terça-feira, 26 de novembro de 2013

Recortes da Graça da Coisa por Martha Medeiros

Livro de Martha Medeiros indicado para uma boa distração, "A Graça da Coisa", não supera "Doidas e Santas", nem "Feliz por Nada", mas também é uma excelente distração. Sem contar a intriga trazida já de cara na capa: Há algo de cinzento e sisudo  vagando no mundo que pode ser cada um de nós, depende de como sentimos a vida, afinal sempre há no canto/centro algo colorido e lúdico para nos divertir. Se tivesse a honra de escrever um livro como esse o intitularia "Coisas da Vida", bem ao estilo da frase "seria engraçado se não fosse trágico".

OS MELHORES MOMENTOS EM DOIS PRIMEIROS ATOS:

PRIMEIRO ATO: AFETOS
"(...) Metaforicamente, alguns homens e mulheres conhecem a experiência de ficar com um pedaço de si aprisionado, imóvel, apodrecendo, impedindo a continuidade da vida. Muitos tiveram a sua grande rocha para mover, e não conseguido movê-la, foram obrigados a uma amputação dramática, porém necessária. (...) Sim, estamos falando de amores paralisantes, mas também de profissões que não deram retorno, de laços familaires que tivemos de romper, de raízes que resolvemos abandonar, cidades que deixamos. De tudo que é nosso, mas que teve que deixa de ser, na marra, já que insatisfação é algo que debilita (...) Ás vezes o músculo está estendido, espichado, no limite: há um único nervo que nos mantém presos a algo que não nos serve mais, porém ainda nos pertence. Fazer o talho machuca. Dói de dar vertigem, de fazer desmaiar. E dói mais ainda porque se sabe que é irreversível. A partir dali, a vida recomeçará com uma ausência. (...) Mas é isso ou morrer aprisionado por uma pedra que não vai se mover sozinha. O tempo não vai mudar a situação. Ninguém vai aparecer para salvá-lo (....)" (In: Amputações, 2013: 14)

"As mulheres precisam muito dos homens,mas por razões mais profundas.(...)temos, sim, necessidade de um olhar protetor e amoroso, de um parceiro que nos deseje por nossa delicadeza, nossa sensualidade, nosso mistério. O homem nos confirma como mulher, e nós a eles. Essa é a verdadeira troca, que está difícil de acontecer porque viramos generais da banda sem direito a vacilações, e eles, assutados com essa senhora que fala grosso, acabam por se infantilizar ainda mais. (...) Podemos se rindependented e ternas, independentes e carinhosas, independentes e fêmeas - não há contradição. Estamos  mais solitárias porque queremos ter a última palavra em tudo, ser nota 10 em tudo, a superpoderosa  que não delega, não ouve ninguém e que está ficando biruta sem perceber(...) A solidão, como contingência da vida não é trágica, podemos dar conta d enós mesmas. Mas ianda que eu pareça obsoleta, ainda acredito que se sentir amada é o que nos sustenta de fato" (In:Sustento feminino, 2013: 36-37)
SEGUNDO ATO: A tradução da atual sociedade: 

"(...) Na impossibilidade de lutarmos contra nossas fraquezas, resta-nos a baixeza maior: se alegrar com a derrota alheia" (In: Dupla falta: 2013:12);

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