sexta-feira, 28 de maio de 2010

O ônibus da morte


Essa semana foi trash e acredito que assim o foi, depois da notícia do acidente da irmã siamesa. Sabe daquela lei de Murphy, "quando as coisas estão ruins, elas podem piorar?" Para ela foi assim.

Ela voltava do shopping ao final da tarde quando um adolescente arremessou uma pedra, ou melhor um xexu, um paralelepípedo, contra o vidro do ônibus que além de ferirá-la na cabeça atingiu seus dois olhos. Os estilhaços "riscou" um dos olhos e no outro perfurou quase atingindo a córnea. Ou seja, ela corria o risco de perder a visão.

Diante da notícia me veio a sensação de impotência, de culpa...mas se, mas se...se eu estivesse lá, perto...se não tivéssemos nos desententidos e nosso último contato não tivesse ficando um "climão"... Parecia que dependia de mim alguém que estava no precipício. Era assim que via. E só em pensar que na semana que vem, no dia do meu aniversário a gente não vai estar juntas por causa desse acidente vai ser estranho...Esse ano haverá uma comemoração sem surpresas...

Ao vê-la no outro dia então, quase que como uma cega, a dor parecia que ia me rasgar. Tirando força de onde não tinha, tentei passar todo o otimismo, mas não consegui dormir. Chorava compulsivamente. A Mulher Maravilha que existia dentro de mim, a que tudo pudia e salvava o mundo com os seus braceletes mágicos, agora somente assistia. Os braceletes não existem mais, os super poderes se foram e com eles a sensação de onipotênica dos semi-deuses e no lugar a impotência, típica dos mortais, aos quais pertenço.

E quem é uma "Mulher Maravilha"? Uma heroína sozinha.Porque até o "Super Homem" tem um affer: a Louis Lane. O homem Aranha, a Mary Jane. E a minha heroína? Uma solitária. A qual também não quero ser. Esse papel, esse não o quero.

Enfim, para que preciso tanto ser onipotente? E o que é que preciso tanto salvar? E daí respondo: a mim mesma. Afinal, quando mais precisei ser salva, não fui.Quando mais precisei salvar, não o fiz: quando criança da relação "(in)paternal", na juventude de um amor sado-maso e já na maturidade de um carrasco disfarçado de acadêmico...

Espero que como mortal consiga fazer mais por mim e entender que nem tudo depende do meu fazer. Então, como não tenho super poderes, meu próximo projeto será além de salvar-me todos os dias, gravar estórias para passar um pouco do tédio da irmã que está em processo de recuperação, fora de risco, mas por enquanto longe de claridade, livros, tv etc. Mãos à obra então.

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