sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Já dizia Ultraje a Rigor: "Eu quero sexo!"


Esse poste faz parte da sessão penação antes do carnaval. Específicamente passar horas viajando em ônibus sujo, menino chorando e tudo que tiver direito, com exagero e tudo. Sim porque infelizmente antes de cair na gandanha tive que ver questões trabalhistas, ora, ora!

Entendiada de colocar a casa nas costas e sair por aí - sim porque esses planos eram meus na adolescência, hoje preciso um pouco mais de sombra e água fresca - aconteceu um fato inédito nesse tédio deslocante. No meio da viagem as luzes do ônibus todas apagadas e enquanto eu me entretia com os meus pensamentos galopantes escutei murmúrios. Minha audição aguçou-se ainda mais e pra mim tinha som de gemido. Hum! Específicamente gemido de mulher, do tipo abafado, clandestino... A não! Atrás de mim não! Que inveja.

Minha imaginação correu solta e aquilo tinha jeito de bulinação no escurinho. Mão aqui. Mão ali. Ai Jesus! Mas enquanto eu pensava que o negócio estava bom, entre os gemidos ouvi um..."Psiu!". Imaginei que era para não chamar atenção de quem estava no ônibus e já detestei a repressão sexual do cara, né? Mas entendi pô.

Segundos depois aquele gemido abafado deu lugar a um choro. Jesus, será que ela é daquelas mulheres que choram depois que chegam no "Paraíso"? Aquele choro seria de êxtase ou de culpa? Se de êxtase parabéns para ela porque devemos sair com toda a escola de samba quando estámos em glória de satisfação. Se de culpa, sinto por ela. Nenhuma transa deveria ser por culpa, dor ou compensação, mas ainda existe né?

Eu particulamente comecei a me sentir incomodada com essa segunda possibilidade de choro seguida claro, do segundo"-Psiu!". Pera aí, o cara num pode gemer, num pode chorar, pode alguma coisa com esse homem?

E partindo desse segundo "cale-se" a situação deixou de ser extremamente excitante e aventureira para ser frustrante e repressora: o cara ficou ao pé do ouvido, dizendo ao invéz de "segredos de liquidificador" - como ensinou em sua música o magistral Cazuza - estava tendo uma DR [Discussão de Relação].

Ou seja, se realidade não me engana e os sentidos não me privam, depois de uma bulinação alguém merece ter uma DR? A não! Puta que pariu! E daí em diante só se ouvia o sermão dele e o quase o "engula o choro". Nossa! Como o pai malvado que depois de bater obriga a vítima a engolir sua dor.

Literalmente acho que essa daí não valeu a pena. O que nós mulheres não aguentamos com medo da solidão de nós mesmas...Que pena!

Comments:

Ao anônimo:
sobre a programação do Recife antigo ter sido ótima estou de total acordo, mas quem era doida de sair sozinha em Recife na madruga para ver as atrações? Nessa turma em específico o lema era bagaceira e quem está na chuva é para se molhar. Eu é que não ia passar o dia vendo TV em casa com Escola de Samba para esperar a noite e sair por aí sozinha, nam! Nem eu estava querendo pensar, imagine a tchurma? E outra, não vejo como música eletrônica pode desmerecer um lugar ao sol. Tem muita coisa ruim e boa em tudo que é lugar. E por sinal, o DJ da tenda era um chileno que me fez esbaldar de dançar e sem precisar tomar uma gota de álcool. Ponto. Cada coisa ao seu tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...