quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Para uma ironia uma dose de Woody Allen (parte II)

Tomei uma cerveja numa birosca e fiquei a juntar as pontas...
Já em seu apê, o detetive, encontrou sua amante...
-Foi você quem o matou Dra Ellen Shepherd, Professora de física na Univesidade de Bryn Mawr.
- Como descobriu meu nome?
- A mais jovem catedrática de todos os tempos por lá. Nas férias deste ano ligou-se a um baterista de jazz, viciado em filosofia. Ele era casado, mas isso não a impediu. Passou com ele uma ou duas noites e achou que estava apaixonada. Mas não deu certo porque Alguém se interpôs entre vocês: Deus. Sacou, meu bem? Ele acreditava no Cara, mas você, com a sua mente estritamente científica, precisava ter certeza. Assim, você fingiu estudar filosofia porque isto lhe daria uma chance para eliminar certos obstáculos. Livrou-se de Sócrates com certa facilidade, mas aí Descartes entrou em cena e você descobriu que tinha de livrar-se dele também. Entregou Leibnitz às baratas, mas isso não batava você sabia que se alguém acreditasse em Pascal você estaria perdida, e assim tinha de livrar-se dele também. Mas foi aí que você cometeu um erro, porque confiou em Martin Buber. E o erro foi o de que ele acreditava em Deus. Portanto, você mesma teve de matar Deus.
- Você não vai me entregar vai? Vamos fugir juntos. Vamos esquecer essa história de filosofia e nos dedicarmos, quem sabe, a semântica!
- Quando alguém é mandado para o pijama d emadeira, alguém tem de pagar a conta. nada feito.
- Pegue-me - Sou toda sua.- Enquanto sua mão esquerda me apontava uma 45 na nucaO detetive desviou-se e esvaziou o 38. Ela estava morrendo depressa, mas ainda tive tempo de dar-lhe o golpe de misericórdia:
A manifestação do universo como uma ideia complexa em si mesma, (...) [não está] sujeita às leis de fisicalidade, de movimento ou de ideias relativas à antimatéria ou à falta de um Ser de ideias ou a um Nada subjetivo". 
Uma definição sútil, mas acho que ela entendeu muito bem antes de morrer.


(ALLEN, Woody. Tradução de Ruy Castro. "O Cara" In.: Cuca Fundida. 13ed. Porto Alegre: L & PM, 2010: 13-25, v.133)

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