segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Memórias, lembranças e outras recordaçõezinhas

Como estou estudando história-cultural nada mais normal do que remeter aquilo que está longe (no conhecimento) para aquilo que está perto, o plano da microgênese (a história de nossas experiências mesmo que estás nos tenham sido passadas, repassadas pelas gerações e não realmente vividas, no entanto, consideradas).  Isso, claro, ponho num mix e voilá! Já pensou na tortura que é para alguns pensar o que é que  o outro está pensando? Pior! Pensar no que outro está lembrando? Típico de manipuladores e inseguros. Então, vamos lá...


PRIMEIRA PREMISSA (aplicável principalmente a relacionamentos passados-presentes): 
não podemos ter controle sobre o que é que o outro está pensando, portanto, mesmo que faça a encenação clássica, e às vezes de fato até queira, se livrar dos objetos do passado, a memória já está ali: registrada. Não no objeto, mas na pessoa. Entenda-se objeto não como coisa material, mas como alvo de desejo, aspiração, inspiração...Trata-se da "memória do objeto" encontrado em similares na rua mesmo, naquele lugar com aquela música que está tocando num canto qualquer, num cheiro que paira no ar, numa risada qualquer, num gesto que antes encantava... Então, fotos, discos, cartas, presentinhos destroçados no lixo não dão certeza de nada. A presença ao seu lado pode ser uma presença de corpo presente, porém, de mente e sentimentos ausentes que escondem o que passa consigo de seu manipulador inseguro.

SEGUNDA PREMISSA: não queira lutar contra as memórias. Você sairá perdendo. Esse é um terreno desconhecido e terra de ninguém. Sabe aquele ditado "recordar é viver". Pronto! Se tiver maturidade em compartilhar o que já aconteceu de forma curiosa, engraçada. Ótimo! Porque senão o lembrador cada vez que reviver não se dará conta que é diferente e aí sim a memória será belamente caleidoscópica! A memória deve estar não no lugar de nostalgia e sentimentos reprimidos, mas de passado. Passou! 

TERCEIRA PREMISSA: Seja inteligente! Se é passado então, por que masterizar e remasterizar as memórias, tornando-as livre de ruídos, defeitos e cheia de fantasias do "e se...e se..."?  Porque o que é proibido é melhor. É seu!E ninguém manda nisso. Pelo menos nisso. 

QUARTA E ÚLTIMA PREMISSA: E o que fazer? Foque no presente e em quantas coisas encantadoras vocês vivem, o que você pode proporcionar porque daqui a pouquinho também se tornaram memórias. Ou será que no fundo você tem medo mesmo  é de se descobrir mais sem graça e menos vivaz do que uma "memoriazinha" e daí precisa sufocar o que passou? Tem medo de descobrir que nada mais, nada menos você é um mero clichê que insiste em não sê-lo? Autencidade é antes de tudo um pacto consigo mesmo que canta e encanta os outros sem muito esforço, nem berro...
Comments:

 Íthalo: Bem, os elogios vindo de você são suspeitos, tá? Porém, fico feliz de ser comparada a bons escritores. Indicativo de que estou no caminho. Quanto a inspiração, sempre é bom escrever sobre o que se sente, sentiu, vive, viveu, conversou ou compartilhou...Daí o resto só é prática e deixar as ideias correrem não no papel, mas no teclado. ;)

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