sábado, 18 de fevereiro de 2012

Carnaval cultural com os Beatnik (parte I)



Para os que gostam de ícones como Bob Dylan, Janes Jopplin, Jim Morrison e The Clash, saibam que os mesmos faziam parte de um movimento com conexões artísticas na fotografia, na pintura e na música denominado de beatnik.
Termo de conotação irônica criado pela mídia que funde a palavra Sputinik, o primeiro satélite artificial soviético, e um acontecimento social e geracional, a geração beat. Um verdadeiro fenômeno coletivo, com atitudes e vestimenta dos beats.
Poesia e música sempre andaram juntas, mas desde o romantismo nunca a ligação foi tão intima. Os autores do movimento realizavam uma ponte do surrealismo beat, com a contracultura da segunda metade da década de 60.
Os autores beats, poetas e prosadores, eram protagonistas de biografias, líderes ou porta-voz dos movimentos sociais. Suas produções simbólicas, suas vidas e os acontecimentos histórico-sociais confundiam-se. Eram personagens de si mesmo, atuando o que escreviam. Enquanto fenômeno de produções autorais foi emblema de mudança na conduta individual e coletiva. Entretanto, não era um movimento semelhante a movimentos como o surrealismo e o paralelismo. Era um movimento constituído por um grupo de amigos antiburgueses que trabalhavam juntos e que, portanto, não era encabeçado por burgueses ou aristocratas.
A amizade era o elemento diferenciador ou definidor, transcendental, sacralizado, sexualizado, biográfico nas aventuras e nas percepções com a lei. Tratava-se de criação coletiva que se promovia juntos. O termo beat  faz ainda alusão à batida rítmica do jazz, ou ainda a gíria das ruas novaiorquinas para “ferrado”.
De acordo com o precursor de maior destaque do movimento Beat,  Allen Ginsberg, o movimento beat era um movimento literário que designava um grupo de autores que trabalhavam com poesia, prosa e consciência cultural. Ginsberg articulou e formalizou a beat. Sua escrita era típica. Oscilava entre pólos: do mantra ao sexo explícito, do sagrado ao profano, do espiritual ao material. A utopia de Ginsberg era a de uma sociedade harmoniosa, onde coubessem os loucos e, por afinidade, todas as modalidades de contexto estranho. O trânsito entre dois mundos: o da marginalidade e o da cultura erudita.
O legado beat consiste justamente na conquista da liberdade de expressão. Projetar na literatura e fora dela o que o beat escreveu, assim como as conseqências da recepção e da repercussão dentro da obra indissociável do texto. Os autores traziam uma nova visão sobre o desregramento dos sentidos, tendo a vidência como fonte, a exemplo de Rimbaud e o misticismo visionário de Willian Blacke. Os vetores dessa nova visão eram as drogas e a leitura. Nesse sentido, é importante destacar que:

“Desregramento em simbiose com a produção artística e literária não é novidade, historicamente (Willer, 2010: 50)

WILLER, Cláudio. Geração Beat. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010 (ColeçãoL&PM Pocket; v.756)

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