segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A curiosidade que cria e a que mata

Dos pêlos do coelho do “Mundo de Sofia” que tudo questiona aos dilemas existenciais de Alice: ora grande, ora pequena diante das circunstâncias. Passando pela angustia de saber que nada se sabe, ou que pelo menos depois que teoricamente se sabe “a verdade”, não há como retornar ao ponto de partida como se nada tivesse acontecido. Nem ao menos sem tentar propagar entre outros, de suposta ignorância, a busca de verdades. A questão socrática posta pelo Oráculo de Delfos – “conheci-te a ti mesmo ou te devoro” – apenas enuncia que não há com fugir da força que governa cada um de nós sem que ao renegá-la um abismo maior de autodestruição se abra.  Se a mesma medida do veneno é a do antídoto, o mesmo paradoxo que torna a curiosidade criativa e transformadora é a que nos leva a encarar suas descobertas não como antídoto da ignorância, mas como veneno que permite saciar nossa vaidade manipulatória. Ou será nossa síndrome de Deus que tudo pode ou conserta? A vaidade geralmente anda de mãos dadas com a teimosia, à inteligência aguçada e outros casos sindrômicos, a sabedoria, no entanto, é humilde, paciente, madura e menos competitiva. E aí? Quem te devora?

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