quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Quarta irônica: a cota de otarismo de hoje


Dinheiro, poder, vaidades. Aquilo que 99,99% da população se mata, e mata, vale salientar, para poder ter. Então, o que fazer com a "coleira eletrônica" chamada celular? Você não pode viver sem ele, afinal como lhe achar no fim-do-mundo? Como ligar no fim-do-mundo entre um segundo e outro na correria do dia-a-dia?Mas a sensação é de dinheiro sendo jogado no lixo a partir do momento em que compra. Tanto pelo falta de durabilidade (independente da marca); dos assaltos ("Ou dá ou desse?"); dos furtos (quando ele é retirado só na "massiota" de dentro da bolsa ou algo do gênero). Entendeu a necessidade em diferenciar as situações?) como por conta das perdas nos "achados e perdidos".

Pois é!Por isso que como medida preventiva compro os modelos básicos tendo como objetivo aumentar as chances que ele retorne para minhas mãos caso algo ocorra. O último nem toque de mp3 tinha. Era o genérico "lanterinha e teclado de plástico". Até que ao cair da minha bolsa num dia de trabalho fui ter notícias do mesmo quinze dias depois. Todo mundo indagava:" como alguém rouba um celular desses?". E o espanto não era por conta de uma possível ofensa a antiga/atual proprietária, mas porque era muito pouco para não tentar achar o dono.

O rapaz que achou disse ter entregue ao motorista do ônibus de todos os dias e ao indagar o motô sobre o fato respondeu-me com a indignação dos ofendidos moralmente:
- Como assim você queria que eu ainda estivesse com o celular? Como assim você queria o celular se ele descarregou e nem tentou contato?
-Ainda?[Devolvendo a pergunta..] Como assim que você se suja por tão pouco? Como assim você vende o que não é seu e junto seus princípios? Como assim que na verdade eu é que estou errada porque querer o que é meu?

Eu é que tenho vergonha de viver num país em que pra tudo tem um "jeitinho", inclusive para roubar. Eu é que tenho vergonha de viver num país em que fazer o errado é o esperto e  fazer certo é coisa de otário. Eu é que tenho vergonha de achar natural ter como marca cultural o "jeitinho" de enganar e trapassear ao invés da honestidade, da fraternidade e do senso de justiça. Por mais que ponha meu senso antropológico em ação não dá pra avançar tanto e ainda engolir o blá-blá de que historicamente fomos povoados por ladrões, assassino. Por favor me polpe da desculpa esfarrapada!

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