domingo, 27 de novembro de 2011

Transmutando vazios em sintonia desejante

Numa postagem que fiz sobre vazios falei da dificuldade em preenchê-lo, de nomeá-lo, de explicá-lo, até mesmos de conviver com uma condição que nos é inerente. Nesta vou tentar associar o vazio como significado de solidão, o que é feito pela maioria e junto a esses, tristeza. Entretanto, há uma diferença básica entre estar sozinho e ser solitário. 

Assim como o vazio, é necessário que fiquemos também sozinho. Precisamos de algumas horas para gente. Precisamos algumas vezes nos distanciar para que a forma como olhamos a vida não fique cansativa. Ou seja é preciso dar um passo para trás para reequilibrar-se, já que além de coisas boas, as pessoas trazem demandas particulares. Então estar sozinho pode ser positivo, reeenergizador, o que é diferente da solidão.

Solidão pode ser traduzida como ausência de contato significativo. Alguns se refugiam em grandes grupos e mesmo assim se sentem solitários porque o que importa não é a quantidade de amigos e sim a qualidade de comprometimento que se estabelece com algumas pessoas. Entretanto, quando o isolamento é maior há um comprometimento do contato por parte do solitário, um excesso de autismo. Uma preocupação com o contato ameaçador do outro  ao invés de entender esse mesmo contato como busca de generosidade que pode ser oferecida. 

Enfim, solitários crônicos contribuem para o próprio isolamento, mas pessoas que gostam de ter momentos a sós consigo na verdade buscam se resintonizar para não se perder no meio de tantos desejos que muitas vezes não são os nossos, mas dos outros.

REFERÊNCIA: BERGAMO, Giuliana."A solidão que nos protege".
In: Revista Veja. 2244 edição, ano 44, n.47
23 de novembro, 2011 (p.94-96)


Um comentário:

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