segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um cara difícil in DOIDAS E SANTAS (últimas postagens))


Um cara difícil
"Prezada leitora: se um dia você sair com um cara pela primeira vez, motivada a iniciar um relacionamento amoroso, e ele adverti-la dizendo "sou um cara difícil", acione a luz amarela. Ok, pode ser que seja apenas charminho dele, uma maneira de se valorizar aos seus olhos - usou o adjetivo "difícil" como oposto de "tedioso". Sim, talvez ele só queira deixá-la ainda mais a fim, dizendo uma frase desafiadora que pode ser traduzida como: será que você consegue dar conta do meu temperamento explosivo, terá atributos suficiente para me amansar e me fazer virar um cordeiro na sua mão? Mulheres adoram esse joguinho perigoso. Só que pode não ser jogo algum, e ele estar sendo absolutamente modesto na sua própria descrição: talvez ele não seja difícil, e si impossível. Nenhum de nós é muito fácil, nem homens, nem mulheres. Só o fato de termos sido criados em cativeiro numa família com suas próprias regras, valores e manias já faz de cada um de nós uma aposta arriscada na hora de ter que negociar com uma espécie nascida em um cativeiro diferente. Mas, como relações entre irmãos são veementemente desaconselhável, o jeito é procurar uma alma gêmea na praia, no bar, na rave, e torcer para que ele não dê o fatídico aviso" sou um cara difícil", porque se ele for mais difícil do que todos naturalmente são, aí danou-se. O cara difícil vai estar superentusiasmado quando falar com você ao telefone pela manhã e, a tardinha, ligará de novo para desmarcar o cinema porque precisa ficar sozinho, com a luz apagada, em embate silencioso com seus demônios internos. Quando vocês estiverem na platéia de um show com três mil pessoas, ele vai encasquetar que um homem de camiseta verde está olhando com insistência pra você, e vai ter certeza de que você está retribuindo o olhar, e você vai perder a voz tentando explicar, no meio daquela barulheira que tem pelo menos oitocentos marmanjos de camiseta verde em volta, todos olhando pro palco. Aliás, se estivessem olhando pra você, qual seria o problema, ele não se garante não? Que audácia, você peitou o cara difícil. Ele vai deixá-la sozinha no show e desligará o celular por três dias. se você não amá-lo, o prejuízo será apenas a bandeirada pra casa, mas se você o ama, prepare-se para esvair-se em explicações e declarações, a fim de trazê-lo de volta a realidade. Um cara difícil exige uma paciência oceânica. Ele vai ser romântico e muito bruto. Ele vai ser generoso e muito casca-grossa. Ele vai dizer a verdade e vai mentir às vezes. Ele vai fazê-la se sentir uma eleita entre todas, e depois vai dar mole pra muitas. Ele vai implicar com as mínimas coisas, e com as grandes também. Ele vai exibir qualidades que você nem sabia que um homem poderia ter e, em troca, vai abusar de todos os defeitos que você sabia que todo homem tia. Ele vai ser ótimo na cama. Vai ser um perigo dirigindo um carro. Vai ser gentil com sua mãe. Vai der um burucutu com a mãe dele. Ele mudará de humor a cada vinte minutos, ele vai brigar por nada, vai beijá-la demoradamente por horas e, com essa bipolaridade bem ou mal disfarçada, ele a deixará tão tonta e exausta que você pensará que foi atropelada por um trem descarrilhado. "Quem sou eu?". será sua primeira pergunta ao acordar sobre os trilhos. No primeiro encontro, pergunte:você é um homem difícil? Se ele responder que é, procure imediatamente um psicanalista. Pra você, santa.
23 de março de 2008 Marta Mederios

MEDEIROS, Martha. Doidas e Santas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Fragmentos em DOIDAS e SANTAS (parte IV)


