segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ana O: nossa anti-heroína em mais uma aventura rodriguiana pós-moderna

Não! Ela não saiu do século XIX de uma máquina do futuro após uma sessão com Freud, parando aqui no século XXI. Na verdade nossa Ana O. é brasileira e de uma cidadezinha praieira. Nesse momento está em 2014 pós réveillon, no qual fez todos os rituais da data: pulou as ondas, comeu as uvas, estourou a champanhe, não comeu nada que ciscasse para trás...No entanto, sendo uma figurinha muito peculiar não foi à praia de branco. Decidiu usar uma cor diferente dos anos anteriores. Então nada de branco, rosa, nem amarelo. Claro que como todo mundo que participa desse ritual queria sim muita paz, saúde, dinheiro, amor e paixão, mas dessa vez ela precisava de algo bem específico que não tinha tido muito no ano anterior. Algo com a cor e  estilo descontraído equilibrado por uma maquiagem que faz um jogo olho e boca de forma marcante e harmônica. Afinal quem empresta sensualidade à roupa não são os ditames da moda, seu valor financeiro, nem muito menos seus tamanhinhos brilhosos e sim a personalidade criativa, inteligente, divertida, decidida e bem resolvida de mulher despreocupada com rótulos e com a idade cronológica que a veste. Nem que seja camiseta larga e calcinha tipo  shortinho.
Jogada então em um vestidinho longo leve, cheia de esperanças e metas renovada, volta Ana à coletividade em busca de sensações,"de piada barata e trocadilho bom”. Pois é! Esse negócio de organização doméstica, relatórios extras, equilibrar contas, ir e vir de seus três trabalhos para casa – Também não! Não é mais um episódio de “Todo Mundo Odeia o Cris” – além de “concurseira “–Nesse caso sim! Ela é mais uma brasileira insatisfeita com o trabalho por falta de grana e de reconhecimento –  Ana estava entediada. E ela odeia isso. Sempre deve haver uma pequena aventura a se fazer na vida: desde mochilar numa cidade estranha, perceber as ervas-daninhas floridas no meio do caminho até rir à toa de tão relaxada.
Para uma das primeiras empreitadas coletivas convidou Zelda Scott, que além de inteligente e super de boa consigo, era uma diplomata madura nata. As duas foram com uma turma de conhecidos e desconhecidos para um "auê” à noite. E tudo ia muito bem até o retorno quando uma “pseudofeminista” desconhecida decidiu a meia-noite ficar nua em plena orla marítima. Numa tentativa desesperada de mostrar “a verdade”, sobre o machismo alheio.

“Pobre menina – pensou Ana – e desde quando deixou ela também de ser reacionária com aquela e tantas outras atitudes daquele CON-TEX-TO? Desde quando fazer xixi de pé no meio da rua como os machões é sinal de liberdade? Desde quando rasgar dinheiro é sinal de desprendimento? Desde quando queimar o sutiã é sinal de revolução? Desde quando falar da importância do dedo médio masturbatório é libertador? Não estaríamos reproduzindo os mesmos estereótipos, coisificando pessoas e relações? 
Nem sabe essa pobre e jovem mulher que a maturidade revela que as nossas amarras não moram no sutiã, nem nas sanções sociais cristalizadas em nossas mentes por nossas bisavós como nossas. Isto é, as amarras são herdadas por nós e para nós, mas o que fazemos com ela e a importância que damos a ela ao longo da vida é que faz a diferença. Dona do que faz com o seu próprio corpo domesticado e temporariamente não reprimido socialmente, a desconhecida talvez não tenha se dado conta que esteja se tornado “pinel” em nome de uma verdade que não existe ante tantas verdades e mudanças. Afinal como diz o dito popular somente quem rasga dinheiro e come “cocô” é que de fato é taxado de maluco...

P.S.: Anônimo valeu pelo incentivo quanto a escrita e que bom que a leitura é convidativa...Mas quanto a Ana não sei bem se irei encontrá-la novamente. Torço que sim! ;)

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