terça-feira, 6 de abril de 2010

Para sempre


- É para sempre?
E do outro lado da linha:
- É né?
- Adeus então!
O telefone foi desligado. E aquele "é né?" pareceu carregado de mágoa, raiva, dor e um pitada de "não foi você quem quis assim? Foi você quem procurou e quem me mal-tratou?". Libertaram-se. Cada um sem um pedaço porque não há como sair de algumas relações inteira. Elas nos cobram um pedaço da pele, da carne e da alma. E é por isso que o oco, apesar de ter a conotação de vazio traz uma sensação cinestésica de dor, de algo que foi arrancado, mas parece que ainda existe. Existe somente na cabeça. Somente nos hábitos. Somente na lembrança. Ou melhor, somente no vale do esquecimento.

Um comentário:

  1. Tinham acabado de transar. Ela vestiu-se com a camiseta que ele estava usando. Acendeu seu cigarro, lhe deu um beijo e foi até o banheiro. No mesmo momento em que abriu a porta, o telefone toca e ele atende dizendo uma coisa do tipo: "não estou a fim de conversar agora não". E então algo soa no ar como "é né..." Desligou e depois riu com um riso de desprezo. Olhou para quem estava vestindo sua camiseta e pediu mais uma dose violenta de prazer.

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