domingo, 22 de fevereiro de 2015

Para além de uma questão de gramática? Momento: "UM" ou "O"

Procura-se um momento ou procura-se o momento. Ostentar uma camisa dessas em pleno carnaval no século XXI pode significar muitas coisas. Um momento rápido e fugidio. Cheio de adrenalina, estranhamento, mistério e fugacidade. Qualquer um e indefinido  como próprio artigo antes do substantivo sugere, que é o que todos acabam procurando na contemporaneidade. Se fosse a um século atrás seria um grito a favor da liberdade, contra o encarceramento provocado pela rigidez normativa. Mas qual a rigidez hoje mesmo hem?

Sim! Mas voltando a definição ou indefinição do que é que  procura-se mesmo...Sendo "o momento" falamos daquele que muda, que transcende a fugacidade do tempo e do espaço, que marca, do qual não se esquece...Para além da banalidade. Entenda-se aqui a banalidade não em seus aspectos moralizantes. Neste caso a banalidade contemporânea da que falo é a da falsa liberdade com a qual não sabemos o que fazer; onde colocar; o que transgredir. Porque afinal tudo já parece tão transgredido de faltas. 
Falta de profundidade diante da superficialidade das pessoas; 
Falta de mistério porque não se tem mais o que descobrir além dos buscadores de respostas rápidas e das piadinhas instantâneas das redes sociais, das quais nem guardamos por um segundo na memória;
Falta de um bom repertório de conversa daqueles que se engrenamos pelo olho-no-olho e faz com que você deseje estar mais vezes com aquelas pessoas que te fazem tão bem;
Falta de atitude para não se esconder nos bits das redes cibernéticas de cenas perfeitas com o pau de self e sem os improvisos que o "ao vivo" do jogo na vida nos impele.
Resumo da Ópera: trocamos uma vida trabalhada em patchworks pelos fim-de-semana instantâneos regados à "ménages, catrages", "crocodilon" e "sofrência" no qual damos graças a Deus por fugir do tédio da vida real, das parcelas pagas do silicone, do trabalho sem sentido ou então mal remunerado, da pobreza e da violência que nos arrastam de dentro de casa e de dentro dos carros e casas vips Bem só sei que minha caixinha de memória - espremida entre um mundo definido e indefinido - de uns tempos para cá clama, ao seu jeito, por um pouco seja de ópio para parar a dor, de pão e circo, alienação, ideologia, sei lá o que. Minha memória virou uma grande memória RAM, automática, temporária e anestesiada,  cheia de lembrancinhas que daqui a pouco..."Do que era mesmo que estava falando hem?"