quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sexo com culpa

Utilizando dos reducionismos dos números, sexo com culpa é uma uma categoria que atinge mais do que um e um milhão. Mas espera aí! De que tipo de sexo sem culpa se está falando? Trata-se de uma modalidade muito específica daquelas relações que humoristicamente transliteramos como piadinhas infames...: "- Aí não! NÃOPARA! Não para...". Daquelas que a gente fica na dúvida se é para parar ou não "a pegação". Entretanto, excetuando a parte cômica dessa entrada, o que vale a pena destacar nessa situação tão intima é o conflito que a pessoa vivencia naquele momento posto que internamente uma parte quer e a outra não.

Algo comum, por exemplo, quando num triângulo amoroso. A pessoa se sente fisicamente atraída por outra, mas não quer trair o parceiro; ou ainda quando o relacionamento está em "estágio terminal" e mesmo não querendo continuar, a pessoa ainda meio que por hábito, pela nostalgia dos "bons tempos" ou pelo prazer instantâneo, vai a cabo dos fatos na relaçãoNo entanto, apesar do nome CULPA ser impactante, fazer sexo na sua presença está diretamente relacionado ao desejo, ao instinto, que não tem como característica pensar. Funciona como um alertazinho de que algo pode estar indo mal. Uma vez que como "seres sensitivos" a parte pensante inculca outras coisas na balança a serem pesadas e avaliadas ao fim do processo: "- E daí, no final das contas, vale ou não a pena?"

No entanto, sexo com culpa não pode ser confundido com sexo forçado. Situação em que uma das partes não quer, mas se sente física, moral ou emocionalmente pressionada em fazê-lo. Ato que é principalmente reforçado por ditos populares como: "- É necessidade de homem;" "- Mas é obrigação da mulher satisfazer o marido para que não procure outra". (Um absurdo!). Nem muito menos pode ser confundido com um possível desconforto diante de práticas sexuais não tradicionais, a exemplo do sexo oral ou anal. Assim,  mesmo que pesquisas mostrem a existência de zonas de prazer relacionadas  a essas áreas; que a resistência a essas práticas deva-se a uma formação moral arraigada em valores que associam a pecado, sujeira, vergonha...as mulheres possuem o livre arbítrio de escolher se querem ou não experimentar. 

Imagine ser forçado constantemente a comer quiabo para tentar convencê-lo de que é bom. No mínimo, nunca mais vai querer ver um quiabo na frente, ou então, sempre vai ter gosto de "baba". Se, de um lado, temos uma construção social em torno do sexo e do que é permitido ou não e que, portanto, o que é legal hoje pode não ser amanhã, do outro sabemos que não é forçando que se aprende a gostar, demonstrando para não ser indelicada, a inabilidade do parceiro com a inexperiência do desconforto físico e emocional dessas situações. Sem contar a inabilidade do tal parceiro com o "trabalho extra" para manter o nível da líbido lá em cima quando enverada por essas áreas.

Mas enfim, maniqueísmos a parte de certo ou errado, bem ou mal, sobre a questão, o fato é que não devemos nos preocupar porque afinal quem está no sol é para se molhar.

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