terça-feira, 13 de abril de 2010

Cio


Ele estava no barzão, assistindo um jogão, junto com os amigão tomando um cervejão. Poxa! Nesse momento ele se sentiu "o cara", livre, só curtindo, um verdadeiro ator de propaganda de cerveja. No entanto, parecia que tinha uma coisa que formigava. E não era a liberdade, nem "o companheirão" que tinha dentro das calças doido para se liberar...O formigão era na cabeça.

Depois de não sei quantas cervejas com os amigos, com suas propriedades relaxantes e desinibidoras, o celular encima da mesa parecia chamá-lo: "-Psiu! Liga! Liga vai! O que é que tem? Passou. Mais uma ou menos uma...Curta o agora, a vida. Deixe a mágoa pra lá. Mata a sede desse seu cio. Siga seu instinto animal" . E instintivamente começou a ligar repetidas vezes para aquela mulher. Não poderia ser nenhuma do bar. Era ela quem seu instinto desejava. Ela. Somente ela. E depois de algumas insistentes ligações, as quais algumas apenas chamavam, outras caiam na caixa postal, parece que ela decidiu atender e sem muitas palavras ele indaga:
"- Tem tempo?"

- Não sei..
.- ela responde talvez tentando ganhar tempo ou realmente não querendo vê-lo - Por quê? Quer conversar?

- Chego aí.
"

E quando ela abriu a porta de casa não havia palavras. Somente um encontrão na parede, beijando-a ardentemente enquanto deslizava a mão pelo corpo dela. Ela se fazia de acuada e passivamente recebia aquelas carícias.
-Você...-ela tentava completar a frase entre um beijo e outro- Não quer...conversar?

Ele não dava uma palavra e de olhos fechados arrastou-a para cama deitando-a com beijos cada vez mais calorosos. Puxou-a por uma perna e se desfez da calcinha insinuando que quase a rasgaria enquanto afastava a pernas dela com o solavanco das suas.

- Eu não sei porque você está aqui, mas...também não quero saber agora. Olha para mim? -ela dizia

Dele havia apenas o silêncio entre cortado pelos ruídos das carícias e os olhos fechados, quando depois de algum tempo, de repente, ele calmamente para e diz:

- Não dá! Desisto.
- Eu sei que você teve que tomar coragem para vir aqui. Sei que não ia dar certo... -ela remediando.

Como ele havia bebido, ela foi deixá-lo em casa, como na antiga cumplicidade de casal. Enquanto isso ela começou a ensaiar uma DR (discussão de relação).

"Não! Mais uma? O que dizer? Tudo já havia sido dito mesmo? Repetir feito idiotas? Quantas vezes mais?" Era a única coisa que seus pensamentos etilizados permitiam-no pensar. Calado permaneceu quase todo o curto trajeto e de olhos fechados escutava-a reverberando um tanto descontrolada ao volante:

- Não sei se você fez isso por vingança, para provar que pode mais...Não quis conversar. Nem olhou pra mim! Eu tenho que parar de ser uma marionete porque toda vez que você liga eu estou ali, disposta. Ótimo o que você está fazendo. Assim tenho certeza do que estou fazendo e o esqueço mais fácil. E me faça um favor não me procure mais.

E o ruído daquela reverberação terminou com o fim do trajeto numa única frase:
- Ponha na conta - como se fosse um garoto de programa e continuou ainda - e de você não espero realmente nada mais.

Fechou a porta do carro. Abriu a porta do apê que mais parecia um carrossel quando se deu conta que, não. Não tinha sido por vingança, nem porque queria provar. Mentiu para ele mesmo dizendo que era apenas por instinto, mas na verdade sempre foi por formigamento.

O formigamento do vazio, da falta do pedaço que havia ficado com ela. E que quase sempre parecia que ainda latejava como se ainda estivesse de fato ali e não aquele temeroso, horrível e frio vazio. Foi o formigamento vazio que o levou e foi o mesmo formigamento vazio que o tirou da cama dela porque tudo de fato havia sido perdido. Não tinha mais sentido, nem calor. A única coisa que sabia é que ela estava certa numa coisa: que não podia olhar na sua cara. Pensou ainda que era ela quem precisava dizer com todas as letras que ali era um ponto final, mesmo que polêmico.

Ele descobriu ainda em seu carrossel que, sim. Sim, ele não podia e nem queria vê-la porque ela era apenas uma fantasia, mesmo querendo fazer-de-conta que era cio, instinto apenas. E que também não tinha ido para conversar.

Como a muito tempo deixara de ser apenas casca, sentia e forte, não tinha mais força para ficar e se arrastava apenas em ir. O formigamento do vazio se foi. Restou um pouco de raiva e a vontade de continuar andando.

Comments:
Jad: Ainda bem que ainda existe casais como vocês. E é isso que faz com que tantas outras pessoa tenham esperança que "amor de novela pode existir" e ter um lindo "the end".

Anônimo: Não! Bola ninja não é um palavrão. É apenas uma metáfora, alusão ao efeito de desaparecer como naqueles filmes antigos de japinha, nos quais o ninja lança a bola, a fumaça sai cegando todos ao redor e de repente não está mais lá.

Um comentário:

  1. isso eu entendi..o que disse é q achei feio o nome..pra mim não combinou dã...

    ResponderExcluir

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...