I- SOBRE O DESEJO
"Seguir nossos desejos é o que nos torna livres, e o desejo é variável, mutante inclassificável - não pode ser considerado moderno ou antigo, é o que é. E mesmo que consigamos obedecer apenas aos nossos instintos mais naturais, com toda a liberdade que isso implica, ainda assim pagaremos um tributo ao sofrimento, simplesmente porque viver, seja da maneira que for, nunca é fácil."
(2009:131)

"Somos capazes de nos apaixonar por quem já fomos apaixonados, desde que esta pessoa se apresente a nós com uma novidade e nos dê também a chance de sermos que a gente ainda não foi"(2009:173)

II- SOBRE VIVER
"A "pior" vontade [de viver] é a de não se enraizar, não assinar contrato de exclusividade, não firmar compromisso, não render-se as vontades fixas, apenas às vontades momentâneas, porque as fixas se transformam em vaidade - como se sabe, há sempre aqueles que se envaidecem da própria persistência [...]A vontade oficial, a vontade santinha, a que não causa incômodo é a outra, a aprovada pela sociedade, a que não leva em conta que vai no seu íntimo, e sim a opinião pública. É a vontade que todos nós, de certa forma, temos de mostrar para os outros que somos felizes, sem saber para conseguir isso é preciso, antes, ter a "pior" vontade, aquela que faz você descobrir que ser feliz é ter consciência do efêmero, é saber-se capaz de agarrar o instante, é lidar bem com o que não é definitivo - ou seja, tudo". (2009:151)

"Porque nosso mal é este: pensar demais. Nós, as reconhecidas como sensíveis e afetivas, somos, na verdade, máquinas cerebrais. Alucinadamente cerebrais. Capazes de surtar com qualquer coisa, desde as mínimas até as muito mínimas. Somos mulheres que nunca estão à toa na vida, vendo a passar, e sim atoladas em indagações, tentando solucionar questões intrincadas, de olho sempre na hora seguinte, no dia seguinte, planejando, estruturando, tentando se desfazer dos problemas, sempre na ativa, sempre atentas, sempre alertas, escoteiras 24 horas" (2009:153)

"A fonte da juventude chama-se mudança [...] A ùnica maneira de sermos idosos sem envelhecer é não nos opormos a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. É assim que se morre jovem, sem precisar termos o mesmo destino de um James Dean ou de uma Marylin Monroe.[...] Toda mudança cobra um preço emocional. Antes de tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face. Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco, porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao nosso olhar é avida que a gente optou por levar" (2009:225-227)

"Mudanças não significam fragilidade de caratér. É preciso ter uma certa flexibilidade para evoluir e se divertir com a vida. Mais ainda a flexibilidade é fundamental para manter nossa integridade, por mais contraditório que pareça. Me vieram agora a mente os altos edifícios que são construídos em cidades propensas a terremotos, que mantêm em sua estrutura um componente que permite que se movam durante o abalo. Um edifício que balança! Com que propósito? Justamente para não vir a baixo. Se ele não se flexibilizar, a estrutura pode ruir".(2009: 180)

I- "Faça o que diz e faça o que fale..."
"Isso vem ao encontro de algo que sempre defendi, por mais que pareça egoísmo: se quer colaborar com o mundo, comece por você. Tem gente a beça fazendo discurso pela ordem e reclamando em nome dos outros, mas também a própria vida desarrumada. Trabalham naquilo que não gostam, não se esforçam para conservar uma relação de amor, não cuidam da própria saúde, não se interessam por cultura e informação e estão mais propensos a rosnar do que a aprender. Com a cabeça minada, vão passar que tipo de tranquilidade adiante? Que espécie de exemplo? E vão reivindicar o quê?"(2009:170)


MEDEIROS, Martha. Doidas e Santas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Também lendo DOIDAS E SANTAS (parte III)


A quem não é um qualquer um,
a quem rompeu com as defesas e
que me faz feliz...
Faço das minhas as palavras dessa autora.


Qualquer Um

"[...]Apesar do relógio biológico estar nos pressionando, não queremos procriar com qualquer um. Queremos um cara bacana para ir ao cinema, almoçar ao domingo, viajar nos fins de semana."

