terça-feira, 29 de dezembro de 2015

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Os símbolos de poder no universo de erotismo feminino

Explorar as fantasias: ir a além dessa realidade nua e crua; além da dificuldade humana de lidar cada vez menos com nossa impotência e a massificação de um eu ao invés de uma suposta singularidade total. Pisar no universo do desejo e do prazer em estado de puro êxtase. E é aí que entra o erotismo. A aparente terra de ninguém inventada e desdobrada pelo mais puro desejo de que nesse lugar se é dono, se manda, que as coisas acontecem ao nosso tempo...

Lugar de poder, o erotismo está ligado a um outro ou a vários. Figuras criadas e recriadas não por nós mesmos, mas por vários outros sociais que são incorporadas a nossa fantasia e transmuta a alguém que caiba nesta e que possa nos salvar de nós mesmo, dessa nossa impotência diante daquilo que não podemos ir contra: o emprego, a falta de dinheiro, a infelicidade, o tédio... 

Figuras que na contemporaneidade são imiscuidade de um poder que foge as tentações maniqueístas de bem contra o mal e talvez desencantada do fetiche inicial para plena aceitação com o que é queer ou quizá aparentemente bizarro. 

Dos reis, príncipes, guerreiros, líderes, bombeiros, policiais, super-heróis aos incompreendidos amores bandidos pelo boêmio que flana na noite, pelo malandro, pelo bandido de colarinho branco, pelo traficante dono da boca de fumo...O que esses grupos possuem em comum, apesar das polarizações? O suposto poder de nos salvar e mudar nossas vidas. Em algo que assinala que conosco vai se diferente, melhor...

Entretanto, se de médico e louco todo mundo tem um pouco, de bandido e mocinho não se é lá tão diferente. E o que nos resta dessas elaborações oníricas de séculos passados e que se arrastam em pleno século XXI é saber o que suportamos. Porque ainda sim ao final a escolha em qual fantasia embarcar e desembarcar é nossa. O poder em nos salvar de nós mesmos não está no outro e sim em nós e naquilo que conferimos importância e poder. Mesmo que na onda do momento de que o improvável e o estranho passa ser o certo e o certo errado. Na volatilidade das coisas o que é certo e errado mesmo hem? Me perdi para me achar...E ainda sim somos capazes de agradecer ao mundo aquilo que não alcançamos porque nosso mais íntimo desejo não é alcançar o que se quer e sim continuar desejando e assim nos movimentando e responsabilizando o que não temos, aqueles que nos impediram de levar nosso desejo a cabo: ufa! Que alívio!

terça-feira, 14 de julho de 2015

Depois das ararinhas azuis, a modinha do festim dos urubus

Peço desculpa desde já pelo famigerado trocadilho, porém irresistível, que irei fazer... Mas até pouco tempo as araras azuis geraram a sua modinha no longa, e interessante,  metragem infantil "Rio", que enchia a nós brasileiros de um certo orgulho de nossa identidade - não se preocupem porque também não objetivo escrever algumas linhas para ser mais um a malhar nem defender o "Judas em Sábado de Aleluia" - e agora na velocidade da metralhadora giratória da moda, com todas as críticas empenhadas junto aos norte-americanos, temos a série, baseada no livro lançado em 2012, de "Game of Thrones", mais uma febre que diferentemente do arfam de afofar o orgulho da nação traz um elemento extra: entrelinhas que tratam da  rivalização já existente. Tanto entre as grandes potenciais mundiais que pulalão de lugar de ciclo em ciclo geracional, mas principalmente das rivalizações cotidianas nas quais somos postos e nem nos damos contas. Independente do nossos querer, da nossa vontade.

Elas estão ali dia após dia sem que queiramos. Ás vezes ingenuamente achamos que delas podemos fugir, ou pelo menos não contribuir para que essa onda torne-se um verdadeiro Tsunami. Porém, isto é algo que nos escapa. Afinal, uma crise, que é o que vivemos hoje, é fruto de um processo e não acontece do dia para noite, mas somente quando algo ou muitos algos se esgotão. Uma crise de identidade, de alternativa, econômica, cultural, social....uma revolução! Se para frente ou pra traz ainda não sei. Ou seja, se para uma evolução ou involução... e quem sou eu para profetizar? 

