segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher? Hem?


Pois é. Sou nova nessa carreira: a de ser mulher ora! Apesar de quase trinta e do standarte com o lema balzacciana feliz sim, casada e amargurada nunca, eu ainda sou nova nessa carreira. Por quê? Porque por longo tempo parecia um menino, vestindo bermudas e chinelos. Inclusive descobri com uma colega de faculdade e afins que pensavam que eu era suja. E sei o porquê. Porque sem prova de odores e marcas de grude, eu não era vaidosa. Estou tentando aprender a SER MULHER agora. Me parece que uma das regras do manual feminino é a vaidade.

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Mas não fiquem esperando uma super "digievolução" porque ainda acredito mais no conteúdo do que na embalagem. Eu não quero ser Barbie alguma coisa. Vaidade terá que ser como bebida: com moderação. Afinal para mim é difícil se virar nos trinta, trabalhando com afinco e seriedade, estudando e ainda sendo madame no final de semana. Ainda preciso de muitos acessórios para chegar nesse nível do game, mas não quero perder algumas "essências".
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Meu estilo depois dessa temporada já foi mais esportista, hippe, grunge, metaleira porque adoro conforto. Enfim uma combinação de interferência na auto-estima [sou gordinha tímida] e a cruzada feminista contra a mulher objeto.

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Claro que ainda não gosto do estereótipo de mulher objeto, mas hoje vejo as coisas "nem tanto ao céu nem tanto ao inferno". Portanto, sem cruzadas. E os balangandas femininos muitas vezes são verdadeiros instrumentos de tortura ora, nam!
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Uma das outras tantas regras do manual é sobre homens e mulheres. Gente! Estou penando. Mulher tem que ser desejada, mas não pode ser sincera, sob pena de ser chamada de grudenta, dependente, chata...

E detalhe:
nunca pode mostrar que sabe porque os homens se sentem ameaçados. Olhe é tanta coisa que nem quero começar a "deslizar o rosário" porque senão o poste vai sair enorme.

Então, como ainda não sei como é ser MULHER e ser FELIZ tendo que arrancar, esticar, apertar, cortar e afins, sem contar a TPM e as lições de "seja independente, mas concilie a Amélia que existe dentro de você"- e sinceramente nada totalmente contra a isso, fico por aqui. E aprendendo com as tantas mulheres que me cercam a ser "apenas uma mulher", como já cantava Cazuza. Parabéns a elas e a mim também ?

Esse poste pode ter sido um dos piores que já escrevi. Mas acho um exercício necessário, já que plagiando um teórico usado na Psicologia, Vygotsky, a fala e a escrita são organizadoras do pensamento e consequentemente da ação. Só sei que mulher não é apenas mãe, nem esposa, nem gastadeira, aperuada e alienada, como também nem sempre tão frágil como querem encarnar e muito menos santa. Então, e lá vamos nós fazer nossa história no dia-a-dia...




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