Claro. Quem não quer?

Não há problema nenhum em ser exigente, em querer uma pessoa que seja especial. O que me deixa intrigada é que há mais probabilidade de você encontrar "qualquer um" do que um Deus grego com um crachá escrito "Príncipe Encantado". Então me pergunto: as mulheres estarão dando chance para que este "qualquer um" demonstre que está longe de ser um qualquer?

Sou capaz de apostar que a maioria das mulheres, no primeiro papo, já elimina o candidato, e quase sempre por razões frívolas. Ou porque o sapato dele é medonho, ou porque ele não sabe que é Roman Polanski, ou porque ele gosta de pizza de estrogonofe com banana, ou porque ele só gosta de comédia, ou porque ele mistura steinheger com cerveja, ou porque o carro dele é um carro do ano. Do ano de 1991.

Imagina se você, proveniente de uma família estruturada, criada dentro dos padrões de bom gosto, com qualidades encantadoras, vai se envolver com esse...com esse...com esse sei lá quem.

Pois o "sei-lá-quem" pode ser, sim, aquele cara bacana que levará você para almoçar no domingo, mas você tem que dar uma mãozinha, minha linda. Recolha seus prejulgamentos, dê umas férias para seus preconceitos, deixe seu orgulho de lado e saia com ele três, quatro vezes, até ter certeza absoluta de que o sapato medonho vem acompanhado de um caráter medonho, de um mau humor medonho, de uma burrice medonha. Por que se o problema for só o sapato e a pizza de estrogonofe, isso dá-se um jeito depois, ele não há de ser tão inflexível.

Aliás, e você? Garanto que também não sai pela rua com uma camiseta anunciando "Mulher Maravilha". Ele também vai ter que descobrir o que há por trás da sua ficha estupenda, e vá que ele implique com as três dezenas de comprimidos que você ingere por dia, com sua recusa em molhar o cabelo no mar, com sua fixação por telefone ou com os seus sutiãs do ano. Do ano de 1991 também.

Essa coisa chamada "história de amor" requer um certo tempo para ser construída, e as que dão certo são aquelas vividas com paciência, com o espírito aberto, e geralmente com qulaquer um que consiga romper a nossas defesas e nos fazer feliz".

22 de outubro de 2006
(Martha Medeiros)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Alguns recortes sobre "Doidas e Santas"


I- SOBRE O AMOR
"[...] Casamento aberto é outra coisa, e pode inclusive ser monogâmico e muito feliz. A abertura é mental, não precisa ser sexual...É entender que com possessão não se chegará muito longe. É amar o outro nas suas fragilidades e incertezas. É aceitar que uma união é para traazer alegria e cumplicidade, e não sufocamento e repressão. É ter noção de que cada idade estamos bem diferentes dos que tínhamos quando casamos, e quem nos ama de verdade vai procurar entender isso, e não lutar contra. Sendo aberto nesse sentido, o casal construirá uma relação que seja plena e feliz para eles mesmos, e não para a torcida. E o que eles sofrerem, aceitarem, negociarem ou rejeitarem terá como único intento o crescimento de ambos como seres individuais que são. [...] E a beleza nunca está nas mesquinharias e infantilidades. A beleza está sempre um degrau acima"
(p.14)


II-SOBRE A PERDA
"[...] Obrigada por insistir que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que eu mesma, apresentou-me a saída [...]" (p.16)


III-SOBRE A VIDA
"[...] Entre sobreviver e viver há um precipício, e poucos encaram o salto. [...] Não te acorrentes/ao que não vai voltar, diz ela, provocando ao mesmo tempo nosso desejo e nosso medo. Medo que costuma nos paralisar diante da decisão crucial: Viver/ou deixar para mais tarde..."(p.27)

"[...]Regugitar: vomitar. Fagia: comer. Então regugitofagia é simplesmente expelir o inútil e voltar a se alimentar do que precisamos. E do que precisamos? [...] silêncio, arte e amor." (p.20)


