domingo, 1 de março de 2015

Menina, um lixo só. Ops! Um luxo só...

Vivo aos esbarrões. E o que isso significa? Não. Não significa que sou desastrada, mas que topo todos os dias com a concretude. E sim. É quase tal qual a concretude  dos edifícios. Percebo o quanto fazemos questão de amontoar quinquilharias, as quais nominamos docemente como"conforto" quando na verdade não passa de um bando de lixo. Um lixo que nos dá a possibilidade de solicitar um pouco disso e quem sabe então de luxo...E quem não o merece afinal? Ante mão digo que não objetivo fazer um discurso ecologicamente correto - condizente com o colapso global -  nem comunista de partilha e blá... mas concretizar um discurso angustiante de falta do humano nesse lixo que é o luxo:
  1. Por quê os carrinhos de supermercado amontoados de embutidos símbolo do luxo consumista e do lixo nutricional não se dão ao luxo de seguir uma simples fila de supermercado?
  2.  Por quê as crianças enfeitadas como bonequinhas de luxo berram freneticamente em públicos para obterem aquilo que querem e na hora que querem, caso contrário, todos experimentarão o lixo da fúria dos titãs?
  3. Por quê os carros cada vez mais luxuosos tecnologicamente ocupam mais de uma vaga ou estacionam na vaga dos idosos?
  4. Por quê não se dá, pelo menos uma única vez, a passagem para que o pedestre faça a travessia, o ciclista continue sua viagem em segurança ou alguém saia de um engarrafamento?
  5. Por quê esses mesmos carros quando maiores então querem passar por cima dos menores, como lixo?
  6. Por quê as mulheres de salto insistem em demonstrar uma cara de nojo para que as que estão de chinelas? São tão mais confortáveis e às vezes mais dignas...
  7. Por quê quando alguém cai não se ajuda a levantar?
Enfim são muitos os porquês. Entretanto, conclui-se que sim. Esbarramos na poesia concretista de Augusto de Campos sem querer diariamente e que esta está cada vez mais na moda. Ou seja, olhando bem de pertinho todo mundo não é "anormal". E muito menos o que brilha é ouro, mas pode ser um luxo transfigurado de uma montanha de lixos materiais e simbólicos.  Por que quem você é não está na suntuosidade de seus trajes, nos locais de frequentação, nas marcas que consome e sim como uma atitude reflete a riqueza/beleza de quem se é. 

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