quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mais um episódio de Ana O. nas Crônicas Rodriguianas Pós-Moderna

Conforme os últimos posts que revelam mais sobre a nossa personagem tão comum Ana O., desta vez ela acordou depois de mais uma noite mal dormida e cheia de pesadelos. Como se não bastante os pesadelos cotidianos que já vive... pilhas de papel, onde até parece que existem, dentro, gente em miniatura entrincheirada, sendo esmagada e saindo pelas bordas. Carimbos e sorrisinhos hipócritas de "Bom dia" carregados na verdade de desdém singelo. Até parece! Quem disse que Ana precisa esmolar o fruto do suor do seu trabalho? Esmolar "caridade de quem a detesta?"Ana, Ana, Ana...se eu pudesse daqui te dizer algo aí...Nem sei!

Foi com música de Sex Pistols encasquetada na cabeça que acordou praguejando a todos e com ânsia de derrubar uma parede ou então de jogar uma bomba no Parlamento da Falsidade Empregatícia...Pobre Ana! Logo veio a tona o conteúdo latente do último sonho e da relação que possuía naquele momento relação com a música.

No sonho Ana discutia com a madre superiora do convento do qual fazia parte, sendo chamada de perdulária. "Como assim! Ana! Num convento?". Não que Ana fosse ateia. Ela chamava por Deus nos momentos difíceis e também agradecia as coisas boas. Para ela não importava o contorno da força maior e nem ao que ou a quem poderia se atribuído isso, se ao homem crucificado de olhos azuis, ou outro símbolo de uma deidade qualquer. Ela também gostava do cheiro de incenso de sândalo com lavanda e do efeito das velas dançando a meia-luz do fogo. Sentia-se entre enternecida e risonha ao ver o comerciante que agradecia em plena manhã a jovem que rezava o terço em sua porta como que num sinal de benção diante das lojas roubadas na última noite.

A briga se dera dentro de um ônibus de viagem que partia com a Madre enquanto Ana saia porta fora, exigindo uma TV que levaria até a casa da esquina da próxima rua, onde morava, ou sei lá, se reuniam um bando de gente com roupas do tipo punk. Como uma "noviça/estranha" fora/dentro do ninho, apenas escutava:" - Não tenha medo! Pode entrar! Ana novamente acordara angustiada. Primeiro o celular. Desejo de se comunicar? Agora o ônibus. Desejo de partir diante de um presente tão opressor? Seria então o desejo de se teletransportar para um momento do passado que parecia aparentemente mais seguro? Fugir? Ficar? No entanto, Ana sabia que no fundo no fundo nada nem ninguém era seguro, nem mesmo ela.



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