quinta-feira, 16 de maio de 2013

A nova piada das Universidades Federais contada pelo Governo Federal

Como acreditar num país que cria uma série de programas para inclusão no ensino superior sob a pecha "de que o desafio para a superação da desigualdade está na democratização da educação e da qualidade, que dá as mesmas oportunidade para todos" (Ministro da Educação Aluísio Mercadante), se são necessários no mínimo dez anos para que "Zezinho" que saiu da periferia e encontrou todas as dificuldades na formação básica inicial alcance o título de doutor e seja digno de ensinar numa universidade federal?  

A desculpa de que  a medida provisória 614 que altera e lei do plano de cargos e carreiras  do manistério federal objetiva garantir a qualidade do ensino nem de longe chega a realidade de nossas salas de aula do ensino superior: sem infraestrutura, sem biblioteca atualizada e com professores desestimulados, inclusive os doutores.  Aliás, não são poucas as queixas dos alunos sobre professores que ao atingir a mais alta magistratura "doutorística" não se sente mais "a vontade" em ensinar coisas tão elementares aos graduandos e se recolhem a pesquisa quase que solitária numa rasgação de verbas de incentivo à pesquisa e a vaidade; não são poucas as queixas sobre a falta de metodologia ao ministrar das aulas que alguns alunos até chamam irônicamente de "encheção de linguiça", para não dizer do abarrotar de teorizações que de quase nada ajudam aos alunos a serem os profissionais que deveriam ser no mercado de trabalho, tornando-os ao final completamente despreparados e descrentes na educação para mudança.

Ao meu ver essa piada de mau gosto contada ao final dos informes publicitários que a oportunidade dada pelo Governo Federal  (com os créditos educativos, com as cotas e as bolsas de estudos), é deles, mas o mérito é nosso, do estudante, escamoteia apenas a lógica burguesa de que educação ao final não é para todos e o nosso mérito é muito mais um  esforço hercúlio de arrombar a porta do direito a fazer parte da educação com dignidade, uma questão de justiça social.  Essa medida apenas empurra um exército de mão-de-obra de reserva superqualificado para as franjas do mercado de trabalho das faculdades e universidades que precarizam o trabalho do professor universitário submetendo-os a qualquer tipo de acordo empregatício e de carga-horária. E o  que é que se pode esperar mais de um governo que se diz do trabalhador, do povo? Imaginem se não fossem!


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