domingo, 2 de dezembro de 2012

Entre amores e paixões


Sempre é muito difícil avaliar o que é que a gente realmente deseja em nossas vidas: amores ou paixões? Desejo como o próprio nome sugere nos remete a algo que viceja, que lateja, que urge. Ou seja, nos remete a algo da dimensão da urgência. A urgência em ver, em ter, em comer...É fome desesperada que adentrando no campo da neurociência, como no livro "Sexo, drogas, rock in roll & chocolate", associa-se a adrenalina de comer um bom chocolate quando tudo mais parece está dando errado ou de praticar um esporte radical. É alívio imediato diante do prazer. 

Imagine nesse mix o prazer da reconciliação depois de uma briga de casal? Aquela angustia em perder, o vazio, a raiva...tudo isso é motor suficiente para varar o continente e sentir o prazer momentâneo de sentir todos esses sentimentos esvaindo-se na companhia do outro. A paixão nos deixa mais bonitos, mais espertos. Lembra do poema de Camões: "O amor é fogo que arde sem se ver.." É a própria descrição da paixão em palavras quase indescritíveis e não do amor. 

E o elixir da vivacidade torna-se um problema. A paixão assume a metáfora do saco sem fundo, onde tudo o que se deposita se vai! A questão que se coloca nesse campo é que quanto mais você faz, mais aparenta-se que é pouco, o que torna mais difícil suportar níveis cada vez mais altos de doação com retornos cada vez menores do prazer obtido como inicialmente. O conforto da saciedade momentânea deixa de existir e nos deparamos com o terrível vazio. 

Não se preocupem porque o propósito não é fazer um monólogo contra as paixões, mas é sugerir em deixar o corpo e a mente abertas para as novas experiências sejam quais forem, inclusive com sabedoria para sentir quando é hora de mudar para deixar uma partir para entrar a outra.

Já o amor...Não é que seja o antídoto para todos os problemas, mas é o contrário da paixão. É perene, relaxante, reconfortante. É a sensação que se faz algo simples, mas em compensação recebe-se algo muito melhor. É fazer um banquete com o que é nutricionalmente recomendado e ainda sim se sentir feliz e satisfeito. É sesta depois do almoço mesmo o corpo descansado. É revigorante porque não nos exaure. O amor nos enche mais e mais. Quando se ama não se tem medo nem culpa de ser menos isso ou menos aquilo, menos bonito, menos descolado... Ao final sobre o amor arrisco em dizer que tem cara de brisa e cheiro de mar no fim-da-tarde.

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