quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Os solares por Martha Medeiros



"Sou mais verão do que inverno, mais mar do que campo, mais diurna do que noturna. Intensamente solar, e isso é, antes de tudo, uma sorte, pois sem essa energia vital eu provavelmente teria tido um destino mais sombrio (...)

Minha praia é Torres, Ipanema, Maresias,(...) e demais paraísos distribuídos por esse Brasil cuja orla é um exagero de radiante. Mais é preciso passear por todos os pontos antagônicos da nossa personalidade - ninguém é uma coisa só. Também tenho meu lado cachecol e botas, mas se fosse obrigada a escolher apenas uma de mim, nunca mais descalçaria o chinelo de dedos.

O solar tem seus momentos de introspecção, normal. Não há quem não precise e um recolhimento para recarregar baterias, fazer balanços, conectar-se consigo próprio. Mas ele volta, sempre volta, e vem ainda mais expressivo e sua vibração espontânea.

Há pessoas que possuem uma nuvem preta pairando sobre a cabeça só de olhar. Uma tempestade está sempre prestes a desabar sobre elas. Respeito-as, ninguém é assim porque quer, mas considero uma bobeira defender o azedume como traço de inteligência. Os pessimistas se acham mais profundos que os alegres. Não são.

"She's only happy in the sun" [Ela só fica feliz ao Sol]...

Sol combina com erotismo, cm bom humor, com leveza, com sorriso luminoso, com água cristalina, com calor, música, cores, vida. Quando ele se põe, me ponho junto, e nem assim apago: no escuro, me dedico aos vaga lumes."

02 de dezembro de 2012

Os Solares In: MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. 1 ed. Porto Alegre: Rs:L&PM, 2013 (p.141-142)

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