quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Crônicas de um Natal anunciado

Bem, faz um tempo que não narro as "cartas e-mails" da caríssima Ana O. É que depois da descoberta mútua do Whatsapp não temos conversado. Afinal estamos nos comunicado muito pelo nossos grupos do aplicativo. Ou seja, com todo mundo e ao mesmo tempo com ninguém...Ah! Sem contar que quanto maior o tempo que passamos com os pés na realidade, trabalhando, organizando e tal, menos viajamos juntos com a imaginação nos filmes,poemas, HQ's, música, escrevendo...

Dessa vez Ana contou-me sobre sua última ceia de Natal e o quanto sentiu-se anestesiada... Quando criança a véspera de Natal era agitada. Adultos preocupados com os detalhes da ceia. Crianças ansiosas pelos presentes. A cozinha cheirando a açúcar queimando. Os parentes mais distantes chegando com malas, bagagens e mimos: doces caseiros, frutas do pé da árvore.  O clima era de perfeição; daquelas que a gente guarda na lembrança por resto da vida e que repassar de geração em geração. Ouvia-se até o sermão de que não era um momento só de troca de presentes, mas de confraternizar o amor entre os pares e rezar inclusive para um mundo melhor. 

Mas voltando a anestesia de Ana que não era de solidariedade, e sim de vazio. Não! Não era solidão, melancolia porque uns tinham farta ceia e outros não...Era anestesia pelo vazio. O vazio  que as pessoas carregam e disseminam não porque continuam colocando suas melhores roupas para prestigiar o outro que faz parte de sua família, mas para se preparar para o próximo encontro social na casa de um outro alguém; o vazio da preocupação com os corpos perfeitos a serem exibidos como troféus; o vazio das conversas que giravam em torno dos programas de canal de TV aberta, das frutas mais exóticas e dos aparelhos/animais mais caros; vazio promovido pela presença dos imponentes smarthphones e suas self's, mas não são daqueles aonde todos estão reunidos e sim para cumprir as normas sociais; vazio promovido pelo silêncio de quem não sabe o que disser simplesmente porque nadam tinham a partilhar, a não ser a obrigação de manter as aparências de TER e não de SER. É Ana. Entendo eu a morte de Natal anunciado?"
o seu questionamento:"é ou não 


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