sábado, 15 de maio de 2010

Só quem já apanhou é quem sabe...


Não é o assunto da "sexta-feira da Angélica", muito menos um dos mais agradáveis para o fim-de-semana, mas ainda não consigo banalizar certos fatos. Enquanto despendia-me do meu amigo presenciei um homem batendo numa mulher no meio da rua. Eu não suporto isso.!

E enquanto ele fechava o portão para que eu não separasse o casal desconhecido e não interferisse,por medo que o cara também pudesse me agredir, entrei em casa para accionar a polícia, mas o telefone dava ocupado ou somente chamava. Foi quando Mami Amy me ouviu esbravejando e foi apartar a briga. Na rua havia pelo menos uma dezena de pessoas assistiam aquele espetáculo infame de um cara agarrado nos cabelos de uma mulher: jogando -a no chão até que Mami tirou-a dos braços do agressor e meu amigo protegia as duas...

Demos abrigo temporário a ela que estava machucada, nervosa e com parte das roupas rasgadas. Tentamos recompor um mínimo de sua dignidade. A poupamos dos conselhos batidos: "Por quê você ainda continua com ele?"; "Deixe esse homem!"

A orientamos apenas a procurar a polícia para dar queixa e que procurasse a família, esperando que ela se recompusesse...mesmo sabendo que o buraco é mais em baixo e que se conselho fosse bom não se dava se vendia.

Abaixo esse infame ditado popular que diz que "em briga de marido e mulher não se mete a colher". Uma verdadeira merda posto que:
  1. Trata-se nada mais, nada menos, do que naturalizar/banalizar a agressão a mulher;
  2. Reafirma que a agressão física é um problema pessoal e não social, quando na verdade trata-se do contrário na medida em que fere os direitos humanos, portanto, a cidadania que devia ser posta em prática em nossa sociedade;
  3. Não! Mulher não gosta de apanhar. Algumas continuam com seus algozes por medo de morrer, por falta de condições financeiras em manter a família, possui baixa-estima e acredita de verdade que merece "aquela merda" que tem, ou então, tem fé que se o tempo não mudar, Deus ajuda. Sem contar a esperança de que tudo volte a ser como antes, bem, ou em alguns casos a recusa em aceitar para si e para sociedade que falhou. Fracassou no relacionamento, que não depende apenas dela, mas pelo menos dele também e dos dois;
  4. Muitas mulheres não possuem apoio de ninguém, nem mesmo da família para chutar o balde porque todo mundo tem o seu umbigo, portanto, seus problemas;
  5. Sim! "Tapinha de amor" dói;
  6. E nada justifica um homem bater em uma mulher porque ele sempre terá mais força e meios de se defender do que uma mulher.
Por hoje, não consigo conter minha revolta...Maior do que a dor física é a dor na alma, a vergonha de si, dos outros e a sensação de impotência... de não conseguir fazer nada nem por si e de se permitir tamanha violação.

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