quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eu cuido. E tu? Cuidas?


Depois de tanto tempo sem postar sobre nada me peguei pensando: Cuidar ou ser cuidado, eis a questão! Para primeira parte da sentença, acredito que sim. Que cuido das pessoas que estão ao meu redor. E às vezes até faço malabarismo. De fato de algumas cuido mais e outras menos. Tudo irá depender daqueles que mostram precisar mais... Agora quanto a ser cuidado, para mim, são outros quinhentos. Por quê!?

Por um lado, se ser cuidado representa compartilhar o peso da jornada e muitas vezes até transferi-lo para o cuidador, num pacto silencioso do tipo: ”pode cair que eu seguro”. Por outro, também implica em tornar-se vulnerável. Mostrar seu “Calcanhar de Aquiles” para alguém que nem sempre pode estar lá, entende, ou até mesmo quer entender, o pedido de “S.O.S”. Paradoxal não parece!? E mais paradoxal ainda é que, mesmo quando insinuamos não deixamos ou fingimos, mas de fato não permitimos que o outro cuide de nossas feridas mais agudas ou que veja nossos segredos mais obscuros. Por isso que nem sempre querer é realmente se permitir. Como também o pronto-socorro emocional de alguém, depois de cumprida sua missão de tratar as feridas de morte, perde sua utilidade e pode ser simplesmente dispensado.

Eu aprendi a ler as entrelinhas do que é dito e do que não é dito. E desde cedo, aprendi a não confiar e nem esperar demais dos outros. Tive que cuidar-me só. Confiar é se entregar... Entregar o nosso bem mais valioso: nós. Entregar-nos a alguém que pode simplesmente nos “amassar”, “quebrar” ou “jogar fora em mil pedacinhos” ou quizá tornar a nossa vida num belo jardim florido... A poucos me entreguei e geralmente voltei sem “pedaços”. Decepcionei-me, assim como também devo ter decepcionado alguns e o que me vem à mente agora é um trecho do Poema de Florbela Espanca: “E se um dia hei de ser pó, cinza e nada... [então] que me saiba perder pra me encontrar”.

Afinal, como diria Giddens (1993), aparentemente não viver em torno das necessidades dos outros, numa pseudo-independência, denuncia na verdade a sensação de insegurança pessoal, de co-dependência, em que meu projeto de eu depende da "alteridade" do outro. Em síntese, a superproteção do outro denuncia o desejo de cuidar ,como também o medo inconsciente de que essa devoção seja mal recebida.


REFERÊNCIA

GIDDENS, Anthony. A transformação da intimidade: sexualidade, amor & erotismo nas sociedades modernas. Tradução Magda Lopes. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulsita, 1993. (Biblioteca Básica)

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