sábado, 27 de fevereiro de 2010

Para um dia especial: overdose


Ao contrário do..."Eu poderia está matando. Poderia estar roubando...." típico dos pedintes que nos intimidam na rua, hoje eu poderia estar dizendo: "Eu poderia estar chorando. Poderia estar lamentando." E por quê? Melhor pelo que? Por overdose de imaginite aguda. Eita e agora? É uma droga ou uma doença? Os dois...Nesse fim-de-semana tem aniversário, noivado e chá de bebê. Quer mais? Tudo para fazer pensar: E aí neguinha, satisfeita com as escolhas que você fez? E os sonhos que não realizou? E os caminhos que você traçou? Vai fazer o que com eles? Talvez guardá-los numa caixa como algo que de vez em quando se quer lembrar... e também esquecer. Talvez rasgál-os como projetos que não deram certos para recomeçar, refazer...do mesmo lugar ou de outro lugar? Sempre será de outro lugar, pois como já dizia o filosófo grego Heráclito de Eféso, "Ninguém passa pelo rio do Esquecimento duas vezes, pois como as águas, nós mesmos já não somos os mesmos".

Primeiro pit stop: Noivado. Faz pensar casamento. Os meus projetos de juras de amor eterno, marido, igreja, talvez filho, casinha azul de portãozinho branco, o vestido, a festa ...essa já quis que fosse com um estilo hip, depois medieval, depois underground...Mas vendo aquela família reunida, os ternos e gravatas, as fotos, os discursos de pedesse a mão para cá e para lá, o bolo , as felicitações, o jantar que, diferente do filme um casamento grego parecia bem brasileiro, um self-service de comida, de gente, de cores e sabores. Sem contar na quebra do protocolo que depois dos discursos mais pareciam um manada atrás da tigelinha de cachorro: "E que não chegue perto da comida não?

[abrindo parênteses]

Isso me fez lembrar a minha formatura e suas prévias, as quais de todas a que mais gostei foi a menos formal: uma buchada regada a cerveja para no máximo 13 pessoas. Quer mais brasileiro do que isso?
[fechando parênteses]

Na ocasião do noivado e no atropelo da mesa, senti que quase tive a mão perfurada por um garfo e fui posta para fora da fila várias vezes. Como assim Bial? O fato é que fiquei num dilema: ou parecia fresca e metida por não querer encarar o ruge da mesa por não gostar do estilo bandejão lotado, ou corria o risco de magoar os anfitriões já que a ocasião foi praticamente para família. Família das grande claro. Imagine sete filhos e cada um com suas respectivas famílias com no mínimo três filhos, netos e bisnetos? Já viu: uma manada de gente.

Mas através da manada percebi que não tinha mais quinze anos, que não via mais tanta graça em ouvir o pedido da minha mão em casamento, que não queria mariachis mexicanos fazendo serenata na ocasião do pedido e que, o bolo, a festa , já estavam um tanto desbotados. Lá nos meus sonhos. Pueris talvez. "Tristeza não tem fim, felicidade sim...". Como esses sonhos já foram sonhados, me sinto em paz nesse momento com eles. Sem tristeza, sem tudo a qualquer preço.

SALDO DA FESTA: Para um casamento dar certo é preciso uma coisa antiga, uma coisa nova, uma coisa emprestada [roubada]. Meu irmão siamês roubou as alianças comestíveis do bolo (uma coisa emprestada: "Para dá sorte pra tu" - ele disse. Quem sabe, né?Um dia a gente se vê...E ainda ganhei a outra quando fui comer o meu pedaço do bolo (uma coisa antiga ou nova? Sei lá. Não tenho muita sorte...rsss)

Falta o chá de bebê, numa passadinha rápida para fazer a social. E o aniversário? Para esse vou estar a distância desejando tudo de bom e emanando muita energia positiva. Faz parte da coisa nova também...Ai, ai! Que não pareça uma temporada de Sex in the City, por favor , onde todos decidem casar, ter filhos e ficam perguntando direta ou indiretamente: e você?Como disse no início uma verdadeira overdose de nostalgia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...