terça-feira, 24 de março de 2015

Da carne ao queijo. Do nojo ao riso em crônicas da vida cotidiana

Seria um dia comum se...Se fosse apenas uma ida ao supermercado e...E não tivesse "batido boca". Antemão digo que: Não! Não se tratava de um fim de dia estressante e nem de um mau costume em estender lutas dia à dentro ou fora...Quando de repente ao me dirijir ao frigorífico e um senhor de cabelos brancos fura a embalagem da carne consecutivamente. Eu sei! Eu sei! Deveria achar normal. Pessoas violam as embalagens, infringem as leis, roubam e até matam. Por quê reclamar? Comprar brigar para dificultar a vida? Tudo termina em pizza mesmo né?

Mas aterrorizada com a cena daquela unha grande, cascuda, escura e cheia de sujeira prescrutando a carne que poderia ser minha ou de qualquer outro consumidor soltei uma interjeição:

- MEU DEUSSSS! O senhor vai continuar fazendo isso???- porque no geral o produto acaba sendo abandonado...

- Ô! EU VOU LEVAR ESSA CARNE! - e berrando supermercado adentro tentou me intimidar que não disposta a travar mais um batalha do dia continuei seguindo o roteiro da minha listinha de compras enquanto ele continuou...- AGORA FICA FAZENDO VERGONHA AOS OUTROS !

O-Ou! As próprias palavras denunciam: SE ele sentiu vergonha, LOGO algo dizia-lhe que poderia estar fazendo algo errado. O suficiente. Ele não aguentou ser desmascarada por uma "pirralha". Sim...porque não venha me dizer que esse tipo de atitude protesta contra os preços abusivos praticados pelo dono do supermercado porque provavelmente aquela mesma carne seria "reembalada" depois de ficar expostas a microrganismo para que outro comprasse-a e contaminada.

Ele também não estava verificando a maciez do produto porque o papel filme utilizado nas embalagens trata-se de uma tecnologia que permite maior contato com o produto. Porém, sabemos que donos de estabelecimentos utilizam-se da esperteza e para lucrar mais e colocam o pior da carne embaixo do prato descartável. E era essa parte que ele queria alcançar e por isso quebrava o prato e não apenas rompia o plástico filme quando foi pego em flagrante. 

Peguei outro atalho e no final, ao caixa, outro rapaz acanhado, que presenciou o  monólogo do"bate boca" perguntou quantas embalagens o senhor tinha violado. Para mim uma só era suficiente. Como um senhor que no auge da senilidade deveria ser exemplo e que no máximo consegue ser é o de deseducação? Outras denuncias me foi relatada pelo mesmo
:
- Já vi vários produtos abandonados nas gondolas, sendo realocados pelos trabalhadores do supermercado ao seus locais de origem. Daí são iogurtes abandonados que voltam ao freezer. Panetones junto aos produtos de limpeza que voltam a suas prateleiras...

Ou seja, acabamos por nos arriscar a consumir um pouquinho mais de toxinas botulínicas e traços de produtos químicos  não só por conta da empresa, mas principalmente por conta de nossa deseducação e do jeitinho brasileiro em ganhar vantagem em cima dos outros feitos de "pato".E no resumo da ópera ao final não precisei ir à delegacia para prestar queixa por constrangimento e ameaça.

E ainda pude dar uma bela risada quando na fila do queijo que antecedeu ao caixa, o trabalhador do frigorífico informado do "bate boca" e  despachando meu pedido ofereceu-me um fatia de prova de queijo, como de costume, dizendo:
- Não se preocupe. Pode experimentar. Garanto que  esse queijo não foi violado.
- Assim tá certo. Sendo um queijo não violado experimento - (risos)

E fica a dica: a luta pelo certo, o não a corrupção é bandeira de luta e de rua de todos e todos os dias.

domingo, 1 de março de 2015

Menina, um lixo só. Ops! Um luxo só...

Vivo aos esbarrões. E o que isso significa? Não. Não significa que sou desastrada, mas que topo todos os dias com a concretude. E sim. É quase tal qual a concretude  dos edifícios. Percebo o quanto fazemos questão de amontoar quinquilharias, as quais nominamos docemente como"conforto" quando na verdade não passa de um bando de lixo. Um lixo que nos dá a possibilidade de solicitar um pouco disso e quem sabe então de luxo...E quem não o merece afinal? Ante mão digo que não objetivo fazer um discurso ecologicamente correto - condizente com o colapso global -  nem comunista de partilha e blá... mas concretizar um discurso angustiante de falta do humano nesse lixo que é o luxo:
  1. Por quê os carrinhos de supermercado amontoados de embutidos símbolo do luxo consumista e do lixo nutricional não se dão ao luxo de seguir uma simples fila de supermercado?
  2.  Por quê as crianças enfeitadas como bonequinhas de luxo berram freneticamente em públicos para obterem aquilo que querem e na hora que querem, caso contrário, todos experimentarão o lixo da fúria dos titãs?
  3. Por quê os carros cada vez mais luxuosos tecnologicamente ocupam mais de uma vaga ou estacionam na vaga dos idosos?
  4. Por quê não se dá, pelo menos uma única vez, a passagem para que o pedestre faça a travessia, o ciclista continue sua viagem em segurança ou alguém saia de um engarrafamento?
  5. Por quê esses mesmos carros quando maiores então querem passar por cima dos menores, como lixo?
  6. Por quê as mulheres de salto insistem em demonstrar uma cara de nojo para que as que estão de chinelas? São tão mais confortáveis e às vezes mais dignas...
  7. Por quê quando alguém cai não se ajuda a levantar?
Enfim são muitos os porquês. Entretanto, conclui-se que sim. Esbarramos na poesia concretista de Augusto de Campos sem querer diariamente e que esta está cada vez mais na moda. Ou seja, olhando bem de pertinho todo mundo não é "anormal". E muito menos o que brilha é ouro, mas pode ser um luxo transfigurado de uma montanha de lixos materiais e simbólicos.  Por que quem você é não está na suntuosidade de seus trajes, nos locais de frequentação, nas marcas que consome e sim como uma atitude reflete a riqueza/beleza de quem se é.