domingo, 19 de fevereiro de 2012

O amor e outras coisas mundanas (parte III)


“(...)amor nãos e pede,
não se especifica,
não se experimenta em loja”

“E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada um amor idealizado. E por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que um dia supôs, um amor que ter perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou.
Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego.
Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que voe Haia solicitado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence. Aquele amor em formato de coração , amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que começou pro telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que não era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explica o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor nãos e pede, não se especifica, não se experimenta em loja, como que diz: ah, este me serviu direitinho!”
(MEDEIROS, Martha. O Amor que a Vida Traz In: Feliz por Nada, 6 ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2011: 54-56)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...