terça-feira, 16 de agosto de 2011

A identificação dos adultos com o Snoopy e personagens


 Estava blogando pela na net quando encontrei um comentário que me levou até o livro "Fadas no Divã"  (Corso, Diana Lichtenstein), que além de discutir sobre os contos infantis mais antigos e comuns, descreve um pouco sobre a "febre" da saga Créspúsculo e a identificação dos adultos com peronagens infantis como os do Snoopy e a Mafalda, por exemplo. Indo direto ao ponto, tomei a liberdade de parafrasear algumas passagens para quem se interessar em ler, já que eu também me identifico muito com o próprio cachorro gente Snoopy e a PattyPimentinha, vocês lembram? Me identifico com os escapismo da realidade, o sentimento de inadequação social, o correr por não suportar ficar parada, pela busca de estratégias para viver...De certa forma nos remete a um certo desencatamentodo mundo weberiano


I- SOBRE OS PERSONAGENS

"As características das personagens dos Peanuts funcionam como um poder peculiar a cada um, um dom.  São (...) tentativas, a maneira que cada um descobriu de lidar com a vida e seus percalços. É como se o autor dissesse: invente seu jeito, afinal nenhum funciona direito..."

"(...) Por outro lado se a condição infantil tem lá suas coisas difíceis de suportar quando vistas de fora, há motivos para pensar que as personagens crianças também servem de refúgio para adultos contrariados.Talvez essa infantilização ostensiva seja uma torma de proteger-se de uma sociedade que os tem na mira todo o tempo".


"O constante confronto verbal entre essas amigas também é uma jóia da percepção psicológica de Sehulz. Afinal, mesmo que se gostem, as mulheres dificilmente abrirão mão de tratar-se com um certo nível de agressividade verbal. Talvez esse seja o resto cie uma incômoda herança da relação amorosa-litigiosa mantida com a própria mãe, (...) Por isso, trocarão farpas com suas amigas, filhas, noras, outras parentes e colegas de trabalho do mesmo sexo."


"As personagens de Penauts são como aqueles espelhos paralelos, que refletem uma imagem dentro da outra: os leitores os vêem como crianças, eles. O efeito não é necessariamente  o pessimismo quanto ás realizações humanas, mais parece confortar o leitor,como se dissesse: venha se reunir à turma dos que fracassam, atinai você é um como nós não é tão duro assim, entre fracassos e desencontro vamos levando. Como disse Álvaro de Mova:" ninguém fez tanto sucesso vendendo fracasso"."


"As personagens de Penauts passam-tempo. Talvez essa mistura de idades nos mostre que se para esse movimento, apontam mais para  reconstrução da infância que para um retrato daquele mas isso não basta como explicação. Há problemas que nos acompanham ao longo da vida..."

"(...) O lado bom do escapismo, de qualquer maneira, é  a condição de fantasiar e brincar, sendo que a possibilidade de explorar o tema da amizade como tanto para as crianças de verdade, quanto para esse [Schultz]uma dependência benéfica, uma tentativa de superar a realidade e imaginação estão claramente dissociadas".

I- SNOOPY

A palavra "Snoopy" poderia ser traduzida em português por "Xereta".  E houve uma tentativa para com os nossos contemporâneos. Snoopy é o tipo que uiva para a lua durante o cio, tem medo de escuro... É mais um observador. Se não tem a palavra certa, muitas vezes tem o gesto dos que embarcam na sua fantasia, contratando seus serviçosde piloto, escritor, advogado...Seguidamente ele é sarcástico... o interior de sua casa parece abrigar vários andares como a mente do seu dono:  biblioteca, sala de bilhar e a solidariedade irrestrita do que quiser imaginar lá dentro. Snoopy passa o dia dormindo fora dela, sobre o telhado, talvez para mostrar sua boa vida  de preguiça e despreocupação


III- PATTY PIMENTINHA



"Patty Peppermint (Patty Pimentinha) é uma menina ativa, excelente esportista, mas pouco esperta no que diz respeito a outros assuntos. Patty é tão desligada que praticamente nao percebe que Snoopve um cão. Ela o chama de"aquele garoto estranho".Tanto é esportivamente ativa, quanto incapaz de se manter acordada quando o assunto é estudo. Ela revela um aspecto importante da nossa sociedade veloz cativa: corremos e nos ocupamos tanto porque nao suportamos ficar parados."

 "Inadequação ao papel feminino. Ela ainda não sabe combinar as roupas, julga-se feia. Ou seja,  não é só na escola que ela não se sai bem. Pattv pode ser para as mulheres o que Charlie Brown é para os homens: um errado.


IV- SOBRE A  SOCIEDADE
 
"Vivemos numa sociedade que valoriza ao extremo a independência, a marca pessoal sobre todas as coisas, que faz parecer que estamos escolhendo sempre. A publicidade e onde melhor se esclarece a falsidade dessa fantasia que nos faz crer ser possível transcender as influências dos outros. Pensamos estar escolhendo livremente, quando nao fazemos mais do que optar entre produtos sobre os quais nos foi sugerido que fariam bem à nossa imagem perante nossos semelhantes. Paradoxalmente, são as mesmas propagandas que nos vendem a idéia de autonomia: aliás, seria justamente nessa característica pessoal das opções que fazemos que se encontraria o almejado estilo pessoal. Aliás, estilo e uma espécie de palavra mágica, cuja expressão colheria a nata de nosso ser. tradução estética da nossa imparidade. Você e a cara do seu estilo e e ele que o diferencia dos outros. O problema e que o catálogo de estilos e restrito e também está à venda.Nesse contexto, fica difícil de aceitar a condição de passividade própria da infância. Gostamos de nos iludir que sempre fomos donos do nosso nariz, que jamais fizeram de nós o que quiseram, que nunca ninguém aproveitou mais que nós de uma situação vivida. Inadmissível pensar que fomos tão pequenos."


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