quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O amadrinhamento na prática. Ironia né!?

"Muito obrigada por ter feito do meu casamento um momento tão feliz, alegre e marcante em nossas vidas. Deus não poderia ter nos dado padrinhos, compadres e amigos melhores. Muito obrigada!!!! Beijos"


Foram com essas poucas palavras recebidas por e-mail no fim dessa noite que tive certeza que o "serviço" como madrinha foi pelo menos razoavelmente bem feito. Como ser a fada madrinha de alguém? Como transformar sonhos em realidade? Como, mesmo numa cerimônia burocrática, como um casamento discretíssimo no civil, dar a cara dos noivos em pequenos gestos  que possam ser lembrados com afeto para o resto de suas vidas, com o humor e sensação de felicidade plena? Para mim...

  1. Foi acalmar a noiva ansiosa para que tudo desse certo dentro de um super senso prático de "menino", independente, que tudo faz e resolve, mas que ainda sim de algum modo foi embalada pelos tantos sonhos de casamentos de princesas que tanto vemos e somos estimulados a acalentar e que muitas vezes figimos não tê-los ou adaptamos-os as possibilidades de nossa realidade;
  2. Foi customizar com carinho um véu  para simbolizar a pureza de uma nova relação que começa; 
  3. Foi preparar saquinhos de arroz para desejar prosperidade aos noivos; 
  4. Brincar para que tirassem todas as fotos clássicas e tidas como "bregas": troca de aliança, o primeiro beijo depois da cerimônia, o carrregar no colo....
  5. Foi providenciar o champanhe e as taças para que ali mesmo, na saída do cartório, novos sonhos explodissem com aquele novo ritual emanado com "altas vibrações";
  6. Foi transformar em missão a piada irônica que ressoava na minha cabeça que era chamar-me para ser MADRINHA! "Eu? Mas por que eu? Declaradamente desengonçada e não muito ligada nas convenções sociais? Totalmente inexperiente"
  7. É ir para além da oferta de um presente caro, a roupa bonita dos padrinhos, que é a praxe dessas convenções. Superar uma fila que mais pode ter o poder de transformar o casamento em um balcão de ofertas e os encontros de tantas diferenças "noivísticas" numa experiência antropológica de ir a feira central. E enfim,  poder relaxar ao escutar da mãe do noivo:" - Vocês fazem parte de algum buffet de casamento?
                           
Da mesma forma que de algum modo cada um um tem o que merece, comecei a compreender que cada um tem o amadrinhamento que merece. Isto é, quando você escolhe seus padrinhos de casamento, escolhe alguém que tem valores e atitudes com as quais compartilha e admira. Ou que pelo menos tenha no mínimo  o bom senso de deixar a mensagem nas entrelinhas que o casal pode contar com nosso carinho, observação, escuta e intermediação quando estritamente necessário. Seja nos pequenos ou nos grandes momentos.Missão cumprida! E até a próxima missão que agora está vindo de comboio que o "gran" casamento de fevereiro.
                                
E lá ficaram todos os passados, tristezas e lágrimas, para dar lugar ao novo que toma conta e cativa.

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