A sensação de alternativa ou da aparente falta de alternativa em alguns momentos - vem se formando e de alguma forma contribuímos e continuamos a fazê-lo sem nos darmos conta nas nossas relações que estão conectadas. Sendo que, agora, com a estranha sessão de que somente agora não há escapatória na fantasia, no silêncio, na invisibilidade aparente...

O que há é um verdadeiro pequeno banquete de urubus, porque estamos no Brasil e corvos é por demais estranhos a nossa realidade como no livro do norte-americano George Martim. Um festim no qual exagerar, exibir e espetacularizar essa crise, a sensação de impotência,  desencadeada internacionalmente  nada tem de produtivo a não ser assustar...Assustar para reagir? Não sei! Para mim parece assustar para acanhar, paralisar,  que já esse é o nosso hábito. Nos assombrar com o fantasma do desemprego, da fome, da inflação, do conservadorismo, de degradação ambiental... Em momentos de crise nada muito radical é aconselhado a ser feito. Muita calma nessa hora! Trata-se de um momento de observar e ver como surfaremos nessa onda interplanetária e no momento certo dá o "pulo do gato". Sem tomar o caldo da onda e nela se arrebentar, porém, sem a escapatória de achar que não será preciso pegar na prancha, nem se molhar, nem se arriscar... Os urubus personificados e simbólicos nos cercam e apontam que há carniça. Eles que nos diga ou avisa!

domingo, 19 de abril de 2015

Ensaio sobre a doce ilusão de ser

Eu? Eu quem? Com certeza não se é. Apenas parecemos, SE continuamos seguindo regras, cumprindo horários, seguindo rotinas como zumbis mornos em busca da vivacidade de quaisquer paixões... 
Mas SE quando sozinhos nos inspiramos com o que parece óbvio ou Obvius ainda há tempo de nos salvar do simples recorte e cole. Há tempo de seguir paixões: lendo, transcendo, escrevendo... Tomando coragem para se expor ao público. 
Eu? Eu roo as unha e removo violentamente o que me incomoda. Aproveito e choro para que não peçam explicações, nem me deem conselhos como ladainhas de autoajuda. Resmungo palavrões aos meus inimigos reais e imaginários...Alimento a ilusão de que não estou estagnada, que sou única, exclusiva, rumo ao que desejo e não ao que preciso. Me calo. Não disfarço. Vagueio e me entorpeço. Não organizo. Me levo pela baguncinha leve. Me jogo. Sou culta e puta. Sou louca e depravada, portanto, me regozijo em ser mal acabada.Vou para poder voltar e ter a certeza que em algum momento a escolha ainda é minha. Doce ilusão humana de achar que se pode ser livre... Como? Como se existimos em afirmação ao outro e quando muito em contraposição? 
Profecia da deseperança?Não! Apenas um lembrete para que ao fim do dia, ao dormimos, possamos esquecer quem fomos e recarreguemos o desejo de ser quem não pudemos ser...E quando o raro momento de estar só acontecer, fale consigo mesmo, só para voltar ao transe de estar novamente com quem se deseja realmente ser e não que se precisa...

terça-feira, 24 de março de 2015

Da carne ao queijo. Do nojo ao riso em crônicas da vida cotidiana

Seria um dia comum se...Se fosse apenas uma ida ao supermercado e...E não tivesse "batido boca". Antemão digo que: Não! Não se tratava de um fim de dia estressante e nem de um mau costume em estender lutas dia à dentro ou fora...Quando de repente ao me dirijir ao frigorífico e um senhor de cabelos brancos fura a embalagem da carne consecutivamente. Eu sei! Eu sei! Deveria achar normal. Pessoas violam as embalagens, infringem as leis, roubam e até matam. Por quê reclamar? Comprar brigar para dificultar a vida? Tudo termina em pizza mesmo né?

