domingo, 9 de janeiro de 2011

Alguns recortes sobre "Doidas e Santas"


I- SOBRE O AMOR
"[...] Casamento aberto é outra coisa, e pode inclusive ser monogâmico e muito feliz. A abertura é mental, não precisa ser sexual...É entender que com possessão não se chegará muito longe. É amar o outro nas suas fragilidades e incertezas. É aceitar que uma união é para traazer alegria e cumplicidade, e não sufocamento e repressão. É ter noção de que cada idade estamos bem diferentes dos que tínhamos quando casamos, e quem nos ama de verdade vai procurar entender isso, e não lutar contra. Sendo aberto nesse sentido, o casal construirá uma relação que seja plena e feliz para eles mesmos, e não para a torcida. E o que eles sofrerem, aceitarem, negociarem ou rejeitarem terá como único intento o crescimento de ambos como seres individuais que são. [...] E a beleza nunca está nas mesquinharias e infantilidades. A beleza está sempre um degrau acima"
(p.14)


II-SOBRE A PERDA
"[...] Obrigada por insistir que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que eu mesma, apresentou-me a saída [...]" (p.16)


III-SOBRE A VIDA
"[...] Entre sobreviver e viver há um precipício, e poucos encaram o salto. [...] Não te acorrentes/ao que não vai voltar, diz ela, provocando ao mesmo tempo nosso desejo e nosso medo. Medo que costuma nos paralisar diante da decisão crucial: Viver/ou deixar para mais tarde..."(p.27)

"[...]Regugitar: vomitar. Fagia: comer. Então regugitofagia é simplesmente expelir o inútil e voltar a se alimentar do que precisamos. E do que precisamos? [...] silêncio, arte e amor." (p.20)


IV- SOBRE A POESIA
"[...]Veneno Antimonotonia [...] uma intervenção no nosso olhar acostumado [como a poesia...] A poesia serve [...]para alterar o curso o de seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do infrno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento..."(p.10)


MEDEIROS, Martha. Doidas e Santas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

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