quarta-feira, 3 de março de 2010

Coisas que eu NÃO SEI

Ao contrário da música da Dani Carlos, "Coisas que eu sei...", tem coisas que definitivamente eu não sei. Ou porque não entendi, ou porque não tenho certeza. Uma delas é que quase nunca entendo as piadas de duplo sentido com conotação sexual. Sempre fico boiando... Tico e Teco não se comunicam. Às vezes pareço uma ingênua tola, mas definitivamente tenho uma outra teoria: bloqueio. Por mais independente que pareça e em alguma medida sou, venho de uma criação vitoriana, pudica, portanto, treinada para não entender esse tipo de comunicação. No máximo deveria achar "abominável, amoral", mas como "cu e gosto", cada um tem o seu, então...Tento ser flexível diante da diversidade.

Bem, o causo é que estava chateando pela internet, procurando figuras da figura da Mônica para recepcionar as crianças junto com as quais trabalho, quando cliquei desavisadamente na tirinha, abaixo, na qual a Mônica faz uma "chupetinha" no Cascão e ao final, os dois riem do Cebolinha porque o pênis dele era uma "ceborrinha", míudo. Não sei se foi a surpresa, o susto, a tensão pelo local de trabalho...enfim, tive que ler e pensar na tirinha pelo menos umas quatro vezes. Eu não entendia. Via quadro a quadro e não entendia. E depois que entendi, me perguntei: é para ter graça? Estaria sendo moralista em achar que quadrinhos infantis e pornografia pode ter relação com pedofilia? Sei lá...Coisas que EU NÃO SEI.



A segunda coisa que eu também não sei é sobre os trotes universitários. Claro, que sou totalmente contra os trotes violentos, mas proibir, como já vi em algumas instituições enquanto medida preventiva, seria realmente necessário? Até porque esse é um, como tantos outros rituais de passagem - assim como ano novo, casamento, quinze anos - que os calouros e até alguns pais se orgulham porque é uma forma de estampar para todos uma conquista. Por isso se raspa a cabeça, a sobrancelha...Não basta apenas acontecer, é preciso mostrar os sinais da vitória, como quem venceu uma guerra. E o vestibular não deixa de ser, né? Eu não lembro se passei pelo trote. Acredito que não. Mas quando na graduação fiz parte da organização dos chamados trotes solidários ou algo como uma recepção de boas vindas a galera parecia gostar. Naquela época não pensava muito nesses termos de acolhida, porque era um tanto rebelde, então, participava da organização porque era uma tarefa coletiva e tal. Vendo, no entanto, outros passando pelos trotes e rindo, percebo que é bom se sentir acolhido, principalmente, quando você vai para um lugar estranho. Uma nova fase de medos, de incertezas e de expectativas. O trote deve ser abolido? Sinceramente, continuo não sabendo...

O terceiro e último NÃO SEI, tem haver com a "veracidade" do dito popular "meu santo não bateu", quando de cara a gente não gosta de outra pessoa que acaba de conhecer ou não conhece bem. Isso aconteceu comigo no ensino médio em relação a uma garota que achava espalhafatosa. Eu, tímida anti-social do tipo "não gosto de você, portanto, nem olhe para mim" e ela, a garota que queria ser popular e berrava pelos corredores. Enfim, não lembro se teve algo mais, no entanto, a reencontrei no ambiente de trabalho...Já viu quando ela disse que achava que me conhecia e fui puxando a ficha do meu HD cerebral, imediatamente pensei: "Que merda! Já comecei me fudendo". O que me salvou é que ela não lembrava bem da onde me reconhecia , afinal a primeira impressão é a que fica? E pelo papo que acabei batendo com ela enquanto voltávamos para casa, me assustei com a semelhança que tínhamos em relação a algumas vivências pessoais e pontos de vista. Gente! Ou ela mudou muito, ou me enganei no meu julgamento, ou nós mudamos muito...Ou seja, coisas que eu também NÃO SEI. E nem quero saber muito. Deixa a vida rolar que nela quero me arremessar de cabeça, mesmo sabendo que não tem rede na queda livre.








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