quarta-feira, 19 de maio de 2010

Carta a Surrealidade


René Magritte, A tempestade

Cara Su,

Certa vez, estive a ponto de exceder as suas lascivias, "judiações carinhosas", claro. Porém, sibilava-me: "- Piedade". E de uma forma diferente, que me estimulava a fazer justamente o contrário...tanto que, por alguns instantes, senti uma sensação inexplicável. Algo que saia dos limites de minha realidade e racionalidade.

Era um sentimento surreal. Algo demasiadamente valoroso para nosso enlace. Conexões estabelecidas como compatilhamento telepático e ação martelada, as quais quebravam os grilhões que nos prendiam a realidade previsível e mecânica. Assim, a descoberta, a intensidade, o prazer e o viver eram compreendidos não realmente, mas surrealmente perante nossas desreais proporções.

Diante de nosso devaneio sincrônio e sinérgico, decidi ser "impiedoso". Somente todas as vezes que percebera que meus "atos algozes" nos levariam a uma dimensão repleta de possibilidades. Longe das "drogas" que sistematizam a humanidade, de modo que essas não exercitassem nenhum efeito sobre nós.

Lá no âmago do meu ser sabia que agindo assim ambos teríamos a possibilidade de ser inebriados pela nossa surrealidade co-construída em longos instantes.
(Texto de A. Cavalcante adaptado por Thaisa Santos)

Com estimas.
O Marquês de Bri

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