quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Se eu fosse eu segundo Medeiros, Lispector e Iankel, seria melhor não sê-los

Desafiada a escrever um poste que dissesse "Se eu fosse eu" por meio da leitura do texto de Martha Medeiros em "Non-Stop", fiquei confusa e cheguei a três conclusões: A) Enlouqueci! E faz muito tempo. Algo que não me preocupa tanto mais; 

B) resumidamente se eu fosse eu seria uma cópia do não-eu de Martha Medeiros portanto,  quando descreve: 

"Se eu fosse eu, reagiria. Diria exatamente o que penso e sinto quando alguém me agride (...)não regularia o tom de voz, nem pensaria duas vezes antes de bronquear (...), mesmo que mexicanizasse a cena. Reclamaria em vez de perdoar e esquecer (...)Se eu fosse eu, não providenciaria almoço nem jantar, comeria quando tivesse fome (...) Acordaria então às cinco, com toda a energia do mundo, recepcionaria o sol com um sorriso (...), e caminharia (...), até perder o rumo de casa, até encontrar o rumo de dentro.(...) riria abertamente do que acho graça: pessoas prepotentes, que pensam saber mais do que os outros, encorajaria os que pensam que sabem pouco (...) não evitaria dizer palavrões, não fingiria sentir certas emoções que eu sinto, nem fingiria não sentir certas raivas que disfarço; Palavras que se completam com o que Iankel também escreveu...

"Se eu fosse eu, (...) não estaria aqui (...) Estaria passeando (...) no cinema sozinho (...) conversando com estranhos e desconhecidos.(...) Diria o que sinto e o que penso por mais triste ou feliz que fosse de frente a pessoa.(...)Se eu fosse eu, seria realista.(...) reagiria quando me magoassem sem perceber. Seria direto ao dizer a verdade sem medo de se importar com o que o outro sentiria. (...) Diante a primeira imposição, contestaria. (...) Lutaria até o fim. Remaria contra a maré por mais alta que estivesse. (...) Enfim, lamentaria a dor(...)"

C) Entendem agora porque é melhor não sê-los? Ou seja, o não-eu da Martha, da Clarisse e do Iankel? Porque assim sendo seus " não-eus" correspondem ao meu suposto eu livre. E o que significa isso? Que sou mais uma anônima louca, confusa, perdida e sozinha. Afinal quem pode/deve ser esse não-eu num mudo de simulacros?Respondo: NIN-GUÉM! O preço a pagar é alto demais. Talvez seja melhor um são vivo do que um louco moribundo. E quem sabe na próxima postagem cite não o meu eu, não-eu do outros, mas os nãos-eus que precisaria ser o eu por conta desses outros....


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