segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Utopias


"Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã." Victor Hugo

Pensei em começar essa postagem com esse pensamento, traduzido de tantas outras formas por outros grandes nomes, porque infelizmente ainda sou das utopias. Um pouquinho menos hoje, um tantão mais ontem... Mais de falar do que de fazer. Um pouquinho menos hoje, um tantão mais ontem...

E acho que não tem nada haver com a idade e o tal amadurecimento. Acho que tem haver um pouco com a desesperança que me abate de vez em quando e quase sempre. Já levei muita cacetada por acreditar e querer justiça. Luto um pouquinho menos hoje e um tantão mais ontem. Sequelada das guerras que já travei, listar um monte de coisa que já fiz parece auto-promoção, o que nem de longe parece comigo porque sou dos bastidores, mas provocada pelos comentários do meu último poste mais social - afinal decidi que esse blog seria deliberadamente meu projeto de (re)alienação. Consciente que esse processo não é fácil e que o caminho que tomei foi sem volta: pensou fudeu...

* Fiz parte de Centro Acadêmico;

* Militância Política;

* Movimento Social;

* Fazia parte de um grupo anarco-comuno-no-seu-o que que escrevia um Zine e eu dizia: "-Fui merma que escrevi...e daí? Daí?"

E isso enquanto estudante e profissional. Em todos esses espaços é preciso ter a cabeça fria e estratégica: "Os fins justificativa os meios...". Não é o meu lance. Ampute a perna e tenha a cabeça. Nossa! Não dá.

Hoje fiz sacrifício por "amor". Recebo um muito obrigado quando socorro alguém que tem um ataque epiléptico quando eu estava passeando na ciclovia. Falo sobre direitos e cidadania quando estou trabalhando com alunos, tento pô-los para pensar e muitos ficam com raiva até de mim porque acha que proclamei o Armagedon. Contribuo financeiramente com a educação dos que querem estudar: com grana, livros...E não precisam ser muito chegados e fazer parte de programas sociais. Basta que eu saiba e desenrolo. Recebo aquele muito obrigado quando faço diferença na vida de alguém, mesmo que para mim seja trabalho, obrigação, mas para quem consegue é alívio, solução, uma porta.

Pouco é verdade, mas é o que posso fazer só e sendo menos tola do que já fui um dia. O mundo para mudar não precisa só de mim, mas de todos. Um país precisa muito mais de esperança e força do que símbolos. Portanto, eu, não quero ser símbolo de nada. Apenas não dá para ficar passeando por aí e fingir sempre que nada acontece lá fora. Também faço parte da engrenagem, obedeço regras e uso máscaras, mas não quero que essa, a da indiferença, se incruste em mim. Faço só, sem promoção, pra quem for.

Ai, ai, utopias, utopias...Tolices eu sei. Quem se ferra sou eu mesmo: a parte de fora do jogo. A que está no sistema fora do ar...

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Eduardo Galeano



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