IV- SOBRE A POESIA
"[...]Veneno Antimonotonia [...] uma intervenção no nosso olhar acostumado [como a poesia...] A poesia serve [...]para alterar o curso o de seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do infrno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento..."(p.10)


MEDEIROS, Martha. Doidas e Santas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Lendo a "Arte da Guerra" (parte II)


ESTUDO DAS CONDIÇÕES PARA GUERRA
  1. "Quando se movimenta as tropas, é essencial conhecer em primeiro lugar as condições do terreno[...] A compreensão do local onde a batalha vai ser travada indicará onde se devem concentrar ou subdividir as forças;
  2. Sobre as virtudes de um general[...] se for sábio [reconhecerá] mudanças rapidamente; se for sincero seus homens acreditaram em suas recompensas e castigos; se for humano [reconhecerá] o engenho e o esforço. Se for corajoso alcançará a vitória agarrando-se as oportunidades sem hesitação. Se for exigente, suas tropas serão disciplinadas;
  3. Se um general não é corajoso, será incapaz de resolver dúvidas arquitetar grandes planos";
  4. [...]Atuar de acordo com o que lhe é vantajoso para poder controlar os resultados;
  5. Todo guerreiro se baseia em simulação;
  6. Assim, o capaz se fingirá incapaz e o ativo aparentará inatividade;
  7. Quando próximo finja estar longe;quando longe finja estar próximo [o soldado morto];
  8. Evite-se inimigo onde ele se mostrar forte;
  9. [Quando] encolerizado, a autoridade do general pode ser facilmente desfeita. Não dispõe de firmeza de caratér;
  10. Se o general inimigo é teimoso e dado a fúrias, deve ser insultado e enfurecido para que, irritado, confuso e sem planos, seja atacado sem preocupações;
  11. Deêm-se rapaizinhos e mulheres aos inimigos para o desvairar, e jades e sedas para excitar as suas ambições;
  12. Quando vier em apoio da direita, ataque-o pela esquerda; quando ocorrer em socorro da esquerda, ataque-o pela direita;
  13. Quando estiver unido, desagregue-o.
Sun Tzu. A Arte da Guerra.São Paulo:martin Claret, 2001

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Também lendo DOIDAS E SANTAS (parte I)


A tristeza permitida
"Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões - se eu disser que foi assim, o que você diz? Se eu disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer "te anima" e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente - as razões têm essa mania de serem discretas.

"Eu não sei o que corpo abriga/nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down..."

Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara.
"Não quero te ver triste assim" , sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguém degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor - até que venha a próxima, normais que somos."

20 de novembro de 2005

MEDEIROS, Martha. Doidas e Santas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Nos emaranhados da rede náutica do amor


MARQUÊS: - AÊ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Feliz 2011 susu!!

SU(rrealidade): -Feliz 2011!

MARQUÊS
: - Tentei te ligar deveras
SU: - como estás? Meu celular levou água de mar e oxidou. Curto-circuito, perda total

MARQUÊS: - precisava falar contigo. Quero te agradecer imensamente por ter surgido em minha vida,imensamente mesmo.
SU:- eu tb sou grata. Sonhei com vc ontem sabia?

MARQUÊS: - Sério? Com o "parquinho"? Espero apenas seu convite
SU: - Para que?
MARQUÊS: - Visita? Pra ir aí
SU:- Marquemos. Janeiro aqui é uma bosta, mas...Sinta-se convidado. Marquemos tempo de ida e vinda para organizar minha agenda
MARQUÊS
: - Já sei as condições...
SU: - É porque vou fazer pesquisa de campo para o doctor

