...” – pessoas do trampo um

"- Sentimos sua falta viu? - outras tantas pessoas e abraços.

A essas pessoas meu muito obrigada.

Com os milhões de abraços fortes, no qual a gente sente a energia de que amado, penso que minha vida está valendo a pena. E que meu trabalho está sendo bom. De quebra, ainda ganhei presentes do trampo dois via sedex: dois livros “A Cabana” e “E a Menina que Roubava livros”. Especificamente de uma aluna de odontologia, uma pessoa linda, meiga, de muita força e coragem. Me sinto lisonjeada duas vezes: pelos presentes e pela presenteadora.
Paraafraseando Jorges Fobes a lembrancinha tem o poder de unir passado, presente e futuro. Você diz ao outro que você a conhece e que naquele momento deseja algo simbolizado pelo presente, fazendo um laço dos votos desejadoas ao presenteado para o futuro. Meu muito obrigada a essa aluna e pelos afagos que casaram bem com essa mensagem...

A vida
Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade. Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. Aí sim, a vida de verdade começaria. Por fim, cheguei à conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade. Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.

A felicidade é o caminho!
Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
Até que você volte para a faculdade;
até que você perca 5 quilos;
até que você ganhe 5 quilos;
até que você tenha tido filhos;
até que seus filhos tenham saído de casa;
até que você se case;
até que você se divorcie;
até sexta à noite;
até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
até o próximo verão, outono, inverno;
até que você esteja aposentado;
até que a sua música toque;
até que você tenha terminado seu drink;
até que você esteja sóbrio de novo;
até que você morra;
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO...
LEMBRE-SE:
FELICIDADE É UMA VIAGEM, NÃO UM DESTINO".

Henfil