sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sexta profana com o (en)canto dos desconhecidos

Entre a multidão mais uma mulher normal. Mas quanto engano! Engano somente desfeito após a primeira reunião diante de uma mesma dúvida profissional...Enquanto outros falavam entre si, lançou uma pergunta retórica que logo foi atingida de cheio pela resposta audaciosa...*

- Não acho! Gosto sim desse tipo de música! Principalmente de Mozart por tamanha genialidade e loucura...
- Ah! Então, por favor, quais são suas indicações. Mande-me por escrito.
- Claro! Agora mesmo. - e enquanto tomava nota era observada - Você veio sozinha? Está acompanhada? ...porque irei almoçar sozinho e são não for incomodo poderíamos almoçar juntos...
- Sim! Podemos.

E de forma simples o almoço se arrastou pela tarde, falando sobre música, bebidas, viagens, filmes...
- Por que você não desiste em viajar hoje e fica comigo?
- Ok! 
 Tão simples que nem ele acreditava que era verdade.
- Há somente um porém. Ainda preciso voltar ao trabalho, então podemos nos encontrar mais tarde e daí podemos comer algo, ir para minha casa. Você é quem sabe.
- Ok!
Ele cada vez mais surpreso com aquela sucessão de respostas ainda reiterou....
- Há! Conversamos tantos e não nos apresentamos! Meu nome é...
- E o meu é "La Bouchée". Então nos encontramos às seis na biblioteca.  Me procure. Estarei lá.
A princípio "Madame La Bouchée" não tinha posto muita fé naquele homem mediano. Pensou que apenas seria mais uma aventura desastrosa deixada no meio do caminho sem mais delongas. Pensamento esse que foi mudado ao se reencontrarem na biblioteca da empresa. Os olhos dele a caçavam entre as mesas como se fosse uma presa. Ela o observava como alguém que deixava sê-la. Temendo que a mesma abortasse aquele encontro tão sem proposito, sem explicações, se travestindo dos "nãos" das Samaritanas, como convém as "mulheres de bem", pegou-a pelo braço, fixou seus olhos nos dela e num misto de furto e pedido de consentimento, dava pequenos estalinhos. Até que num canto menos movimentado e discreto as mãos tatiavam o contato mais profundo entre seus corpos numa linguagem quase que familiar a ambos. Sem muito falarem sobre planos, se teriam algum futuro. E então, entre um beijo e outro e um apalpar e outro...
- Você fuma?
- Hoje não mais, mas já fumei...
- Você costuma sair com estranhos?
- Não.
- E por que eu?
- Curiosidade. Além disso você me deixou avontade.
- Vamos sair daqui. Alguém da empresa pode nos ver!
- Ok! Vamos.
- Para minha casa direto?
- Sim.

E monossilabicamente Madame La Bouchée teve uma das melhores noites de sua vida. Vendo o dia amanhecer, inebriada pelo cansaço quando pegou sua mala e disse um simples..."-Até logo!" - sem culpa, sem remorço, sem planos. Livre como sempre fora e como toda mulher deveria ser. E ele? Ele seria apenas o seu Bibliotecário, como num conto de aventuras.



* Os nomes dos personagens são fictícios para salvaguardar a identidade das fontes e a confusão entre realidade e ficção, claro.

Comments
Caroll: Pois é! Seria cômico se também não fosse trágico, por isso a a ironia ;)


CadinhoRoco: Aviso aos novatos nesse blog, infelizmente as poucas palavras na ciber rede não nos dá chance de passar todos os sentimentos complexos. Entretanto, no caso dos protagonistas não houve banalização. Às vezes a gente se preocupa tanto com as convenções que se enreda nelas e não sabemos o que fazer, que foi o caso, por isso, chamo dos fatos narrados aqui de ironia.
                                                      E seja bem vindo ao meu ciber-espaço.









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