sábado, 16 de outubro de 2010

"A Sociedade dos Poetas Mortos": uma prosa cine-pedagógica


Um filme tão antigo, mas tão atual: afinal o que é que um professor(a) deve ensinar aos seus alunos e alunas? Até que ponto deve-se buscar a essência da vida ou afogar-se nela, no Carpie Diem? Confiança é algo que pode ser ensinado a buscar? Aprender a trilhar os próprios caminhos e verdades? E afinal o que são verdades? Acredito que não existem "verdades", mas"leituras" sobre. Na mesma linha que "O Sorriso de Monalisa" e "Ao Mestre com Carinho", o filme deixa muitas lições entre elas é que muitas vezes é preciso duvidas para ver o mundo a partir de perspectivas diferentes.

Assim o mestre em literatura inglesa convida: "Usem a cabeça!" E como a usamos? Numa sociedade em que o importante não é ser, mas ter, parece contraditório falarmos em confiança quando essa mais parece uma postura narcísica de auto-defesa a qualquer custo e o outro nada mais é do que um objeto a mercê das vontades alheias, individuais e egoístas.

Ensinar confiança é acolher o outro no diálogo, mesmo ao que nos é apresentando como algo diferente. Acolher em si é um termo que apresenta várias acepções e uso: para alguns trata-se de uma postura ético-profissional, para outros uma questão de respeito ao direito de cidadania.

Acolher é ao mesmo tempo noção, atitude e política governamental. Enquanto noção implica assistir o outro de forma qualitativa. Como atitude trata-se de um processo de ampliação comunicacional com os outros. E enfim, enquanto política governamental é inserida a partir da década de 90 por meio da humanização hospitalar no atendimento pré-natal e materno, estendendo-se a partir do ano 2000 para todas as ações que contemplam a atenção básica a saúde.

Entretanto, para além da garantia de uma política governamental que tentará assegurar por meio de dispositivos legais que direitos constituionais e humanos se efetivem - "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade" - trata-se de uma mudança cultural que implica uso de saberes sejam refletidos e rotinizados como práticas cotidianas.

Nesse sentido, a atitude de acolhimento é um modo de operar o trabalho, seja qual for o trabalho, o profissional e o lugar. É algo delimitado como política de saúde, mas que deve compor também as políticas educacionais, inclusive como valor humano, já que só é capaz de acolher quem alguma vez já foi acolhido.

O acolhimento para além de uma "palavrazinha" que exige filosofação, reflexão e imputa mudanças coletivas, exige relações dialógicas, ou seja, horizontalizadas, que promova a autonomia e que possibilite o compartilhamente de diferentes universos simbólicos. Principalmente operacionalizia-se pela escuta, pelo o uso de saberes e afetos na promoção de um vínculo empático. O ato de cuidar exige o que, coloca o pedagogo, Paulo Freire menciona como:

  • amor pelo compromisso com o outro;
  • humildade não no sentido de subserviência, mas de sabedoria para entender e se posicionar frente aos outros;
  • fé no potencial humano da mudança;
  • esperança nessa mudança;
  • pensamento crítico sobre a complexidade humana e processo cotidiano;
  • atenção nas necessidades humanas como um ser biopsicossocio e cultural

Arremato essa minha prosa despretiosa, sintetizando que ensinar trata-se do ensino da busca confiante e desejosa do mundo e que essa busca exige respeito ao diálogo manifesta quando acolhemos qualquer ser humano em qualquer espaço. Acolher, que deveria ser uma atitude comum, atualmente é usada como terapêutica alternativa, bem parecido, para não dizer paradoxal, com os livros de auto-ajuda e as revistas de entretenimento. Acolher tornou-se uma atitude revolucionária, como na "Sociedade do Poetas Mortos". Lembremos que a ignorância [alvo da nossa pretensiosa educação] não é um vazio a ser preenchido, mas um cheio a ser transformado parafraseando o referido pedagogo no texto da Traverso-Yépez (2008).


TRAVERSO-YÉPEZ, Marta. Psicologia Social e Trabalho em Saúde. Natal: Ediotra UFRN, 2008

Um comentário:

  1. Hamram... sei, sei. Eu lembro! (kkkkkkk')
    Tipo comecei bem, bem lendo e entendo tudo. Como sou do ensino médio ai chegou uma hora que o texto entrou na fase de ensino Superior ai me perdi geral. Enfim, ficou muito bom o post.


    Xau Emílio! =D

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