sábado, 28 de dezembro de 2013

A retrô da Ana O. em mais uma das crônicas rodriguianas pós-modernas

Conforme vínhamos falando por aqui, Ana O. é uma figurinha diferente. Gosta de pirulito que deixa a língua azul e além de ler os clássicos da literatura, também diverti-se com livros e desenhos com historinhas infantis. Aprende com eles também e não tem vergonha de andar patinando no carrinho do supermercado ou lembrar de alguma cena de filme e de onde estiver reproduzir a cena ou sons, como a música de missão impossível. Isso confere a ela espontaneidade e muita vontade de ser feliz. 

Por sinal, o que Ana faz assim se faz não por se achar super sexy, mas por diversão. Tipo: escrever um artigo depois de sexo com o "namô"; ficar nua e a meia-noite mergulhar na piscina com aquela calcinha shortinho, no melhor jogo mostra não-mostrade da renda transparente; colocar seu salto Loubotin preferido, um tubinho preto, um batom vermelho e ir até a casa do ex para  jogar em sua cara todas as traições e sua pobreza intelectual quando esteve do seu lado no momento mais importante de sua vida, lendo, corrigindo e traduzindo para o francês a tese acadêmica. Folhas ao ar, saída triunfal...Assim era Ana, mas não teatralizada, apenas passional.

E chegando ao fim de 2013 não tem como não ela não querer compartilhar com sua amiga Sig pelo menos num bilhetinho por SMS, ou vários: 
"Amiga, feliz 2014! Confesso que tenho medo do que estar por vir. Ando um pouco cansada das minhas ambiguidades, mas ando mais preocupada ainda com o rumo das coisas...Essa minha mania de pensar no futuro. Enfim, me preocupo mais ainda porque não vejo mais as previsões astrológicas nas capas das revistas, nem nas matérias de entretenimento da TV. Tá, e o que isso significa? Não Sig! Não me converti a cabala. Significa que o mudo está mais cru. Que não acredita mais em magia alguma. Está sem fé. Sem esperança. E sem isso como continuar? Vendo apenas em frete a TV as retrospectivas dos economistas políticos mundiais e nas guerras civis que se aproximam? Na injustiça e na crueldade naturalizadas? Não posso! Se não posso acreditar em magia, mudanças e metamorfoses dos números 13 ou 7, como alguns mortais, porque devo acreditar nos cientistas profetizadores?  E daí lembro o que li de um cientista político: a mentira mais convincente inventada pelo nosso sistema é a de que nada poderá mudar apenas seguir o curso que assim já está"

2 comentários:

  1. Passeando por seu blog me deparei com enredos fantásticos e deliciosos de se ler. Li uma, duas, três... Incrível como sua escrita nos convida a ler cada vez mais. Parece até que estamos lendo um daqueles livros que sentimos pena de acabar e ao mesmo tempo queremos ver o fina da história. Esta postagem 'ANA', em particular, me chamou mais atenção porque conheço uma pessoa que, além de ter o mesmo nome, age de forma parecida.
    De qualquer forma, parabéns pela escrita. Você vai longe!

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    1. P.S.: Anônimo valeu pelo incentivo quanto a escrita e que bom que a leitura é convidativa...Mas quanto a Ana não sei bem se irei encontrá-la novamente. Torço que sim! ;)

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Queres aclarar, observar, deduzir, narrar despretenciosamene? Bem-vindo! Caso queiras apenas maliciosamente criticar, por acaso não é seu espaço, nem virtual...