sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Tanto carnaval por nada

O que é que faz uma pessoa buscar sarna para se coçar? Será suicida? Kamikaze? Enfim, depois de um dia extenuante de trabalho fui atrás das minhas próprias sarnas para me coçar...Tudo começou (hehehe...mas não se preocupem não irei delongar nessa introdução) quando uma colega mostrou o produto da discórdia: um cinto.
Comprado numa dessas grandes lojas de departamento, ele não possuía nada de muito especial, a não ser o fato de ser de couro, tamanho GG – que no meu caso de quadril largo é uma mão na roda – e baratinho: R$ 9,90! Sem medo de ser feliz, mesmo não sendo uma dessas fanáticas por liquidação, no final de um dia de trabalho a própria colega ajudou-me a encontrar um igualzinho: estava ele lá sozinho, abandonado, em meio a tantas outros. Sucesso? Não!!! Teve apenas um probleminha e não foi o receio em lançarmos uma moda de par de jarros idênticos, mas O VALOR.
Pois é! Em apenas cinco dias, o mesmo produto que estava na liquidação foi “re-ofertado” com tarjinha vermelha e tudo por R$19,90, ou seja, R$ 10,00 mais caro. Como assim Bial?A liquidação saiu mais caro do que o valor do produto original? Liquidação para mais e não para menos? Como o mesmo produto com uma redução de 0,5 cm em seu tamanho poderia ser menor e mais caro? Baseando-se então naquele princípio do direito do consumidor de que existindo o mesmo produto com ofertas diferentes prevalece o valor mais barato, fomos ao caixa e lá começou a “Odisséia no Espaço”.
Atendentes e supervisores tentavam nos demover de que embora fosse o mesmo produto, não era o mesmo produto porque era de estação diferente: um veio primeiro e outro depois. “-Oi? Está nos chamando de idiota?” - foi exatamente o que pensei com uma explicação desse tipo. E embora fosse cliente credenciada da loja o produto não me seria vendido pelo valor da compra inicial.
“E agora, o que fazer? Engolir o desrespeito ao cliente daquela loja em que era credenciada, a explicação sem noção e ainda comprar mais caro? Evitar a dor-de-cabeça, afinal nem era uma diferença tão grande? Ir ou não ao PROCON atrás do direito a informação e tirar essa história a limpo? Eu quero ou não quero esse raio de cinto?Mas para que tanto carnaval por nada?” Entretanto, não se tratava de ter ou não ter, mas de saber o que é mesmo importante no fim das contas. Afinal, o que é que faz a diferença no nosso país mesmo hem?
Minha ética tacanha e meu profundo respeito por mim mesma me impediram de levar o produto. Além de não levá-lo me senti na obrigação em ir ao órgão do consumidor. Lá, como era fim de expediente, não fui tão bem tratada, mas pelo menos informada de que prevalece o preço mais alto do produto final. Deduzi a partir do labirinto que é a interpretação do direito, que a loja tinha o direito de remarcar o produto para mais caro, mesmo que o produto de origem tenha sido mais barato. E aí o que restou ao final do dia? Ficou aquela coisa...”- Taí, tanto carnaval e aperreio pra nada...”Mas será que é para nada mesmo?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sexo com culpa

Utilizando dos reducionismos dos números, sexo com culpa é uma uma categoria que atinge mais do que um e um milhão. Mas espera aí! De que tipo de sexo sem culpa se está falando? Trata-se de uma modalidade muito específica daquelas relações que humoristicamente transliteramos como piadinhas infames...: "- Aí não! NÃOPARA! Não para...". Daquelas que a gente fica na dúvida se é para parar ou não "a pegação". Entretanto, excetuando a parte cômica dessa entrada, o que vale a pena destacar nessa situação tão intima é o conflito que a pessoa vivencia naquele momento posto que internamente uma parte quer e a outra não.

Algo comum, por exemplo, quando num triângulo amoroso. A pessoa se sente fisicamente atraída por outra, mas não quer trair o parceiro; ou ainda quando o relacionamento está em "estágio terminal" e mesmo não querendo continuar, a pessoa ainda meio que por hábito, pela nostalgia dos "bons tempos" ou pelo prazer instantâneo, vai a cabo dos fatos na relaçãoNo entanto, apesar do nome CULPA ser impactante, fazer sexo na sua presença está diretamente relacionado ao desejo, ao instinto, que não tem como característica pensar. Funciona como um alertazinho de que algo pode estar indo mal. Uma vez que como "seres sensitivos" a parte pensante inculca outras coisas na balança a serem pesadas e avaliadas ao fim do processo: "- E daí, no final das contas, vale ou não a pena?"

No entanto, sexo com culpa não pode ser confundido com sexo forçado. Situação em que uma das partes não quer, mas se sente física, moral ou emocionalmente pressionada em fazê-lo. Ato que é principalmente reforçado por ditos populares como: "- É necessidade de homem;" "- Mas é obrigação da mulher satisfazer o marido para que não procure outra". (Um absurdo!). Nem muito menos pode ser confundido com um possível desconforto diante de práticas sexuais não tradicionais, a exemplo do sexo oral ou anal. Assim,  mesmo que pesquisas mostrem a existência de zonas de prazer relacionadas  a essas áreas; que a resistência a essas práticas deva-se a uma formação moral arraigada em valores que associam a pecado, sujeira, vergonha...as mulheres possuem o livre arbítrio de escolher se querem ou não experimentar. 

Imagine ser forçado constantemente a comer quiabo para tentar convencê-lo de que é bom. No mínimo, nunca mais vai querer ver um quiabo na frente, ou então, sempre vai ter gosto de "baba". Se, de um lado, temos uma construção social em torno do sexo e do que é permitido ou não e que, portanto, o que é legal hoje pode não ser amanhã, do outro sabemos que não é forçando que se aprende a gostar, demonstrando para não ser indelicada, a inabilidade do parceiro com a inexperiência do desconforto físico e emocional dessas situações. Sem contar a inabilidade do tal parceiro com o "trabalho extra" para manter o nível da líbido lá em cima quando enverada por essas áreas.

Mas enfim, maniqueísmos a parte de certo ou errado, bem ou mal, sobre a questão, o fato é que não devemos nos preocupar porque afinal quem está no sol é para se molhar.