quarta-feira, 27 de março de 2013

A ânsia desejante

 Quem nunca ficou fascinado não pela pessoa, mas pelo que ela é capaz de proporcionar? Quem nunca ficou fascinado pela ideia que nos “leva a”...?Viver conforme o não planejado... aproveitando cada oportunidade da vida... é uma máscara e um desejo que em maior ou em menor medida é posta por todos em algum momento como tantas outras máscaras que levamos em nosso arsenal.

Entretanto, como dizia Strauss, existem algumas que se agarra de tal forma a gente que não sabemos onde começa a pessoa e termina a máscara. E como toda encenação, há momentos que nos cansamos da máscara por mais bela e interessante que nos pareça; momentos em que os tipos como os James Jim, as Lolitas e os Mandelas após uma viagem de aventura querem apenas voltar para casa, para o conhecido: sem rebeldia, sem provocação, sem luta, apenas sendo da forma mais simples que lhe convier. Algo que sabiamente o experiente arquiteto de “Para Roma com Amor” soluciona não por meio da sabedoria “do que fazer e do que não fazer” trazida pela experiência, mas pela “exaustão”, mesmo que pareça coisa vendida ou coisa envelhecida.
 A trilha sonora que embala esse filme de Woody Allen é de leveza, brincadeira e até certa descontração como, por exemplo, a de um público que assiste ao programa de calouros. Inclusive ao escapar de uma trilha que lembrasse as tarantelas, Allen – assim como captou a essência melancólica e nostálgica da música francesa em sua última produção – acaba por escapar de possíveis obviedades ridículas nos surpreendendo e entrecruzando de modo brilhante micro histórias simples como numa declaração a Roma.
Sem querer resenhar ou criticar cinematograficamente, um momento lusco-fusco dessas tantas histórias está com o jovem que se apaixona pela personificação do inesperado e da espontaneidade. Pelo jovem que se apaixona não pelo amor, mas pela capacidade huamana de ser instavelmente desejante...

quinta-feira, 14 de março de 2013

Tola ou louca? Desiludida ou Cega?


Ao ver ontem a cerimônia do novo papa pensei..."Queria eu poder acreditar que mulheres, negros, latinos e tantas outras minorias alcançando o poder e alçando conquistas fossem sinônimos de mudanças globais, no entanto, mais me parece uma manobra de re-oxigenação do sistema. Não foi assim com a tão famosa Revolução Francesa?  O povo que tomou o poder para atender os interesses dos grandes..."
E o que sustenta esse pensamento? O dia-a-dia recheado de relações de dominação e opressão que continuam do mesmo jeito e nem uma “marolinha” de mudanças em curso de fato acontece. Mas deixa isso para lá porque eu é que não quero ser a profetisa da desilusão.  Prefiro ser tomada como tola do que como louca e tomara que, de minha parte, esteja apenas acometida de uma cegueira  momentânea.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Moderna

Na condição de mulher moderna também sinto faltas...
Sinto falta de não ter que parecer forte, heroína.
Sinto falta de não ter nascido coquete.
Sinto falta de não me sentir única.
Sinto falta de não querer ser algo.
Sinto falta de não correr atrás da ilusão de liberdade.
Sinto falta de ser feminina.
Sinto falta de querer ser só bunda.  
Sinto a falta da tantas Fernandas, Zélias...