quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Polêmico ou um comum: Afinal quem é Lobão?

Segunda-feira, 02 de dezembro de 2013, dei-me o "luxo" de dormir um pouco mais tarde para ouvir a entrevista de Lobão, o que me rendeu uma bela dor-de-cabeça pela manhã. Embalada por suas músicas e polêmicas nos anos 80, queria saber: afinal quem é Lobão? Ok! Nem mesmo ele diria que está interessado em saber a resposta. Mas como acabou de lançar uma biografia "Lobão: 50 anos a Mil", acredito que até mesmo ele tenha feito em algum momento essa reflexão de quem é, ou quem foi ele mesmo. A pertinência da minha curiosidade deve-se a associação que fazia dele com símbolos como o da anarquia, o da rebeldia e o da revolução. Como ele mesmo diz em uma de suas músicas:"(...)a contramão da contradição" .

Poético, mas de nada foram poéticas nem revolucionárias as suas declarações em entrevista no programa Roda Viva da Cultura. Personalidade escolhida para enquete desse dia, provavelmente por conta da dita biografia, mas também pelas polêmicas de um cara que agora é colunista da Revista Veja. 

"Como assim Bial?A Veja? Uma revista conservadora? Que tem como colunista somente os catedráticos em best sellers, com um cara que criticava a burguesia, o sistema?" Ok! Novamente o músico poderia me dizer:
"-E daí? O mundo está mudando. Não existe mais direita, nem esquerda. Você ainda não entendeu? Qual o problema da Veja querer dar uma cara mais de revista Cult ou da Mad dos anos 80 repaginada? Não existe rótulos. Tudo se descontrói". 

Por sinal uma palavra bastante em moda no momento. Ás vezes me pergunto até se as pessoas têm ideia do que é isso realmente...Enfim, o que encontrei na entrevista foi um cara confuso - algo bem visível quando era achacado pelos entrevistadores. Digo até uma certa desordem nos pensamentos que, no meu senso comum, interpreto como"entrando pelo pé do pato e saindo pelo pé do pinto" - auto declarante como a favor da propriedade privada, da livre inicativa, da diminuição da intervenção do Estado na pobreza social. Não seria esses valores capitalistas? Do sistema? Ou ainda, um cara de classe média que tinha o pai como melhor amigo do Roberto Marinho, o que não deixou de ser um empurrãozinho na carreira de músico e mais espaço para tanta rebeldia. Algo que lhe custou algumas noites na cadeia regada a cocaína e rivotril. Declarou-se como preso político. E daí me perguntei novamente: "-Como assim Bial?". Mais do que isso declarou-se como precursor do movimento alternativo ao lançar seus CD's na net, vendendo suas músicas por conta própria e peitando as gravadoras. Mas será que é isso tudo? Quem disse que ele era "O" precursor? Não é mais fácil ser rebelde com as condições que tinha. Não Lembra um certo personagem do filme "Meu nome Não é Johnny"?, baseado em fatos reais.

E logo meus pensamentos se completaram com a música do Rappa quando diz que: "a memória é uma ilha de edição(...)". É muito mais fácil para nós contruirmos uma narrativa sob um ponto de vista mais confortável e até motivo de orgulho para uma possível idealização da pós-morte e do morto que pode vir a ser imortalizado. Quem sabe na calçada da fama burguesa? 

Acho que diante de tudo isso permanecer no mundo de Alice e não ir para além do Espelho fosse melhor. Mas o que está feito, está feito e o que está dito, está dito! Ah! E qualquer semelhança entre está entrevista e o fight Dado Dolabella versus João Gordo, é mera coincidência. Mas fazer o que? Somos a soma do que fizemos e do que acreditamos ser....

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