Mas aterrorizada com a cena daquela unha grande, cascuda, escura e cheia de sujeira prescrutando a carne que poderia ser minha ou de qualquer outro consumidor soltei uma interjeição:

- MEU DEUSSSS! O senhor vai continuar fazendo isso???- porque no geral o produto acaba sendo abandonado...

- Ô! EU VOU LEVAR ESSA CARNE! - e berrando supermercado adentro tentou me intimidar que não disposta a travar mais um batalha do dia continuei seguindo o roteiro da minha listinha de compras enquanto ele continuou...- AGORA FICA FAZENDO VERGONHA AOS OUTROS !

O-Ou! As próprias palavras denunciam: SE ele sentiu vergonha, LOGO algo dizia-lhe que poderia estar fazendo algo errado. O suficiente. Ele não aguentou ser desmascarada por uma "pirralha". Sim...porque não venha me dizer que esse tipo de atitude protesta contra os preços abusivos praticados pelo dono do supermercado porque provavelmente aquela mesma carne seria "reembalada" depois de ficar expostas a microrganismo para que outro comprasse-a e contaminada.

Ele também não estava verificando a maciez do produto porque o papel filme utilizado nas embalagens trata-se de uma tecnologia que permite maior contato com o produto. Porém, sabemos que donos de estabelecimentos utilizam-se da esperteza e para lucrar mais e colocam o pior da carne embaixo do prato descartável. E era essa parte que ele queria alcançar e por isso quebrava o prato e não apenas rompia o plástico filme quando foi pego em flagrante. 

Peguei outro atalho e no final, ao caixa, outro rapaz acanhado, que presenciou o  monólogo do"bate boca" perguntou quantas embalagens o senhor tinha violado. Para mim uma só era suficiente. Como um senhor que no auge da senilidade deveria ser exemplo e que no máximo consegue ser é o de deseducação? Outras denuncias me foi relatada pelo mesmo
:
- Já vi vários produtos abandonados nas gondolas, sendo realocados pelos trabalhadores do supermercado ao seus locais de origem. Daí são iogurtes abandonados que voltam ao freezer. Panetones junto aos produtos de limpeza que voltam a suas prateleiras...

Ou seja, acabamos por nos arriscar a consumir um pouquinho mais de toxinas botulínicas e traços de produtos químicos  não só por conta da empresa, mas principalmente por conta de nossa deseducação e do jeitinho brasileiro em ganhar vantagem em cima dos outros feitos de "pato".E no resumo da ópera ao final não precisei ir à delegacia para prestar queixa por constrangimento e ameaça.

E ainda pude dar uma bela risada quando na fila do queijo que antecedeu ao caixa, o trabalhador do frigorífico informado do "bate boca" e  despachando meu pedido ofereceu-me um fatia de prova de queijo, como de costume, dizendo:
- Não se preocupe. Pode experimentar. Garanto que  esse queijo não foi violado.
- Assim tá certo. Sendo um queijo não violado experimento - (risos)

E fica a dica: a luta pelo certo, o não a corrupção é bandeira de luta e de rua de todos e todos os dias.

domingo, 1 de março de 2015

Menina, um lixo só. Ops! Um luxo só...

