domingo, 14 de agosto de 2011

Dia dos pais. E daí?

Ok! Tem certas datas que não tem como fugir. Uma delas é o dia dos pais, apesar de não sentir a menor falta do meu, mas tudo bem...essa franqueza acachapante pode supreender os mais moralistas...Fazer o que? 

Meu autruísmo não chega a tanto. E muito menos minha vontade em agradar todo mundo porque se nem um avatar histórico-religioso como Jesus conseguiu, quem sou eu? O fato é: meu pai sempre me mantave a distância de uma linha telefônica, um interurbano de no máximo dez minutos no fim-de-semana, então, como é que posso dividir com ele minha vida? Quem eu sou?  

Sem contar que minha mãe fez e faz de tudo para que esse lugar não fosse sentido como um vazio, muito bem preenchido por ela. Ela teve a cara de pau em hoje pela manhã cobrar o presente dela, o dos pais!  Nada contra o dia. Nem mágoa, nem rancor. Ontem até cedi as pressões e comprei  passagens para passar uma semana com ele que veste o papel de pobre moribundo que tem como último desejo ver sua única falha. Dramático demais para mim. Mas enfim, compra feita. Vamos ver se a agência de cartão de crédito autoriza. 

E o que ficou? Uma angustia do tamanho de um elefante na sala. O que fazer numa semana com uma criatura que mal conheço? Alguém que de fato nunca fez um sacrifício por mim, como um pai de verdade? Minha estratégia: LIVROS! Minha melhor fuga. Sem muro das lamentações, até porque como já devo ter dito que detesto as vítimas dostoiévskianas, que nada tem haver comigo. No meu caso a alienação parental deu-se por total ausência dele mesmo e meu jeito muito objetivo de ver as coisas não tão encantadas... Mas para quem tem bons motivos para comemorar o dia dos pais, um feliz dia dos pais, porque o meu passarei a limpo a daqui um mês.

2 comentários:

  1. "...com sua única falha?"
    Ato falho? hehehehe Você está certíssima...gastar do tempo só com quem temos vontade.
    Abraço Guria.

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  2. Saudade de vc Thaisa!!!
    Como sempre, leitura prazerosa e pertinente no seu blog!
    Beijinhooos

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