sábado, 20 de março de 2010

Constrangimentos (parte II)


Pensei que depois da última postagem sobre constrangimentos, não teria que fazer uma outra nem tão cedo. No entanto, infelizmente, ao invés de seguir a filosofia do profeta Gentileza: -"Gentileza gera gentileza"- recebi um coice e retribui-o em dobro. E ainda bem que tive um momento de discernimento, dentro da minha loucura , e não o tripliquei, porque no terceiro segurei a onda e depois de um tempo saí a francesa. Isso se deu à noite enquanto esquentávamos os tabores em casa mesmo para o aniversário de mami que queria sair para dançar. Sua grande paixão. E eu ainda na esperança que ela desistisse porque o lugar não tinha nada a ver com ninguém apenas com ela, então, rolou um sacrifício coletivo para vê-la feliz. Mas o sacrifício não deve ter cara de sacrifício, afinal se faz porque quer e há tantas coisas na vida com as quais fazemos do limão uma limonada, não é mesmo?

Sendo que igualmente ao dia do último constrangimento, foi um dia difícil. Depois de uma semana de trabalho intenso, à tarde discuti o quanto me sentia "roubada" pela vida: minha infância, minha ingenuidade, minha fé, minha esperança. meus sonhos...e apesar de ter chorado foi bom porque estava me sentido magoada, como se algo estivesse trancado no meu peito, e aí depois do choro o alívio.

Quem me conhece sabe que não me importo se estou num restaurante cinco estrelas ou se estou num boteco, se for bem atendida, tá ótimo...Sendo que ao chegar no dance para realizar o dia de "princesa de mainha", o cara ao anunciar o valor do ingresso na portaria percebeu o espanto de todos nós até porque o "show" não valia o preço cobrado e era quatro vezes mais caro do que normalmente é. Então perguntei ao cara se ele tinha estudante e disse que não - contrariando os direitos do consumidor que os estudantes tanto batalhão com as casas de show - daí um segurança que nem foi chamado na conversa se intrometeu e disse: "- Para essa cobre o dobro". Gente me subiu um fogo e eu me senti "roubada"[enquete do desabafo e do choro à tarde] e ofendida enquanto mulher. Por que de todos que haviam "chiado" eu fui a única a ser repreendida? Por que mulher, tem que ser lady e ficar calada? Ou era porque percebi que ali era um lugar onde frequentava muitas profissionais do sexo e ele me tratou com mais uma? Mas e daí? Respeito é bom e todo mundo gosta, inclusive as profissionais do sexo. Minha filha, isso para alguém de veia feminista é um murro na cara.

Se não fosse o aniversário da minha mãe eu não teria nem entrando, que ao contrário dela, já tinha emburacado, então, não quis ser estraga prazeres, mas ficar engasgada com um machão estranho? Isso nem pensar. Puta que pariu para ele! Nem dei atenção aos dois metros de músculo dele. Limpei o chão com ele, dizendo que ele tinha quer ser no mínimo melhor treinado para trabalhar com o público ou quem sabe alfabetizado.

Gente ele me ofendeu como mulher e eu hierarquizei as relações. Revidei no mesmo nível e no mais baixo, na síndrome do pequeno poder, do tipo: "Eu sou melhor do que você". E quem é melhor do que alguém?

Quando entrei e o sangue esfriou me senti uma merda porque nunca usei "títulos para me impor" a ninguém e quis ir embora. Estava topando qualquer desculpa: dor-de-cabeça, esquecer a carteira... Fiz uma horinha para minha mãe não perceber e nesse meio tempo uma colega/amiga decidiu dar uma de super-sincera e nem levou em consideração o comportamento do cara apenas o meu e me colocou na berlinda das verdades absolutas, aquelas que abandonei desde que comecei a trabalhar com gente e perceber que cada cabeça é um mundo...

"-Você chegou fechando e se eu fosse ele teria feito o mesmo [pausa: Fechando como? Mostrando a carteira de estudante e exigindo que o estabelecimento respeite o direito da meia-entrada?] Você escolheu estar aqui, assim como a gente, então, temos que suportar sim. Foi escolha sua também, por causa da sua mãe, mas foi.

Bem, isso é o que me lembro e do meu jeito porque a memória é uma ilha de edição e o tom que ela usou comigo era de inimiga. Como ela era minha/nossa convidada me calei, mas passei à noite sem conseguir olhar para cara dela. Detratá-la como minha convidada, criar um climão no aniversário da minha mãe, não faz meu estillo. Não levei a discussão adiante. Tempo depois fui para o cantinho chorei e percebi que talvez ela somente sirva para ser uma colega porque não preciso de "amigos donos de verdades absolutas". Sinceros sim. Donos da verdade, nunca! Ela tinha todo o direito de omitir a opinião dela ao meu respeito, não tinha o direito de me detratar [assumindo as dores de um desconhecido] e muito menos na frente de nossos amigos. Enfim, salva-se um, perde-se um.

[abre parênteses] Em relação ao último constragimento que passei preciso registrar que a garota mandou um e-mail se retratando, pedindo desculpas a mim e a minha família. Ela foi muito mulher para fazer isso. E eu respondi com toda cordialidade que não precisávamos nos amarmos, mas manter o respeito recíproco em nome das pessoas com as quais convivemos e que comumente gostamos. [fecha parênteses]

2 comentários:

  1. parece-me que você tem muita dó de si mesma...só lamento q enquanto vc procura desculpas, a vida passa...sem contar que ela não rouba nada de ninguém...ela só dá, e as vezes isso não é nem bom nem ruim, só é.

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  2. Pois é, concordo com sua ação de não deixar ser desrespeitada pelo um segurança.
    Também não acho que você tem dó de si mesma... convivo e sei como é sua jornada.

    Mas a do segurança é demais para uma pessoa que já tem uma rotina pesada como a sua. Tudo bem que foi uma escolha de sua mãe e até então sua e dos convidado estár lá, mas não cabe ao segurança tratar alguém de forma grotesta e bruta.

    Beijos!

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