Vivo aos esbarrões. E o que isso significa? Não. Não significa que sou desastrada, mas que topo todos os dias com a concretude. E sim. É quase tal qual a concretude  dos edifícios. Percebo o quanto fazemos questão de amontoar quinquilharias, as quais nominamos docemente como"conforto" quando na verdade não passa de um bando de lixo. Um lixo que nos dá a possibilidade de solicitar um pouco disso e quem sabe então de luxo...E quem não o merece afinal? Ante mão digo que não objetivo fazer um discurso ecologicamente correto - condizente com o colapso global -  nem comunista de partilha e blá... mas concretizar um discurso angustiante de falta do humano nesse lixo que é o luxo:
  1. Por quê os carrinhos de supermercado amontoados de embutidos símbolo do luxo consumista e do lixo nutricional não se dão ao luxo de seguir uma simples fila de supermercado?
  2.  Por quê as crianças enfeitadas como bonequinhas de luxo berram freneticamente em públicos para obterem aquilo que querem e na hora que querem, caso contrário, todos experimentarão o lixo da fúria dos titãs?
  3. Por quê os carros cada vez mais luxuosos tecnologicamente ocupam mais de uma vaga ou estacionam na vaga dos idosos?
  4. Por quê não se dá, pelo menos uma única vez, a passagem para que o pedestre faça a travessia, o ciclista continue sua viagem em segurança ou alguém saia de um engarrafamento?
  5. Por quê esses mesmos carros quando maiores então querem passar por cima dos menores, como lixo?
  6. Por quê as mulheres de salto insistem em demonstrar uma cara de nojo para que as que estão de chinelas? São tão mais confortáveis e às vezes mais dignas...
  7. Por quê quando alguém cai não se ajuda a levantar?
Enfim são muitos os porquês. Entretanto, conclui-se que sim. Esbarramos na poesia concretista de Augusto de Campos sem querer diariamente e que esta está cada vez mais na moda. Ou seja, olhando bem de pertinho todo mundo não é "anormal". E muito menos o que brilha é ouro, mas pode ser um luxo transfigurado de uma montanha de lixos materiais e simbólicos.  Por que quem você é não está na suntuosidade de seus trajes, nos locais de frequentação, nas marcas que consome e sim como uma atitude reflete a riqueza/beleza de quem se é. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Para além de uma questão de gramática? Momento: "UM" ou "O"

Procura-se um momento ou procura-se o momento. Ostentar uma camisa dessas em pleno carnaval no século XXI pode significar muitas coisas. Um momento rápido e fugidio. Cheio de adrenalina, estranhamento, mistério e fugacidade. Qualquer um e indefinido  como próprio artigo antes do substantivo sugere, que é o que todos acabam procurando na contemporaneidade. Se fosse a um século atrás seria um grito a favor da liberdade, contra o encarceramento provocado pela rigidez normativa. Mas qual a rigidez hoje mesmo hem?

Sim! Mas voltando a definição ou indefinição do que é que  procura-se mesmo...Sendo "o momento" falamos daquele que muda, que transcende a fugacidade do tempo e do espaço, que marca, do qual não se esquece...Para além da banalidade. Entenda-se aqui a banalidade não em seus aspectos moralizantes. Neste caso a banalidade contemporânea da que falo é a da falsa liberdade com a qual não sabemos o que fazer; onde colocar; o que transgredir. Porque afinal tudo já parece tão transgredido de faltas. 
Falta de profundidade diante da superficialidade das pessoas; 
Falta de mistério porque não se tem mais o que descobrir além dos buscadores de respostas rápidas e das piadinhas instantâneas das redes sociais, das quais nem guardamos por um segundo na memória;
Falta de um bom repertório de conversa daqueles que se engrenamos pelo olho-no-olho e faz com que você deseje estar mais vezes com aquelas pessoas que te fazem tão bem;
Falta de atitude para não se esconder nos bits das redes cibernéticas de cenas perfeitas com o pau de self e sem os improvisos que o "ao vivo" do jogo na vida nos impele.
Resumo da Ópera: trocamos uma vida trabalhada em patchworks pelos fim-de-semana instantâneos regados à "ménages, catrages", "crocodilon" e "sofrência" no qual damos graças a Deus por fugir do tédio da vida real, das parcelas pagas do silicone, do trabalho sem sentido ou então mal remunerado, da pobreza e da violência que nos arrastam de dentro de casa e de dentro dos carros e casas vips Bem só sei que minha caixinha de memória - espremida entre um mundo definido e indefinido - de uns tempos para cá clama, ao seu jeito, por um pouco seja de ópio para parar a dor, de pão e circo, alienação, ideologia, sei lá o que. Minha memória virou uma grande memória RAM, automática, temporária e anestesiada,  cheia de lembrancinhas que daqui a pouco..."Do que era mesmo que estava falando hem?"