MARQUÊS: - Eu quero cherar esse "cangote"
SU: -Menino danado. Sou moça comprometida agora
MARQUÊS
: - Desculpa
SU: - Fique tranquilo...o fato é que sou mulher de um homem só de cada vez...prezo pela exclusividade da minha marca kkkkk
MARQUÊS:
- Fico feliz por ti...que 2011 seja repleto de realizações pra vc...to namoando com minha dissertação
SU: - Maldita...minha maior concorrente...odeio essa bicha...ou quem sabe nem foi minha maior concorrente...kkkk


MARQUÊS: - Só tive vc e ela...vc sabe do seu potencial...acho q foi a conquista mais importante que tive: ter visto vc; ter conseguido te conquistar

SU: - Ow! Que pena que mais forte do que eu foi ela, mas faz parte. Vc veio em boa horao imponderável, o inesperável.

MARQUÊS: - As semelhanças e diferenças. Penso q será um eterno erro: as vezes as escolhas são erradas, mas no fim tudo se encaixa. Vai ver eu devia mesmo ser só essa chuva

SU: - Não existem escolhas erradas. Existem portas diferentes. A gente toma uma atalho e vai...vai, vai...jamais forçaria qualquer sentimento seu em relação a mim. Disse desde o início que vc era livre

MARQUÊS: - A surrealidade vista de fora foi de certa forma decisiva pra no sso fim

SU: - Não Marquês! Nosso fim se deu pela sua angústia de se sentir possivelmente amarrado a um compromisso que nem vc sabia se estava preparado ou queria isso, mas eu não queria compromisso. Queria cumplicidade, diversão, queria o meio. Nem o começo, nem o fim.

MARQUÊS: - - Duro ler isso sabia? Contudo, meu maior medo era te perder completamente e isso nao aconteceu. Vc ganhou um ídolo e um cara que pode confiar sempre

SU: - Que nada! "Meus heróis morreram de overdose..." vc também pode confiar em mim. Talvez o medo de perder a amiga fosse maior do que perder a amante, mas tudo vem num PACOTE SÓ! Saí "lanhada"

MARQUÊS: - Sinto apenas os meus atos q a magoaram. Fora isso maravilhosso

SU: -vc me magou pq era vc ou eu, então antes eu do que vc....kkk, mas que fique claro:não queria compromisso. Queria viver, poder ligar, falar o que acho,viver, viver, viver...o namoro de agora foi muito mais uma necessidade dele do que minha. E é bom namorar. É bom ter/ser amante...depende de quem e do momento

MARQUÊS: - Espero q ele te complete

SU: -Nunca nada irá completar ninguém. Somos incompletude...Ele me faz bem e eu faço bem a ele, de modo diferente do que eu fazia a vc. Somente. Ele é sombra e água fresca e vc tormenta. E se for só um mês, que seja! Felicidade intensa para todos


MARQUÊS: - Quando me separar da dissertação vou me aventurar por namorar

SU: -Que bom! Que encontre então a pessoa certa para isso: que não te sufoque; que te entemda; que se aventure com vc para vc não ter medo; que deixe vc se sentir livre

MARQUÊS: - Vc me conhe muito. Nossa primeira vez foi inesquecível para mim sabia...segredo nosso. Remoemorar nao mata. Será que ainda de farei estremecer só em te cheirar?

SU: - "Pecado é provocar desejo e não saciá-lo..."Bem, saudossísmos a parte, convites feitos se aceitá-los avisa tá? Bejim e tudo de bom 2011

Da Surrealidade sempre surreal

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Desejos e sonhos num novo ano


- Foi tudo um engano. Eu pensei que podia...
- Mas e agora?
- O que vamos dizer a ela?E a família e a minha família? Depois de tudo...
[uma indecisão tomava conta junto ao medo da reprovação alheia por tantos bates e rebates].

Acordou e percebeu que não passara de um sonho e que, diferente da época da adolescência, nem todos os problemas de "matemática" tem solução e não adianta pensar em resolvê-lo para passar ao próximo...Existem problemas que não são para resolvidos, mas convividos na incompletude de não sê-lo.

- Feliz ano novo! - disse a si ao acordar....