domingo, 18 de março de 2012

Geração Beat (parte II): para quem gosta de cultura







“(...) A flânerie baudelariana, a caminhada ao acaso dos surrealistas e a errância beat são igualmente movidas pela disponibilidade, pelo deixar-se levar pelo vento do eventual, nas palavras de Breton (Willer, 2010: 76);



Seria então a geração beat a segunda vanguarda do surrealismo português expressivo por figuras como Mário de Sá Carneiro? Ou ainda uma vanguarda tardia?
O limite entre amizade e outras intimidades no movimento beat era fluido. Caracterizado ainda como um movimento estético, político, expressão de uma visão de mundo, de uma ideologia, da amizade e da solidariedade como elementos maiores, a dimensão expressiva da beat era comunitária, de relação fraternal. Tolerância e apoio mútuo foram decisivos quanto ideais e ideias partilhadas. Tratava-se de uma abertura a expressão do que não era estabelecido e com caráter multicultural.
Originou inclusive crônicas contemporâneas a nova visão, na qual realidade e literatura se confundiam. A geração beat tinha uma cresça extrema na literatura com valor mágico, como modelo de vida e fonte de acontecimentos. Sem contar que:

“A relação [da beat] com o seu tempo lhes conferiu sentido político. Contribuíram, ao se converterem em expressão de um movimento geracional, para uma abertura, para um grau maior de tolerância com a diferença e a exceção, que, ainda hoje, não pode deixar de ser valorizada. Sua absorção de informação nova, não institucionalizada enfrentou um ambiente acanhado, quase intocado pelas revoluções modernistas e vanguardistas (...)Em função daquilo que os beats, ou alguns deles, representaram na relação entre drogas e criação artísitica, cabem observações adicionais sobre o assunto. Principalmente para cuidar de sorte de simplificações, desde sua condenação como difusores de uma cultura de droga até a adesão a essa cultura justificada pela beat (Willer, 2010: 52-53);


A beat buscava a unidade pela superação da antinomia das contradições fundamentais. O desregramento como caminho da santidade fundamentais os da nova visão presente no gnosticismo e tantrismo. E os limites entre pornografia e alta literatura nunca havia sido antes tão coletivo.  Uma verdadeira revolução sexual nos termos de Willer (2010: 73):

“A intricada rede de relações corresponde a um grau de sexualização inédito no âmbito de um grupo ou movimento literário. Isso permite falar em revolução sexual. Ao integrarem desse modo sexo á vida e à criação, contribuíram para maior naturalidade como é visto e vivido hoje”

Entretanto...

“A beat acabou ao se tornar coletiva; ao deixar ser comunidade para transformar-se em sociedade. A poesia deseja projetar-se na diacronia, converter-se em realidade. Com a beat, essa projeção, mesmo parcial e incompleta foi como que instantânea (102)

Esse movimento geracional que influenciou inclusive o movimento hippe, sendo tal palavra um diminutivo de hipster, “moderno”, fez com que “Beats e contratultura (...) [fossem] adotados como símbolo do desejo de mudança” (Willer, 2010: 103), o que não quer dizer que a produção da contracultura possa ser designada nos mesmos termos da beat, já que no primeiro caso primeiro veio o movimento literário depois veio à mudança comportamental. No entanto:

A eclosão de uma cultura jovem, autônoma, nos anos 60, da qual por sua extensão e complexidade, acabou ficando uma crônica viciada por esteriótipos, não pode ser interpretada como rebelião consentida nem desqualificada como burguesia, subproduto de prosperidade capitalista e indício de sua decadência. O crescimento da associação entre pensamento alternativo e resistência pacifista provocou imediata repressão. Assim como o surgimento da beat é marcado por tentativas de censura dos textos, a contracultura o foi pela ação policial direta (Willer, 2010: 107)

E mais:
“A contracultura foi a última manifestação de alcance universal do séxulo XX. Daí em diante...a cultura jovem segmentou-se e fragmentou-se entre tribos e tendências (Willer, 2010: 110);

E por fim não se esquecendo de deixar registrado que esse movimento polêmico não representou uma dissociação entre realidade e teoria acadêmica, isto, é por meio de seus ícones, (..) “O mergulho no underground não significou num corte absoluto com Ginsberg e Kerouac com a vida acadêmica (Willer, 2010: 55);


WILLER, Cláudio. Geração Beat. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010 (ColeçãoL&PM Pocket; v.756)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Nem tudo são flores


Depois de tanto tempo "fora do ar", passo neste ciberespaço para prestar minha homenagem ao "Dia Internacional das Mulheres". Mas quem estiver esperando flores, mensagens positivas e coisas desse gênero mudem de estação. Como ouvi uma senhora dizendo:
-Nam! Esse negócio de dia da mulher. TODO DIA É DIA DA MULHER!
Assim, não irei salientar o quanto a mulher é valorosa por ser linda, delicada, meiga e mãe. E sim, lembrá-los que essa como tantas outras datas, não podem ter seu sentido desvirtuado para atender necessidades de mercado. Portanto, as mulheres são antes de tudo corajosas, lutadoras, conquistadoras e, principalmente, realizadoras.  Antes de tudo...“A luta continua!”: PELA NÃO DESVALORIZAÇÃO DA MULHER E DE SEUS DIREITOS.  
Inclusive o direito de que TODA MULHER TEM:  DIREITO A VIDA.  Em 2011, o DATA SUS do Ministério da Saúde registrou que 40% das mulheres morreram em casa. Isto é, foram vítimas da violência doméstica ou familiar
Dando um giro pelo mundo, uma história em flashs. E um musical especial para nós também...
Mulher corre para socorrer colega jogada ao chão por canhão de água de tropas israelenses nesta quinta-feira (8), na passagem de Kalandia, entre Jerusalém e Ramallah, na Cisjordânia. Soldados de Israel dispersaram uma passeata pelo Dia Internacional da Mulher e pedindo a soltura de Hana Shalabi, palestino preso e em greve de fome por 22 dias. (Foto: AP)