sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ronronando

O barulho usual feito por bichos, como os felinos, o ronronar, dessa vez foi tomado por emprestado por um casal...não tratava-se apenas de querer consumir um ao outro, mas de devorar no sentido canibal antigo de querer dentro de si o que o outro signifa para ti...incorporar não apenas a matéria, mas a alma e suas emoções...

- A desculpa.
- Tudo bem.
- Acho que você vai gostar se procurar esse material na net...Então, vamos manter contato, me manda um e-mail.
- Claro. Agora. Já estou enviando.
- Por acaso, você vai almoçar aonde?
- Não sei.
- Então vamos almoçar juntos.
- Tudo bem.

E do almoço as afinidades foram surgindo, apresentando-se, revelando-se e encantado-os. Durante isso, tudo era olho no olho, permissão para os pequenos toques, como se dissesse "com licença eu posso?". O dia de repente pareceu mais quente do que os outros . O brilho parecia ter sido restaurado. A vida parecia naquele momento surreal, a ponto de não poder caber mais dentro daquela sala para onde os dois passaram após o almoço. Por que sair daquela realidade paralela? Daquela fenda que havia sido aberta no espaço-tempo?Por que voltar a realidade?...Parem o relógio! A concentração em outra coisa que não fosse o olhar, o tocar, o sentir não mais cabia naquele ambiente.

- Você existe?- quando na sala não cabia mais aquela evasão de emoções.
- Depende de quem me ver...
Um ronronar felino pairava pelo lugar e prometia mais do que os instantâneos muitas vezes opressivos da vida cotidiana.

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