terça-feira, 6 de julho de 2010

Um ícone, um ídolo, uma vida


Não podia deixar de registar no "Xodó" o quase quinquagésimo sexto aniversário da pintora mexicana Frida Kahlo que partiu aos 47 anos de forma polêmica: suicídio, envenamento ou morte por embolia pulmonar?

Sem contar as polêmicas que suscitou em vida quanto a sua bissexualidade, o ativismo político no partido comunista, o atormentado casamento com o pintor Rodrigo Riviera e claro, sua pintura de cores fortes, traços surreaalistas e com destaque a cultura popular mexicana, muito bem retratadas no belíssimo filme "Frida", protagonizado de forma emocionante pela atriz Salma Hayek.

E por que Frida?

Além de ser uma de tantas mulheres que fizeram nossa história, apenas escrita e lembrada por e para homens, foi um exemplo por simplesmente VIVER intensamente seu amor e sua dor retratada por meio dosquadros. E que, ao invés de deixarem que a colocassem no lugar de simples "aleijada" pela poliomielite e por um acidente que comprometeu seu aparelho ósteo-locomotor, deixou sua marca de inteligência e "sensualidade às avessas". Bem ao contrário do que vivemos atualmente, não se mostra tudo, mas esconde-se tudo no balançar dos sainhões a serem descobertos.

A primeira vez que ouvi o nome dessa pintora foi na música da cantora Adriana Calcanhoto intitulada "Esquadros", quando tinha cerca de 16 a 18 anos:

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
(...)

Na ocasião chamou-me atenção, mas não o suficiente para querer saber de quem se tratava.Mais tarde, aos vinte e alguns, vi o filme, pesquisei sua biografia e troquei ideias com um artista plástico sobre. Algumas identificações logo vieram a tona como: por que, apesar de apresentar uma beleza exótica como pode se perceber em algumas fotografias, Frida insistia em pintar-se de forma um tanto medonha? Via beleza nisso ou não tinha real ideia dessa tal beleza pela percepção equivocada de seu corpo marcado por intervenções cirúrgicas?

Ás vezes melancólica e solitária entregou-se a Riviera, a pintura e a política de modo intenso, assim como de certa forma já o fiz. O que me remete a uma outra passagem musical: "Pensando em te matar de amor ou de dor eu te espero calada..." da cantora brasileira Vanessa da Mata. No caso, pensando não apenas em "te" matar , mas em se matar, de amor e dor, Frida esperou e não esperou calada...Os pincéis, a vida e a política foram suas armas, companheiras, amigas, assim como seus melhores venenos...

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